Boletim 258 - Não reclame de Deus, mas sim para Deus

Diante de tanta perversidade, maldade, injustiça, corrupção... Habacuque levanta a pergunta “até quando?”, uma expressão comum de angústia encontrada nos salmos (Salmo 6.3; 13. 1-2; 35.17; 74.10; 79.5; 80.4; 89.46; 90.13; 94.3). Ele estava reclamando a aparente inatividade de Deus enquanto a injustiça crescia em Judá (Salmo 83.1). Era o silêncio de Deus diante do mal que lhe incomodava (Salmo 35. 22-23). Há estudiosos que enxergam o profeta começando errado ao censurar Deus primeiro, não o povo.

Entretanto, creio que há algo positivo a ser aprendido da primeira atitude de Habacuque. É verdade que o profeta tem dificuldade em entender porque o Senhor permite que o mal continue, mas não reclama de Deus, mas sim para Deus. Embora tenhamos sido ensinados que não devemos questionar Deus, devemos observar a pergunta “até quando?” não é pecaminosa em si mesma. Na verdade, ela pode expressar uma alta estima pela santidade de Deus e um desejo de que a sua justiça seja servida em pecadores rebeldes.

Pois, esta indignação é lícita, pois resulta de opressões injustas. Mais do que isso, ela provém não só de um interesse próprio, mas de um zelo pela honra de Deus.  Sendo que, o pedido não é o de fazerem justiça com as próprias mãos, até mesmo a vingança pessoal era condenada desde o Pentateuco (Levítico 19.18), mas deixar a vingança com o Senhor (Deuteronômio 32.35; Provérbios 25. 21,22; Romanos 12.9, 20,21). Assim sendo, pecaminosidade não resolvida na igreja e no mundo deve estimular o mesmo clamor em nós. Devemos lamentar a violência, corrupção e as injustiças recorrentes em nosso país. E tal lamento deve ser acompanhado de um anseio por correção, por castigo.

Na verdade, a ausência do anseio próprio de interpretações é sinal de indiferença para com o pecado e para com a justiça divina. “Até quando?” não deve ser entendida como desespero, mas como uma oração esperançosa que provém daqueles que confiam que Deus resolverá a situação, como Habacuque esperava. Portanto, a reclamação de Habacuque é justa. Se o zelo pela justiça divina cresce à medida que nos santificamos, então devemos manifestar o anseio de que o Senhor Jesus volte não só para nos levar consigo, mas também para manifestar a sua justiça.

E quando olhamos para o nosso Brasil, o vemos como um lugar marcado por muitas dificuldades.  Tendo em vista a tantos males que vivenciamos e que não poupam ninguém.  Assim, ao olharmos para a nossa pátria e também o mundo (com seus acontecimentos atuais) do ponto de vista espiritual, eles não mudaram nada em sua essência. Por exemplo: A corrupção de morte que antes ceifara muitas vidas por desviar dinheiro da saúde pública, agora estes atos continuam descaradamente com alguns protagonistas e coadjuvantes políticos até mesmo presos.

O modo de fazer guerras mudou, mas as guerras continuam acontecendo do pelos mesmos motivos. O divórcio continua pressionando as famílias, a cobiça pelo dinheiro e conforto continua endividando as famílias e as nações. As crises e escândalos políticos continuam expondo a vaidade e cobiças humanas por poder. A incredulidade se aproveita das diversas adversidades por que passamos de forma insidiosa e insinuante (cansaço e doença; privações e tristeza; instabilidades sociais e políticas).  Tudo isso leva ao desânimo. Por isso nós cristãos precisamos nos certificar da nossa posição em Cristo para não sucumbirmos diante dos obstáculos em si e daqueles que fomentam essas coisas só para nos ver naufragar. 

Nada devemos esperar do mundo a não ser pecado, porque jaz no maligno (I João 5.19), mas, se a igreja fraqueja na incerteza como poderá confrontar o mundo? Uma igreja viva tem um impacto poderoso e extraordinário sobre o mundo! Portanto, oremos como Habacuque. Ele ora ao Senhor, coloca a sua expectativa em Deus para a resolução do problema. Não se acomoda diante dos males presentes. Ele quer que a resolução dos mesmos, embora saiba que ele mesmo não possa resolvê-los.

Ele clama ao Senhor porque tem a justiça de Deus em alta conta, quer vê-la manifesta. Por isso, sua oração honra o Senhor ao invés de desafiá-lo. Dessa forma, queridos quando olhamos para os males do nosso país e do mundo, perguntemos também como Habacuque “Até quando?”, pois vimos nesta pastoral que não é pecado fazê-la.  Pois, o profeta de maneira singular escreveu mais do que um recado de Deus para os homens, mas relatou sua própria experiência cheia de perplexidades, dúvidas e questionamentos. Mas no fim, Deus ampliou a visão que Habacuque tinha das coisas. Ele percebeu que Deus está no controle de tudo, mesmo quando as coisas parecem fora de controle. 

Pr. Carlos Roberto (Bob)

 

Data: 
domingo, Maio 27, 2018