Boletim 260 - Em busca do verdadeiro troféu

A Copa do Mundo começará no dia 14 de junho, a 21ª Copa Mundial de Futebol e, graças aos meios de comunicação social, atrairá a atenção da humanidade, durante um mês, até o dia 15 de julho, com 32 seleções. Vemos a FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado), a Rússia país sede e as demais seleções empenhadas em fazer o melhor mundial.  E também, na preparação das 32 seleções, notamos que todos os selecionados de seus países tiveram uma pré-temporada, com todo o suporte e recurso tecnológico, fisiológico, psicológico, gastronômico... Desde modo, preocupados para que  cada jogador venha mostrar em cada jogo o seu melhor.

Ante este evento de campeonato mundial de futebol, não pretendemos entrar no mérito da relevância ou não de sua realização.  Todavia, por meio dessa copa do mundo futebolística, nos reportaremos um pouco aos ensinamentos do apóstolo  Paulo, pois  ele usa em vários textos bíblicos  a figura do atletismo para descrever a sua vida cristã. Ele é um homem que tem olhos abertos para ver o mundo ao seu redor e daí tirar ricas lições espirituais. Para um atleta participar dos jogos olímpicos em Atenas precisava primeiro ser cidadão grego. Ele não competia para ganhar a cidadania. Assim, também, nós não corremos a carreira cristã para ganhar o céu, mas porque já somos cidadãos do céu (Filipenses 3.20).

Deste modo, iniciaremos neste domingo (dia 10 de junho) uma série nova com 5 sermões  pertinentes, que desafiarão  cada um de nós a viver  resolutamente “ EM BUSCA DO VERDADEIRO TROFÉU”. Portanto, exemplificaremos toda a preparação e ação do atleta como ingredientes relevantes, para a nossa atuação como servos do Reino dos Céus. Entendemos que o aspecto lúdico da vida é certamente parte integrante de toda personalidade humana e se manifesta particularmente no gosto e preferência por algum esporte.

O competente e popular exegeta Carlos Mesters, no seu livreto, “Uma entrevista com o apóstolo Paulo”, faz esta pergunta: “Você, Paulo, é admirador de algum esporte?” A resposta  vamos encontrá-la em algumas de suas cartas que contém algo que nos revela a preferência e o gosto esportivo de Paulo. Paulo nasceu em Tarso, uma cidade grande com uma população que atingia cerca de 300.000 habitantes. Tarso tinha seu estádio e realizava cada quatro anos, diversos esportes como corridas, lutas, lançamento de discos, tiro ao alvo, etc. Eram os jogos olímpicos gregos.

Quando menino e jovem, sem dúvida ele devia gostar de assistir a esses esportes, pois deles falará pelo menos em cinco das treze cartas que escreveu, como um meio de transmitir ensinamentos do evangelho de Cristo a comunidades que deviam muito bem entendê-lo. Assim, recordando duas modalidades das Olimpíadas, a corrida e a luta (uma espécie de pugilato), Paulo escreveu à sua comunidade grega da cidade portuária de Corinto, no Mediterrâneo: “Vocês não sabem que aqueles que correm no estádio, correm todos, mas um só  ganha o prêmio? Corram, portanto, de maneira a consegui-lo. Os atletas se abstém de tudo para ganhar uma coroa perecível; nós, porém, para ganhar uma coroa imperecível. Quanto a mim, é assim que corro, mas não ao incerto. É assim que pratico a luta, mas não como quem fere apenas o ar.” (1 Coríntios 9. 24-26).

Dirigindo-se ao seu discípulo Timóteo, de origem grega, ainda inspirando-se nos jogos olímpicos, Paulo assim lhe escreveu sobre o seguimento de Cristo: “Um atleta não recebe a coroa se não lutou conforme a regras.” (2 Timóteo  2. 5). Na carta aos Gálatas, fazendo uma comparação com as corridas no estádio, escreve: “Expus-lhes o evangelho a fim de eu não correr ou ter corrido em vão... Vocês corriam bem; quem lhes pôs obstáculos para não obedecerem à verdade? (Gálatas 2. 2; 5. 7). Escrevendo aos Filipenses dirá: ...”Avançando para o que está na frente, prossigo para o alvo, para o prêmio da vocação do alto”. (Filipense 3, 14). E prisioneiro em Roma, já ancião, condenado à morte, despede-se de Timóteo fazendo uma síntese-testemunho de sua vida: “Combati o bom combate, terminei a minha corrida, guardei a fé.” (2 Timóteo  4.7).

Fico aqui comigo pensando: se Paulo vivesse nesse nosso tempo, não estaria usando também o esporte das multidões para evangelizar, como o fez com as Olimpíadas? Sim, Deus nos colocou nos estádios da vida para partidas bem mais importantes que o atraente futebol. Partidas que devem promover o que é essencial no cristianismo: o amor, a bondade, a justiça, a liberdade, a misericórdia e a paz. Nas partidas da vida, é fundamental abolir toda forma de egoísmo, individualismo e vedetismo. O que importa é “jogar” em conjunto, com humildade, solidariamente.

Nesse estilo de “jogo” podemos ser autênticos atletas do Senhor, cooperando na construção de uma sociedade que se volte e creia em Cristo. Uma sociedade não só preocupada de ser politizada, mais, sobretudo cristianizada. Uma vez que, só assim pensando e buscando as coisas de Deus, que construiremos uma sociedade melhorada. Apesar de nossas limitações e falhas, conforta-nos a certeza da presença e ação daquele que é o Senhor do tempo e da história e garantia de bom êxito; daquele que se dignou entrar nos estádios da nossa vida, nascendo, morrendo e ressuscitando por nós.

Rev. Carlos Roberto (Bob)
 
 

 

 
 

 

Data: 
domingo, Junho 10, 2018