Informativos / Boletins

  • Boletim 269 - UMA IGREJA QUE SERVE NA CAPACITAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO - I Coríntios 12
    12/08/2018

    “A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando um fim proveitoso” I Coríntios 12.7

    Todo aquele que crê em Cristo, é introduzido na igreja de Deus, o corpo de Cristo, pela obra do Espírito Santo. Nenhuma denominação religiosa ou rito sagrado pode nos fazer participantes da igreja, cujos membros estão arrolados no céu, senão o Espírito Santo. Todo crente recebeu o Espírito Santo. E se todo crente recebeu o Espírito Santo também recebeu dons para serem usados para a glória de Deus, para engrandecimento do nome de Cristo e para edificação da Igreja. Se você é um filho de Deus, ele quer usá-lo! O Espírito Santo é o capacitador dos salvos, para o serviço de Deus. Ele concede dons diversos aos filhos de Deus, segundo sua soberana vontade. Esses dons são uma capacitação especial para o desempenho do ministério. Não há nenhum salvo sem dom espiritual e nenhum salvo com todos os dons. No corpo de Cristo não pode existir complexo de inferioridade nem complexo de superioridade; deve sim, existir mutualidade. Esses dons devem ser exercidos não para a glória pessoal de cada membro, mas para a edificação e crescimento do corpo de Cristo, bem como para a glória de Deus.

    Portanto, Os dons espirituais são uma capacitação sobrenatural dada pelo Espírito Santo aos membros do corpo de Cristo para o desempenho do ministério. Os dons são capacidades específicas, que Deus nos dá através do Espírito Santo, para que possamos servi-lo melhor. Nenhum membro pode considerar-se superior nem inferior aos demais. Todos os membros são importantes e interdependentes. Servem uns aos outros. Pelo exercício dos dons espirituais as necessidades dos santos são supridas, de tal forma que, numa humilde interdependência todos os salvos crescem rumo à maturidade, à perfeita estatura do Varão perfeito, Cristo Jesus.

    Uma igreja sem dons é como um cadáver. A vida da igreja são os seus dons. É por isto que não é possível haver um crente sem dons. Não pode haver um crente sem que nele habite o Espírito Santo.

    A igreja é uma comunidade de pessoas diferentes. O mistério de Deus, de que fala Paulo várias vezes, é fazer estas pessoas diferentes agirem segundo Seu conselho. A igreja é a família de Deus, composta, portanto, por pessoas diferentes (como na família humana).

    A igreja é um corpo onde Deus vive e através do qual ele opera. "Se você quer encontrar Deus no mundo de hoje, Seu endereço é "a igreja", (Ray Stedman) não apenas quando ela está reunida, mas quando os seus membros estão em ação, onde quer que vivam. A igreja não é apenas seus membros reunidos. Uma igreja não acontece nos seus encontros dominicais. Portanto, Os dons espirituais são uma capacitação sobrenatural dada pelo Espírito Santo aos membros do corpo de Cristo. E o apóstolo Paulo destaca que o tema dos dons espirituais é muito importante, porque é por meio deles que Cristo edifica a sua igreja e por deles que a igreja edifica o mundo.

    Rev. Carlos Roberto (Bob)

  • Boletim 268 - Uma Igreja Viva
    05/08/2018

    Numa época de contestação às instituições sociais, políticas, culturais e religiosas, nenhuma instituição tem sido tão contestada em sua razão de ser, estrutura e valores, como a Igreja.

    Ela é vista ora como um clube religioso, ora como um grupo de ação política e ora como um grupo de fanáticos tentando impor normas já de há muito ultrapassadas a um mundo de avançada tecnologia.

    A Igreja instituída por Cristo há quase dois mil anos é ainda a mais atual, necessária e poderosa força para a transformação e salvação do homem.

    Entretanto, ela só atingirá esse alvo enquanto operar na compreensão de que para servir ao Deus Vivo é preciso ser uma Igreja Viva. Sempre que os cristãos se dispuseram a dar um testemunho rico de significado e efeito,  vivendo em comunhão com Deus, amando e equipando os de dentro e amando e evangelizando os de fora, saindo das quatro paredes dos templos para um relacionamento efetivo com o povo de sua cidade ou do seu bairro, agindo de fato  como membros de uma Igreja Viva – Tornando uma Igreja Missionária na Comunidade.

    Desta forma, temos um apelo para cada membro da Igreja do Parque, conforme a mensagem bíblica, que a Igreja de Cristo, não é o local, mas sim você, eu e nós que temos a vida eterna. Que sejamos uma Igreja Viva.  Bill Hybes em um dos seus livros pergunta: “Qual é a igreja mais importante do mundo?” “É a igreja que Deus está edificando dentro de você.”

    Mediante este apelo, quais são os sinais de uma igreja viva que ainda hoje pode abalar o mundo?  Creio que um dos sinais de uma igreja viva é uma igreja que caminha junto. Uma igreja viva se preocupa verdadeiramente com os irmãos e não só almeja o crescimento espiritual de seus irmãos, como também está disposta a fortalecê-los na caminhada quando os passos estiverem fracos. Uma igreja viva é uma igreja que está unida, como um só corpo, e que não se limita às paredes do templo durante os cultos de domingo. Uma igreja viva vai além, muito além.

    Por conseguinte, o tema da nova série de mensagens, que iniciaremos na Igreja do Parque “UMA IGREJA VIVA”, está relacionado que à vitalidade da igreja deve merecer a atenção de todos os membros que desejam ser fiéis à sua vocação, cumprindo eficazmente a sua missão. Cada cristão, na condição de membro do Corpo de Cristo, deve buscar a sua saúde espiritual, a fim de contribuir para a vitalidade do Corpo.

    Assim, ministraremos hoje e nos próximos domingos as marcas que caracterizam uma Igreja Viva e, que são inconfundíveis. Elas precisam ser cultivadas, com o auxílio do Espírito Santo, para que se tornem evidentes em tudo o que a nossa igreja fizer. São elas: Uma comunidade que vive e celebra a comunhão cristã; Uma comunidade que serve na capacitação do Espírito Santo; Uma comunidade que acolhe com amor a todos; Uma comunidade que busca a santidade na pratica; Uma comunidade que evangeliza como um chamado à obediência.

    Sempre com uma visão bíblica, para ministrar através dos temas, que uma igreja viva:  vibra com a presença do Espírito Santo; se alegra com a comunhão dos irmãos; respeita as diferenças, discerne o momento. Uma igreja viva é fiel a Bíblia, ama as pessoas e prega o evangelho. Contudo, amá-las significa compreendê-las e comunicar-se com elas. Pregar o evangelho significa proclamá-lo sobre a Palavra que se tornou carne – portanto proclama que o corpo de Cristo deve se encarnar em toda expressão cultural.

    Portanto, este tema relacionado à vitalidade da igreja deve merecer a atenção de todos os irmãos da Igreja do Parque, que desejam ser fiéis à sua vocação, cumprindo eficazmente a sua missão.

    Pois bem, concluímos que essa série propõe uma reflexão sobre o que significa ser uma Igreja Viva, segundo o modelo apresentado na Palavra de Deus.

    Que o Senhor, com sua imensa graça, nos aperfeiçoe continuamente.

     

    Rev. Carlos Roberto (Bob)

  • Boletim 267 - CHAMADOS PARA MULTIPLICAR (Marcos 6.30-44)
    27/07/2018

    O milagre da multiplicação dos pães. De todas as questões que envolvem este acontecimento extraordinário, quando mais de 5 mil homens (se contarmos mulheres e crianças, com certeza bem mais de 10 mil pessoas) comeram com abundancia a partir do repartir de apenas 5 pães e 2 peixes, o que nós devemos mesmo buscar entender é: Este milagre aconteceu por cinco razões principais que queremos destacar:

    Este milagre foi motivado por amor (Marcos 6.34). Ao realizar este milagre, Jesus não tinha qualquer outra motivação a não ser sua compaixão por aquele povo que tinha fome, eram como ovelhas sem pastor, e estavam perdidas e exaustas. Ele viu o povo, sua necessidade, e teve compaixão. Ele não queria fama, ou reconhecimento, ou dinheiro, mas apenas agir em direção às necessidades de tantas pessoas. Amor era sua única motivação. A atitude de seus discípulos até aquele momento ainda era bem diferente. Eles disseram a Jesus para mandar aquele povo embora. Não é assim que muitos agem diante de um problema? “Não tem jeito”, “é impossível”, “eu não posso fazer nada”, “o pouco que posso fazer não fará diferença alguma”. Mas não podemos agir assim, porque as pessoas estão famintas e o mundo que nos cerca está perdido e precisando desesperadamente de alguém que se importe.

    Este milagre aconteceu porque Jesus deu uma ordem muito difícil aos seus discípulos (Marcos 6. 37). Jesus lhes ordenou que alimentassem toda aquela multidão. Como assim? No meio do deserto arrumar comida para tanta gente. Ainda que tivesse onde comprar, custaria muito dinheiro. Dá pra perceber quer Jesus também nos deu uma ordem semelhante? Ele disse para irmos a todo o mundo e anunciar a todos os moradores da terra a sua mensagem de salvação (Mateus 28.19-20). Dá pra entender a reação dos discípulos por desafios como esse sempre geram insegurança, medo e nos levam a ver dificuldades em tudo. Mas, Jesus não esperava que eles fizessem um milagre, mas que, movidos pelo mesmo amor e pela mesma visão de compaixão e salvação, ao menos tentassem fazer algo.

    Este milagre exigiu uma séria disposição ao sacrifício e a renuncia (João 6.9). Os discípulos resolveram fazer pelo menos o que poderiam fazer e saíram para tentar encontrar alguma coisa. Encontraram um garoto que tinha consigo 5 pães e 2 peixes. Muito pouco, mas diante da imensa necessidade e do pedido de Jesus, ele decide entregar tudo o que tinha. E sua atitude abriu a porta para que tudo acontecesse e para que nós hoje aprendêssemos essa lição: todo milagre, em geral, custa alguma coisa mesmo. No mínimo, é preciso sair do conforto e enfrentar o desafio. Vivemos num mundo perdido, onde as pessoas estão aflitas, deprimidas, desorientadas e com um imenso vazio espiritual. E somos como aquele menino: o que temos? Nossa fé, nosso testemunho de vida, nossa experiência de salvação e esperança, nossa célula, nossa igreja, Deus espera que a gente divida isso com as pessoas ao nosso redor. Basta colocar a nossa vida em Suas mãos, que o resto Ele mesmo fará.

    Este milagre aconteceu porque houve uma intervenção divina (Marcos 6. 41). Deus agiu quando os discípulos e aquele menino agiram. O milagre só foi liberado quando os discípulos tiveram a disposição de tentar e de trazer algo para Jesus. O que podiam fazer era bem pouco, mas que era o melhor que conseguiram. É só isso mesmo que Deus espera de nós: que pelo menos tentemos fazer tudo o que está ao nosso alcance, pagando o preço de sacrifício, e Ele fará o milagre.

    Os discípulos escolheram não tentar fazer sozinho, mas trabalhar com Jesus e sob suas ordens. E o resultado desta parceria nós conhecemos: um tremendo milagre. Além disso, o texto revela que sobraram 12 cestos cheios de pães, um símbolo pratico do ensino de Jesus, que afirmou ter vindo ao mundo para nos dar uma vida em abundancia (João 10.10). Com certeza aquele garoto voltou pra casa cheio de pães para repartir e abençoar a sua casa. Esta história é uma ilustração da visão de Deus para nós. Jesus viu as multidões aflitas e sentiu compaixão. Somos como aqueles discípulos. Nossas dificuldades e limitações devem ser um estímulo para buscarmos uma solução em Deus. Precisamos sair da nossa zona de conforto. É um privilegio sermos convidados pelo Rei do Universo a fazer parte da construção do Seu projeto. Entendemos que cada crente é um discípulo e um ministro de Deus. Queremos todos da Igreja do Parque comprometidos com a Grande Comissão: fazer discípulos e cuidar muito bem deles.

    Rev. Carlos Roberto (Bob)

  • Boletim 266 - OPORTUNIDADES PARA UMA VIDA EM MISSÃO
    22/07/2018

    Paulo sempre aproveitou os lugares seculares para alcançar as pessoas não religiosas. Tanto em Corinto como em Éfeso (Atos 18 e 19), Paulo lançou mão desse recurso. Não podemos limitar o ensino da Palavra de Deus apenas aos locais religiosos. O apóstolo ia ao encontro das pessoas, onde elas estavam. Era um evangelista que tinha cheiro de gente. Estava nas ruas, nas praças, nas escolas. Era um pregador fora dos portões.

    Lemos em Atos 19. 8-20 que Paulo expôs o evangelho de modo sério, bem estruturado e persuasivo. Ele acreditava na veracidade do evangelho e por isso não tinha medo de enfrentar as mentes de seus ouvintes. Ele procurava convencer a fim de converter, e de fato, como Lucas deixa bem claro, muitos foram “persuadidos”. É claro que os argumentos não substituem o Espírito Santo. Mas a confiança no Espírito Santo também não substitui os argumentos. Nunca se deve jogar um contra o outro, como se fosse excludentes. Não, o Espírito Santo é o Espírito da verdade, e ele não leva as pessoas à fé em Cristo apesar da evidência, mas por causa da evidência, quando ele lhes abre a mente para ouvi-la.

    É interessante destacarmos que em Éfeso até as 11 horas da manhã, o apóstolo Paulo trabalhava fazendo tendas e Tirano dava aulas. As onze, porém, tirano repousava, a escola ficava desocupada, e Paulo deixava o couro para trabalhar com as palavras, durante cinco horas, parando apenas às quatro da tarde, quando toda cidade reassumia o trabalho. Não nos surpreende que Lucas afirme que “todos os habitantes da Ásia” ouviram a palavra do Senhor (Atos 19.10). Pois todas as estradas da Ásia convergiam para Éfeso, e todos os habitantes da Ásia visitavam Éfeso de tempos em tempos, para comprar ou vender, visitar um parente, frequentar os banhos, ver os jogos no estádio, assistir a um drama no teatro, ou cultuar a deusa. E enquanto estavam em Éfeso, eles ouviam falar neste mestre cristão chamado Paulo, que falava e respondia perguntas durante cinco horas, todos os dias. Evidentemente, muitos passaram por ali, ouviram e se converteram.

    Em Éfeso, Cristo encorajou seu apóstolo e retificou seu ensino através de sinais e milagres que demonstravam o poder de Cristo sobre doenças, possessões demoníacas e magia. (Atos 19. 11,12).  Alguns religiosos ficam desconcertados com essa passagem e tendem a rejeitá-la como lenda. Pois, a atitude mais sábia perante os milagres não é a dos céticos, que os declaram espúrios; nem a dos imitadores, que tentam copiá-los, como aqueles televangelistas que oferecem aos doentes lenços abençoados por eles, mas sim a dos estudiosos da Bíblia que lembram que Paulo via seus milagres como credenciais apostólicas e que Jesus mesmo foi condescendente com a fé tímida de uma mulher, curando-a quando ela tocou a orla de sua roupa.

    Éfeso era famosa por suas “cartas efésias”, que eram “encantamentos, amuletos e talismãs escritos”. O fato de os recém-convertidos estarem dispostos a jogar seus livros no fogo, em vez de converter o seu valor em dinheiro, vendendo-os, era uma evidência notável da sinceridade de suas conversões. O exemplo deles levou a outras conversões, pois assim a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente (Atos 19.20).

    However, verse 20 tells us that when the Christians in Ephesus became really serious about their faith and living it out, the Word of the Lord not only spread widely but also “grew in power.” It was at this point that the people of Asia not only heard the gospel but also believed it and began to follow Christ. Pois bem, em Atos 19.20 aprendemos que quando os cristãos em Éfeso se tornaram realmente sérios sobre sua fé e viveram-na de fato, não somente a Palavra do Senhor se espalhou amplamente, mas também "cresceu em poder." Foi neste momento que o povo da Ásia não só ouviu o evangelho, mas também acreditou e começou a seguir a Cristo. That is the challenge for us. Esse é o desafio para nós. Are we really serious about our faith so that it influences, more than that, it dictates the way we live? Será que estamos realmente levando a sério a nossa fé para que ela influencie, mais do que isso, determine a forma como vivemos? It is only as that is true, that the gospel we share will grow in power. É só assim, que o evangelho que nós compartilhamos vai crescer no poder.

    Amados irmãos será que as lições contidas no texto de Atos 19. 8-20 são pertinentes à nossa igreja? Desejamos ardentemente ser uma comunidade ensinadora? Pois, com o aprendizado desta passagem bíblica somos desafiados a não perdermos a oportunidade de ensinar a Palavra nos templos, onde pessoas religiosas se reúnem. De igual modo, compreendemos a estratégia dos espaços neutros, como fábricas, lares, salas de shopping, escolas, e hotéis. Com vistas a atingir pessoas que, ainda hoje, encontram resistência para entrar num lugar religioso, mas não oferecem qualquer resistência para ir a um lugar neutro. O certo é que os dois anos de ensino diários de Paulo resultaram na evangelização de toda a província.

    Encerro com a citação de George Fox: “Que todas as nações possam ouvir a palavra falada e escrita. Não poupe lugar, tampouco poupe a língua ou a pena; antes, seja obediente ao Senhor Deus e desempenhe a tarefa, e seja valente em nome da Verdade sobre a Terra”. É Cristo quem nos chama; também nos dará o poder!

    Rev. Carlos Roberto (Bob)

  • Boletim 265 - A Surpresa da Fé
    15/07/2018

    Os Evangelhos normalmente usam os milagres para enfatizar o poder e a autoridade de Jesus. Pelo menos nove histórias, no entanto, focalizam a fé. “A tua fé te curou”, dizia Jesus, desviando a atenção de si próprio e dirigindo-a à pessoa curada. O poder milagroso não provém apenas de sua parte; às vezes, depende, de alguma forma, de uma resposta do indivíduo.

    Certa vez, li todas as histórias de milagre juntas e achei que elas revelam graus notavelmente diferentes de fé. Algumas pessoas demonstravam uma fé ousada e inabalável, como um centurião que disse a Jesus que não fazia questão de uma visita – apenas uma palavra curaria seu servo a distância. “Vou lhe dizer uma coisa, não conheci ninguém em Israel com tamanha fé”, observou Jesus, espantado.

    Em outra ocasião, uma estrangeira perseguiu Jesus enquanto Ele procurava paz e tranquilidade. A princípio, Jesus não lhe uma só palavra. Depois, Ele respondeu rispidamente, e não para os “cães” – referindo-se à sua condição de gentia. Mas nada conseguia deter aquela mulher Cananéia, e sua perseverança conquistou Jesus. “Mulher, tens uma grande fé!”, disse Ele.

    Jesus parecia impressionado com o fato de que, como estrangeiras, essas pessoas eram as de que menos se poderia esperar que demonstrassem tanta fé. Por que um centurião e uma Cananéia, sem quaisquer raízes judaicas, poderiam depositar sua confiança em um Messias cujos próprios conterrâneos tinham dificuldade em aceitar?

    Essas histórias constituem uma ameaça para mim, porque raramente tenho uma fé não pronunciada. Ao contrário da mulher Cananéia, sou facilmente desestimulado pelo silêncio de Deus. Quando minhas orações não parecem ser respondidas, sinto-me tentado a desistir, e não a pedir novamente. Identifico-me mais facilmente com o homem cético que declarou a Jesus: “Eu creio; ajuda-me na minha falta de fé!” Com muita frequência, pego-me refletindo essas palavras, oscilando entre a crença e a descrença, perguntando-me quanto estou perdendo por minha incredulidade.

    Às vezes, Jesus se surpreendia com a falta de fé que constatava. Marcos faz seu extraordinário comentário sobre a visita de Jesus à sua cidade natal: “Não pôde fazer ali nenhum milagre, senão curar uns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos.” Estranhamente, o poder de Deus foi “paralisado” pela falta de fé.

    Para minha surpresa, notei, enquanto lia as histórias, que as pessoas que melhor conheciam Jesus às vezes hesitavam em sua fé. Seus próprios vizinhos o colocavam em dúvida. João, o Batista, que proclamara: “Eis o Cordeiro de Deus!” e que ouvira uma voz vinda dos céus por ocasião do batismo de Jesus, mais tarde chegou a questioná-lo. E várias vezes Jesus observou com admiração a falta de fé dos 12 discípulos.

    Os três discípulos mais íntimos de Jesus testemunharam um dramático milagre pouco depois da sua morte. No Monte da Transfiguração, o rosto de Jesus brilhava como o Sol, e suas vestes se tornaram resplandecentes e sobremodo brancas. Uma nuvem envolveu os discípulos, e dentro dessa nuvem, para a surpresa de todos, eles encontraram dois gigantes há muito falecidos da história judaica: Moisés e Elias. Era demais para a concepção dos embasbacados discípulos; quando a voz de Deus se fez ouvir dentro da nuvem, eles caíram por terra, aterrorizados. Entretanto, que impacto teve esse estupendo evento? Pouco depois, as testemunhas oculares da transfiguração se juntaram aos outros 12 discípulos que abandonaram – negaram, no caso de Pedro – Jesus no momento em que ele mais necessitava.

    Esquecemo-nos facilmente de que Judas assistira, durante três anos, à operação de grandes milagres por Jesus e de que ouvira seus ensinamentos; mesmo assim, traiu Jesus. Outro discípulo, “o descrente Tomé”, ganhou a fama de cético, mas, na verdade, todos os discípulos demonstravam certa falta de fé. Nenhum deles acreditou nos fantásticos relatos que as mulheres trouxeram do túmulo vazio. Mesmo depois que Jesus apareceu-lhes pessoalmente, diz Mateus: “Alguns ainda duvidavam”.

    Uma curiosa lei da reversão parece atuar nos Evangelhos: a fé aparece onde menos se espera e falha onde deveria triunfar.

    Diante do que foi exposto até aqui, será que o querido irmão pode também receber a declaração de Cristo - “grande é a tua fé!”.

     

    Rev. Carlos Roberto (Bob)

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