Informativos / Boletins

  • Boletim 256 - Joquebede, mãe que lutou até o fim
    13/05/2018

     Neste domingo, comemoramos o Dia das Mães. Certamente esta é uma data comercial. Mas que importa, uma vez que paramos para manifestar a gratidão a esta pessoa maravilhosa que nos gerou? O estadista americano, Abraão Lincoln, décimo sexto presidente dos Estados Unidos,  afirmou que as mãos que embalam o berço governam o mundo. Mesmo tendo perdido sua mãe muito cedo, Lincoln disse que tudo o que era e tudo o que viria a ser devia à sua mãe. John Maxwell, o maior expoente sobre liderança cristã, na atualidade, afirmou que liderança é, sobretudo, influência. Ser mãe é ser líder, pois ninguém influencia os filhos mais do que as mães. A mãe carrega os filhos no coração, no ventre, nos braços, no bolso, nos sonhos.   

    Uma das missões mais nobres da face da terra, sem dúvida é a de ser mãe. Por isso, que a personagem de nossa mensagem é Joquebede, a mãe de Moisés. Seu nome significa “Jeová é glória” ou “Jeová é grande”. Joquebede casou-se com seu sobrinho Anrão (Êxodo 6.20) num tempo em que Deus não havia ainda se manifestado acerca desse tipo de união. Quando veio a Lei, esse tipo de união foi proibida por Deus (Levítico  18.1-18). Ela viveu em um tempo muito difícil para todas as mães de Israel. Temendo o crescimento contínuo do povo de Deus, faraó ordenou que todos os meninos nascidos em Israel morressem sendo lançados no rio Nilo (Êxodo 1.22).   

    A Bíblia só menciona duas vezes o nome de Joquebede, mas ele ficou para sempre gravado na história como sendo o nome duma das mães mais importantes que até agora existiram. Provavelmente foi a única ocasião na história em que três filhos da mesma mãe, Joquebede, tiveram tanta influência ao mesmo tempo. Por causa da fé de Joquebede, os problemas não conseguiram paralisá-la ou isolá-la. Pelo contrário, as provas por que passou empedraram o caminho para maiores oportunidades. As suas dificuldades transformaram-se em amigos em vez de inimigos.   

    Joquebede fez da salvação do seu filho mais novo um assunto de família. Por meio desta sua atitude, os problemas e preocupações tornaram-se uma bênção para todos os familiares. O marido estava unido com ela na sua fé. Todavia, foi ela, a mãe, que pôs particularmente o seu selo sobre os outros membros da casa durante esse período difícil, e os uniu como instrumentos de Deus.   Ela revelou-se engenhosa na maneira de esconder a criança e concebeu o plano de lhe poupar a vida. Aprendeu a educar o pequeno Arão, de modo a que ele não traísse o irmãozinho. Conseguiu entender-se bem com Miriã, a sua única filha, a despeito de tudo o que tinha que fazer para cuidar do bebê. O plano que Joquebede arquitetou era simples e acessível. Baseado em fatos que ela tinha cuidadosamente examinado, esse plano era acima de tudo inspirado pela fé. O próprio Deus lhe tinha dado as ideias, o que tornou o plano verdadeiramente genial e até engraçado na sua execução.   

    A despeito dos ambientes hostis que muitas vezes enfrentava, ela pensava verticalmente em vez de horizontalmente, e num sentido espiritual em lugar de obedecer à sua própria natureza humana. Convicta de que o seu Deus era superior às maiores dificuldades, enfrentou corajosamente inúmeros problemas. Viu por experiência as surpresas que Deus lhe reservava, e como para Ele era tão simples transformar inimigos ameaçadores em amigos.   Num tempo em que a tristeza e a morte habitavam no meio do povo de Deus, essa mulher foi instrumento de Deus para mudar a sorte de toda uma nação.

    Talvez o desejo de Deus não seja que mudemos a sorte da nossa nação como fez Moisés, mas certamente o Seu desejo é que andando em Sua presença como fez Joquebede, e se assim fizermos, certamente Ele nos abençoará e poderá nos usar para mudar a sorte de muitas pessoas que ainda não O conhecem, muitas famílias que precisam de Sua bênção, a começar em nossa própria casa, em nossa própria família.    Através da vida exemplar da mãe Joquebede, queremos homenagear todas as mães da IPPI como mestras do bem, falando do seu papel e valor como educadoras, rainhas do lar, guarda dos filhos. Nosso foco, entretanto, é ressaltar o papel da mãe cristã, que é exemplo para os filhos, que ora por eles e os educa com firmeza e doçura, transmitindo-lhes as sagradas letras.   

    Por conseguinte, podemos asseverar que foi o ensino aprendido com sua mãe que levou Moisés a rejeitar as glórias do Egito por causa do opróbrio de Cristo. Precisamos de mães que invistam tempo na vida espiritual de seus filhos; mães que busquem a salvação de seus filhos mais do que seu sucesso...

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • Boletim 255 - A Igreja e sua genuína vocação de servir
    06/05/2018

    Entre os evangélicos tem se levantado um legítimo clamor por causa dos recentes desmandos e da corrupção na máquina pública. Principalmente via interne, circula uma série de textos expressando a indignação do povo de Deus e exigindo moralização e punição dos culpados.   Contudo, é preciso dizer que a corrupção é um mal endêmico que remonta à história da colonização, passando pela conquista predatória, as capitanias hereditárias, a escravidão, culminando com o clientelismo, o coronelismo, o fisiologismo, a falta de caráter no trato da coisa pública.   

    Tudo isto é agravado pela falta de transparência no financiamento das campanhas políticas, garantidas pelo caixa 2 de poderosos e inescrupulosos grupos empresariais que depois cobram a conta em forma de concorrências fraudulentas e superfaturamento de obras e serviços para o governo.   O que fazer? Como combater essa prática iníqua? Levar vantagem,  sonegar, o caixa 2, o acerto por fora, foro privilegiado aos políticos,  a propina, as comissões, a maquiagem de produtos, a pirataria de CDs e softwares, a informalidade, a exploração de mão-de-obra, os achaques de fiscais e policiais, os rolos, as falcatruas, as maracutaias, as picaretagens, as negociatas, as falências fraudulentas, os enriquecimentos ilícitos, tudo isso é a matéria-prima que deforma  e distorce o caráter do brasileiro.   

    No passado a Igreja brasileira era minoria, uma espécie de reserva moral e ética. Cresceu muito, no entanto, nos últimos anos, e se tornou cada vez mais parecida com a sociedade. É triste reconhecer que nossa comunidade evangélica carece de autoridade espiritual para exortar a nação. Precisamos olhar primeiro para dentro e nos arrependermos.   Sim, o juízo de Deus começa em casa. Crentes evangélicos estão espalhados em todos os segmentos da sociedade. Temos governadores, prefeitos, deputados federais e estaduais, vereadores, juízes, promotores, defensores, servidores do executivo, ministros de estado, assessores e diretores nos governos federal, estadual e municipal. Na iniciativa privada há crentes que ocupam postos-chave em multinacionais, bancos, pequenas, médias e grandes empresas nas áreas de indústria, agricultura, avicultura, comércio, finanças e serviços.   

    Por isso é realmente preocupante que tantos cristãos presentes no dia-a-dia da vida pública e privada não tenham assumido postura mais contundente contra o que está acontecendo no país. Ou são honestos e estão acuados, ou então se calam porque estão comprometidos com os esquemas. Quer dizer, pecam por omissão ou por prevaricação.   Em nossa bancada política evangélica? Em vez de exercer um papel profético, acaba amalgamada (fundida, mesclada, misturada, reunida) no senso comum das vantagens do cargo, do nepotismo, do fisiologismo. O juízo começa na casa de Deus. No momento em que todos se eximem de suas faltas e acusam os outros, nós cristãos, devemos fazer o contrário: admitir e confessar nossos pecados.   

    Cristãos deixem a futilidade deste século, simplifiquem seu estilo de vida.  Preguem a verdade, que é Cristo, o evangelho que exige desprendimento, entrega e vida íntegra.   Como Zaqueu (Lucas 19), que todos nós, homens públicos, empresários, empregados, servidores, executivos... Venhamos a público para confessar, pedir perdão e restituir o que foi tomado indevidamente. Recusemos toda e qualquer forma desonesta de lidar com a coisa pública. Sejamos honestos e despertemo-nos para uma genuína vocação de serviço à nação.   

    Assim, arrependidos e transformados, teremos  autoridade para propor mudanças à sociedade brasileira, pois todos os cristãos, sem exceção, são chamados a serem cidadãos e profetas na luta contra a injustiça e as culturas da morte.   A todos nós, cristãos, em  todo lugar, a mensagem é esta: que nos unamos em torno de um  genuíno arrependimento que transforme nossa vida comprometida com o status quo em vida santa e profética.  “Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus”  (I Pedro 4.17). Citamos este versículo, ousadamente para que entendamos o seu significado, pertinente também para o nosso momento.  Pois, essa palavra traduzida por julgamento (krima) não tem necessariamente o sentido de condenação, mas  é um termo mais amplo que pode se referir a um julgamento que resulta em avaliações boa e más., um julgamento que pode redundar em aprovação ou em disciplina, bem como em “condenação” (que seria katakrima).

    A cena é que Deus começou a julgar dentro da igreja e mais tarde sairá para julgar os que estão fora da igreja. O fogo refinador ( I Pedro 4.12 – é na realidade um fogo do julgamento de Deus) não está deixando ninguém intacto, mas os  cristãos estão sendo purificados e fortalecidos por ele – pecados estão sendo eliminados e crescem a confiança em Deus e a santidade de vida.   Que a misericórdia do Senhor nos alcance.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • Boletim 254 - O ministério de Cristo define nossa missão
    29/04/2018

    Está chegando mais um Dia da Comunidade, oportunidade valiosa para desenvolvermos o nosso papel de ser igreja viva de Jesus Cristo. Conforme instrumentos de transformação e evolução, por meio de uma evangelização ligada as ações sociais, educacionais e de cidadania, promovendo a restauração das pessoas em todas as suas dimensões.   Assim, entendemos que o Dia da Comunidade proporciona a IPPI uma ação com grandes implicações: na sua preparação; execução; resultados. Sendo, um grande aprendizado de unidade, mutualidade, pertencimento, interdependência, evangelização... Sempre com efetividade e afetividade, ensinada pelo evangelho de Cristo.

    Portanto, aprendamos com o evangelho de Cristo, com o intuito de crescermos em seus ensinamentos, visando sempre à qualificação e quantificação da dinâmica e exercício do Dia da Comunidade.    Logo, aprendamos com o ministério de Jesus Cristo, o qual define nossa missão.   Já no início de seu ministério, observe o que Cristo declarou: O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres (os destituídos de condições mínimas de subsistência). Ele me enviou para proclamar liberdade aos presos; recuperar a visão dos cegos (acometidos de enfermidades físicas) e liberar os oprimidos (vítimas de sistemas injustos e opressores).   

    Portanto, ele veio para evangelizar, liberar e curar, ministrando ao homem como um todo: agindo em suas dimensões espiritual, mental e física. Conforme Mateus 4. 23-24.   Além disso, Jesus Cristo multiplicou pães para atender os famintos. Seu ministério envolveu a biologia, o psiquismo e o espírito humano. Esta é a missão integral, onde se articula nestes três níveis, indo ao encontro das necessidades humanas, levando salvação, alívio, libertação e cura por meio do evangelho. Muitas vezes, usamos a expressão “salvar almas’’. Trata-se de um equívoco, pois as Escrituras afirmam que “gememos interiormente, esperando ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo’’ (Romanos 8. 23).

    A vida eterna será vivida num corpo ressuscitado. O corpo é tão importante que até Deus se esvaziou e assumiu a forma humana em Cristo Jesus (Filipenses 2. 6-7).   As Escrituras também afirmam de que “a fé sem obras é morta” (Tiago 2.26). Somos chamados por Cristo a crescer na vida espiritual, nas disciplinas da oração e da leitura bíblica, envolvendo-nos com a missão d’Ele e praticando boas obras de justiça. As boas obras que Deus espera que pratiquemos estão relacionadas com o nosso envolvimento diante da humanidade, ouvindo o clamor daqueles que sofrem para irmos ao encontro deles, levando-lhes alívio e esperança.   

    Assim, por meio de ações humanitárias, que promovem o desenvolvimento e buscam justiça e dignidade, minoramos seu sofrimento. Em todas as circunstâncias, anunciamos o arrependimento e a fé em Cristo para a salvação eterna.   A Igreja é chamada a proclamar o evangelho a todo homem e ao homem todo, em todo lugar, espelhando as boas novas da salvação. Em nosso país, a Igreja certamente tem um papel fundamental como instrumento de transformação, desenvolvimento e justiça, por meio de uma evangelização acompanhada de ações sociais, educacionais e de cidadania, restaurando o homem brasileiro em todas as suas dimensões. 

    Jesus Cristo veio para reverter os efeitos da queda. Ele fez isto ao se encarnar, morrer na cruz e ressuscitar. Assim, não se trata apenas de salvar almas, mas de salvar homens e mulheres em sua completude. A missão integral de Cristo é resgatar o homem todo, e Ele a confiou à Igreja, ou seja, a todos nós.    Dessa forma, aproveitemos o Dia da Comunidade, como meio de Deus usá-lo para uma grande obra, em, através e por nós.  Porquanto, é o poder do evangelho, que nos capacita e credencia a fim de alcançar e transformar muitas vidas!

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 253 - O orgulho deve morrer em você, ou nada do céu poderá viver em você!
    22/04/2018

    Talvez, uma das maiores dificuldades do ser humano moderno, é ter uma medida mais precisa de si mesmo, aquilo que Paulo sugere em sua carta aos romanos quando diz: Ninguém tenha de si mesmo um conceito mais elevado do que deve ter; mas ao contrário, tenha um conceito equilibrado, de acordo com a medida da fé que Deus lhe concedeu (Rm 12.3). Pensar acerca de si mesmo como convém, sem ir além, nem ficar aquém, é um bom princípio para compreender a virtude da humildade.

    Para Francisco de Assis, “abençoado é o servo que estima a si mesmo tanto quando é elogiado e exaltado pelos outros como quando é considerado sem valor e desprezado; porque somos o que somos diante de Deus, nem mais, nem mesmo”. O caminho da humildade não reside naquilo que fazemos ou deixamos de fazer, nem mesmo na forma como fazemos ou não, mas no retrato que temos de nós na presença de Deus. Uma pessoa humilde é aquela que se preocupa mais com a verdade a seu respeito do que com sua autoimagem.

    O mundo moderno é um mundo onde o que conta é a imagem, a aparência. Valemos o que mostramos. É assim que funciona no mundo dos negócios, dentro do espaço acadêmico, nas rodas de convívio social e na igreja. Precisamos impressionar os outros com frases de efeito, títulos pomposos, termos complexos, roupas de grife, sucesso profissional, poder econômico ou político, influência social, etc. O cartão de acesso ao mundo, aos relacionamentos, ao mercado profissional, sempre requer uma imagem que impressione.

    O problema é que esta dependência dos outros nos torna reféns das expectativas que alimentamos e que acaba nos transformando em pessoas irreais. Não sabemos mais o que se esconde atrás da maquiagem, qual o rosto verdadeiro que temos. Daí nos aplicamos cada vez mais em aprimorar nossas máscaras, intensificar nossa aparência, melhorar o desempenho social, que significa fazer com que os outros se convençam do que não somos, e isto envolve um custo emocional, físico e espiritual enorme, sem contar o custo financeiro.

    Esta imagem construída a partir das expectativas externas, seja dos  amigos ou da comunidade, ou mesmo das expectativas internas geradas pelos medos, rejeição ou ansiedade, acaba gerando outros conflitos como a desilusão e depressão porque, na medida em que insistimos naquilo que não somos e resistimos em reconhecer o que somos, acaba nos levando a não aceitar quem somos, e sobretudo, a não aceitar a bondade e cuidado de Deus. Quanto mais rejeitamos a nós, mais iremos, no final, rejeitar a Deus, ou pior, criar um deus que alimente nossas ilusões, que sacie a mentira e nos convença daquilo que é falso. Um ídolo.

    A cultura popular criou um padrão da humildade que quase sempre nos leva a identifica-la com algum tipo de atitude discreta, singela, quase simplória. Facilmente a confundimos com uma forma de falso, mas num conhecimento este que se dá a partir de Deus e na presença de Deus, que nos leva a aceitar aquilo que somos, a aceitar o mundo como o mundo é, a aceitar os outros como eles são e, por fim, aceitar a Deus como Deus é. Noutras palavras, a humildade e a verdade caminham sempre juntas.

    A pessoa humilde nada mais é do que uma pessoa verdadeira, alguém que conhece seu pecado e sua miséria, mas que conhece também a graça de Deus e seu perdão. Alguém que se vê como filho ou filha de Deus, reconhecido e afirmado pelo amor de Deus em Cristo. Alguém que não necessita mascarar suas deficiências, nem valorizar suas virtudes. Alguém que sabe reconhecer aquilo que é, e ser grato, sem soberba ou orgulho, mas que também sabe ouvir uma crítica ou uma censura sem se melindrar ou ofender. A humildade é a virtude que prepara o terreno para a vida cristã. Andrew Murray disse: “A verdade é esta: O orgulho deve morrer em você, ou nada do céu poderá viver em você”.

    A humildade é a virtude que nos permite viver verdadeiramente. Jesus disse que o reino dos céus pertence aos humildes. Isto significa que a presença de Deus em nós e o cultivo da amizade com ele, só será possível quando nos esvaziamos da arrogância e da soberba, para então recebermos a dádiva do seu amor. Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • Boletim 252 - Mentir para nós mesmos
    15/04/2018

    Quando olhamos a sociedade mergulhada na corrupção, violência, imoralidade, desonestidade pensamos numa ação humana pecaminosa, que é a mentira facilitadora de todo caos que vivemos.

    Portanto, a mentira é um grave problema das pessoas. Violamos a verdade em nossas conversas, nossas ações e nossos relacionamentos. Mentimos uns aos outros, para Deus e para nós mesmos.

    Em face deste grande problema, gostaria de destacar nesta pastoral, sobre quando mentimos para nós mesmos. Parece um absurdo, mas você pode concordar comigo, que uma das tarefas mais difíceis que temos é a de contar a verdade sobre nós para nós mesmos. Superficialmente, parece inacreditável que isto seja difícil. Quem sabe mais sobre nós mesmos do que nós?

    Todavia a pessoa que mais devemos querer que tenha uma boa opinião de nós, somos nós mesmos. É doloroso ao extremo enfrentar o lado escuro de nossas personalidades com a verdade cruel. Geralmente só o poder sobrenatural da convicção divina pode nos levar a enfrentar a realidade pessoal. Podemos nos considerar privilegiados porque o Espírito Santo não nos revela toda a verdade sobre nós de uma só vez. Quem poderia suportar tal autorevelação? Um vislumbre da santidade de Deus fez Isaías se maldizer. Jó e Habacuque quase pereceram quando Deus deu-lhes uma visão reveladora de si mesmos. Nós mentimos para nós mesmos.

    Nós vemos nossas próprias ações na melhor de todas as luzes possíveis. Onde somos rápidos para julgar os outros severamente, somos igualmente rápidos para nos desculpar. Somos mestres na arte de racionalização.

    Lembramo-nos de Davi, um homem segundo o coração de Deus. Quando caiu no pecado com Bate-Seba, recorreu a todas as suas astúcias para mascarar de si mesmo sua falta. Acrescentou assassinato por procuração ao seu crime, usando sua autoridade para enviar o marido de Bate-Seba, Urias, para as linhas de frente do combate.

    Após tomar Bate-Seba para si, Davi foi confrontado pelo profeta Natã. Natã abordou o rei com uma parábola aparentemente inofensiva: “ O SENHOR enviou Natã a Davi. Chegando Natã a Davi, disse-lhe: Havia numa cidade dois homens, um rico e outro pobre. Tinha o rico ovelhas e gado em grande número; mas o pobre não tinha coisa nenhuma, senão uma cordeirinha que comprara e criara, e que em sua casa crescera, junto com seus filhos; comia do seu bocado e do seu copo bebia; dormia nos seus braços, e a tinha como filha. Vindo um viajante ao homem rico, não quis este tomar das suas ovelhas e do gado para dar de comer ao viajante que viera a ele; mas tomou a cordeirinha do homem pobre e a preparou para o homem que lhe havia chegado.” 2 Samuel 12. 1-4

    Quando Davi ouviu esta história dos lábios do profeta, ficou furioso. O texto bíblico declara: “Então, o furor de Davi se acendeu sobremaneira contra aquele homem, e disse a Natã: Tão certo como vive o SENHOR, o homem que fez isso deve ser morto. E pela cordeirinha restituirá quatro vezes, porque fez tal coisa e porque não se compadeceu.” 2 Samuel 12. 5,6 Então Natã, com o risco de sua própria vida, colocou a espada profundamente na alma de Davi. Gritou para o rei: “Você é tal homem!”.

    Davi ficou despedaçado. Seu arrependimento foi tão severo quanto seu crime. Inundou seu travesseiro com lágrimas. A partir de uma consciência ferida, ele escreveu as linhas imortais do Salmo 51. Mas Davi não podia ver sua própria culpa diretamente. Somente quando Natã ergueu um espelho diante dele, disfarçando o pecado, Davi pode vêlo. Ele reconheceu claramente quando este foi encoberto na história do crime de outro homem. Contudo, ainda assim ele não fez a aplicação pessoal até que Natã apontou o dedo no seu rosto.

    Davi não estava só. Nesta tendência de autoengano, Davi representa cada homem.

    Temos que entender que a verdade é sagrada porque Deus é um Deus de verdade. Ele nada tem a ver com a falsidade. Podemos confiar totalmente na sua Palavra.

    Devemos nos espelhar nesse tipo de fidelidade à verdade. Devemos dizer a verdade, fazer a verdade e viver a verdade. Fazendo assim agradamos ao Deus da verdade.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

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