Informativos / Boletins

  • Boletim 259 - Governo de Deus X Governo dos homens
    03/06/2018

    Diante deste terrível e horrível cenário político não só nacional, mas também mundial. É preocupante ver a incompetência do nosso governo de lidar com as crises, bem como, é sabido, que não é só “privilégio” nosso, mas também de outros governos.  Portanto, vejamos e particularizemos esta turbulência que se encontro em nosso país e, concomitantemente apelemos a uma urgência à igreja do REI dos reis, confessar, esperar e anunciar o ensinamento bíblico da PROVIDÊNCIA DE DEUS na política. 

    Desta forma, sublinhemos em primeiro lugar, que a providência de Deus tem referência ao seu governo sobre a sua criação, ele exerce um tipo de autoridade política no mundo. Apesar de Jesus dizer a Pôncio Pilatos que seu reino não era deste mundo, isso não significava que seu reinado não estava sobre este mundo. Na sua ascensão, Cristo foi entronizado no céu como Reis dos reis e Senhor dos senhores. Cristo tem o cargo “político” mais alto do mundo. Todos os magistrados da terra estão sob seu domínio e devem responder a Cristo pela maneira com que exercem sua autoridade.

    Um dos temas principais da Escritura que sempre se repete é o reino de Deus. O reino é um domínio governado por um monarca. Deus é o Supremo Monarca do mundo. Ele não só governa o campo da natureza por meio de suas leis naturais, ele também governa o mundo das questões humanas.  Ele conduz o curso das estrelas e o movimento das aves em sua migração. Ele governa o curso da história da humanidade. Ele faz com que reinos e impérios se levantem e caiam. Nenhum rei jamais se sentou em um trono a não ser pela providência de Deus. Conforme está escrito em Daniel 2.21 “... é ele quem remove reis e estabelece reis...”

    A Bíblia deixa claro que o governo é uma instituição humana que é ordenada e instituída por Deus. Como o apóstolo Paulo declara em Romanos 13. 1-4. Nesta passagem, Paulo afirma que “as potestades que há” (ou os poderes que existem) são ordenadas por Deus; elas funcionam como ministros de Deus.

    Aprendemos com a Bíblia que o Estado e a Igreja são duas instituições diferentes que têm duas funções distintas. Não é dever da Igreja ser o Estado; nem é dever do Estado fazer a obra da Igreja. Contudo, as duas instituições são ordenadas por Deus e devem estar “sujeitas” a Deus.

    No entanto, vemos no caminhar da história que o interesse do Estado é ser autônomo, sem ter de responder ou se justificar para Deus. Resumindo, o governo tem-se declarado independente de Deus. A resistência comum dos governantes da terra ao reino de Deus sobre eles pode ser vista nas expressões do Salmo dois. O salmo reflete uma conspiração entre os reis deste mundo. Eles fazem uma assembleia onde declaram sua independência de Deus. Eles formam uma junta de guerra e colocam suas forças armadas em direção ao céu. A resposta de Deus é um riso santo. O arsenal de armas feitas pelos homens é visto como meras armas de chumbinho pelo Todo-Poderoso.

    O escárnio de Deus rapidamente se transforma em ira no momento em que adverte contra a rejeição de seu governo e do governo de seu ungido.  Eles são chamados para governar, não com arrogância de uma falsa autonomia, mas com temor e tremor.  O temor e tremor devem ser motivados por uma conscientização de que a autoridade que exercem é delegada. Ela é extrínseca, não intrínseca. Toda a autoridade no céu e na terra foi dada pelo Pai ao Filho. Toda a autoridade menor está sujeita a ele. 

    Nosso governo é secular na essência. Contudo, isto é só uma questão de posicionamento. Todo o governo humano é teocrático no sentido de que Deus é o supremo governador de todas as coisas. Nossos líderes políticos podem não se organizar de forma teocrática no plano humano, no entanto, em termos de providência, todos eles são, inevitavelmente, teocráticos. 

    Então, é tempo de urgência, acreditemos que o governo de Deus faz parte de sua obra de sustentação, ou sustento de sua criação. Mesmo vendo na história que existem ocasiões em que os governos da terra abusam de seu poder e da autoridade que lhes foi dado por Deus. Como também, a espada tem sido usada para derramar sangue inocente; ela tem sido usada para guerras de conquista e para a opressão tirânica. Quando isto acontece, o governo na terra deve temer a espada do Senhor. Pois, Deus julgará a nação e seu uso da espada (Leia Apocalipse 14-17-20). Cantemos os versos do hino “Quando á alma sequiosa chega à voz do Salvador”. Logo, cremos que apesar de tudo que temos enfrentado como desserviço a nós e principalmente ao reino de Deus, Ele é por nós e governa sobre todos!
     

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

     

     

  • Boletim 258 - Não reclame de Deus, mas sim para Deus
    27/05/2018

    Diante de tanta perversidade, maldade, injustiça, corrupção... Habacuque levanta a pergunta “até quando?”, uma expressão comum de angústia encontrada nos salmos (Salmo 6.3; 13. 1-2; 35.17; 74.10; 79.5; 80.4; 89.46; 90.13; 94.3). Ele estava reclamando a aparente inatividade de Deus enquanto a injustiça crescia em Judá (Salmo 83.1). Era o silêncio de Deus diante do mal que lhe incomodava (Salmo 35. 22-23). Há estudiosos que enxergam o profeta começando errado ao censurar Deus primeiro, não o povo.

    Entretanto, creio que há algo positivo a ser aprendido da primeira atitude de Habacuque. É verdade que o profeta tem dificuldade em entender porque o Senhor permite que o mal continue, mas não reclama de Deus, mas sim para Deus. Embora tenhamos sido ensinados que não devemos questionar Deus, devemos observar a pergunta “até quando?” não é pecaminosa em si mesma. Na verdade, ela pode expressar uma alta estima pela santidade de Deus e um desejo de que a sua justiça seja servida em pecadores rebeldes.

    Pois, esta indignação é lícita, pois resulta de opressões injustas. Mais do que isso, ela provém não só de um interesse próprio, mas de um zelo pela honra de Deus.  Sendo que, o pedido não é o de fazerem justiça com as próprias mãos, até mesmo a vingança pessoal era condenada desde o Pentateuco (Levítico 19.18), mas deixar a vingança com o Senhor (Deuteronômio 32.35; Provérbios 25. 21,22; Romanos 12.9, 20,21). Assim sendo, pecaminosidade não resolvida na igreja e no mundo deve estimular o mesmo clamor em nós. Devemos lamentar a violência, corrupção e as injustiças recorrentes em nosso país. E tal lamento deve ser acompanhado de um anseio por correção, por castigo.

    Na verdade, a ausência do anseio próprio de interpretações é sinal de indiferença para com o pecado e para com a justiça divina. “Até quando?” não deve ser entendida como desespero, mas como uma oração esperançosa que provém daqueles que confiam que Deus resolverá a situação, como Habacuque esperava. Portanto, a reclamação de Habacuque é justa. Se o zelo pela justiça divina cresce à medida que nos santificamos, então devemos manifestar o anseio de que o Senhor Jesus volte não só para nos levar consigo, mas também para manifestar a sua justiça.

    E quando olhamos para o nosso Brasil, o vemos como um lugar marcado por muitas dificuldades.  Tendo em vista a tantos males que vivenciamos e que não poupam ninguém.  Assim, ao olharmos para a nossa pátria e também o mundo (com seus acontecimentos atuais) do ponto de vista espiritual, eles não mudaram nada em sua essência. Por exemplo: A corrupção de morte que antes ceifara muitas vidas por desviar dinheiro da saúde pública, agora estes atos continuam descaradamente com alguns protagonistas e coadjuvantes políticos até mesmo presos.

    O modo de fazer guerras mudou, mas as guerras continuam acontecendo do pelos mesmos motivos. O divórcio continua pressionando as famílias, a cobiça pelo dinheiro e conforto continua endividando as famílias e as nações. As crises e escândalos políticos continuam expondo a vaidade e cobiças humanas por poder. A incredulidade se aproveita das diversas adversidades por que passamos de forma insidiosa e insinuante (cansaço e doença; privações e tristeza; instabilidades sociais e políticas).  Tudo isso leva ao desânimo. Por isso nós cristãos precisamos nos certificar da nossa posição em Cristo para não sucumbirmos diante dos obstáculos em si e daqueles que fomentam essas coisas só para nos ver naufragar. 

    Nada devemos esperar do mundo a não ser pecado, porque jaz no maligno (I João 5.19), mas, se a igreja fraqueja na incerteza como poderá confrontar o mundo? Uma igreja viva tem um impacto poderoso e extraordinário sobre o mundo! Portanto, oremos como Habacuque. Ele ora ao Senhor, coloca a sua expectativa em Deus para a resolução do problema. Não se acomoda diante dos males presentes. Ele quer que a resolução dos mesmos, embora saiba que ele mesmo não possa resolvê-los.

    Ele clama ao Senhor porque tem a justiça de Deus em alta conta, quer vê-la manifesta. Por isso, sua oração honra o Senhor ao invés de desafiá-lo. Dessa forma, queridos quando olhamos para os males do nosso país e do mundo, perguntemos também como Habacuque “Até quando?”, pois vimos nesta pastoral que não é pecado fazê-la.  Pois, o profeta de maneira singular escreveu mais do que um recado de Deus para os homens, mas relatou sua própria experiência cheia de perplexidades, dúvidas e questionamentos. Mas no fim, Deus ampliou a visão que Habacuque tinha das coisas. Ele percebeu que Deus está no controle de tudo, mesmo quando as coisas parecem fora de controle. 

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

     

  • Boletim 257 - Nosso chamado é para fazer mais
    20/05/2018

    Deus tem muitas ferramentas na sua caixa de ferramentas. O que você pensa quando se fala em crescimento pessoal? Encaminhar os problemas para os pastores? (encaminhar para os profissionais; pagar pra fazer). Afinal, para que pagamos o salário de um pastor?   

    Enxergamos Deus carregando uma caixa de ferramentas muito pequena. Achamos que ministério é coisa para profissionais pagos. Para quem está fora dessa classificação servir é fazer uma oração, preparar uma refeição ou ajudar com uma contribuição financeira. Nosso chamado é para fazer mais que apenas isso!   Aprendemos com a Bíblia que Deus transforma a vida das pessoas à medida que pessoas levam a sua Palavra a outros.   Deus se importa com você e lhe deu a oportunidade de ser um instrumento em suas mãos. Deus nunca se engana com um endereço.   

    Quando nos envolvemos com os outros, logo aprendemos que Deus também nos muda no processo. Servir aos outros é sair do nosso conforto. O que nos atrapalha a servir nem sempre é falta de compaixão pelas pessoas, mas a falta de coragem.   Deus chamou o seu povo inteiro para ser instrumento de transformação em suas mãos redentoras. Ele não chamou somente alguns.   

    Dessa forma, aprendemos com a Bíblia que Deus usa pessoas comuns para fazer coisas extraordinárias na vida de outras pessoas.    Vejam alguns exemplos: Moisés (um exilado assassino); Gideão (medroso escondido); Débora (dona de casa); Jael (mulher comum); Davi (pastor de ovelhas); Jeremias (jovem inexperiente); Amós (boiadeiro); Pedro (pescador); Paulo (perseguidor do evangelho).   Deus não nos chamou apenas para ser nosso redentor, mas também para sermos seus instrumentos de benção na vida uns dos outros. Cristo nos trouxe aqui para descobrirmos que estamos todos nas mãos do redentor.   Assim, como podemos nos tornar instrumentos nas mãos do redentor?   Consciência da soberania divina em tudo.   

    A soberania de Deus nos dá estabilidade e consolo no enfrentamento de todos os obstáculos e provações.   A soberania de Deus não diz respeito apenas ao poder e à posição governante de Deus, mas também à execução de seu plano redentivo. Nada foge ao controle de Deus, tudo coopera para o nosso bem porque Deus está no controle de tudo! (Romanos 8.28). Isso é algo que precisamos saber e nisso descansar.   Muitos casais estão em pé de guerra por causa do desejo de controlar o outro. Mas quando sabemos que não controlamos nada nem ninguém, que Deus controla tudo, podemos apaziguar o coração e mudar nossa postura e conduta no casamento.   Consciência da realidade prática da graça de Deus.   

    Vivemos num mundo onde a graça existe para ser encontrada. Deus é soberanamente gracioso para conosco. A graça é tanto o meio da redenção quanto do fortalecimento espiritual e da capacitação para servirmos aos outros. A graça é sempre mais poderosa quando somos e estamos mais fracos (2 Coríntios 12).   Vivemos num mundo onde as pessoas só querem saber de seus direitos e do que desejam ter e ganhar. Quem foi alvo da graça, agora precisa aprender a dispensar a graça assim como a recebeu (Efésios 4.29 = transmita a graça). Sem a presença da graça não haverá mudança. É a graça abundante que nos transforma e nos faz úteis para Deus nos usar na transformação de outros.   

    Ser gracioso é não querer ser o centro das atenções o tempo todo. É ajudar a fazer festa para os outros.   Fomos feitos para a glória de Deus.   Fomos feitos para a sua glória e chamados para revelar a sua glória aos outros. O pecado faz de nós ladrões da glória de Deus. Estamos sempre conspirando para fazer com a glória seja nossa e tudo seja para nós. Quando buscamos apenas a nossa glória pessoal (traduzido na linguagem moderna por – realização pessoal, sucesso, não desistir de seus sonhos, etc.) acabamos nos tornando competidores e perdemos de vista a união em torno do Deus criador!   

    Uma vida que vale a pena ser vivida é viver para a glória de Deus. Para sermos instrumentos nas mãos do redentor, precisamos nos submeter à sua glória, confiarmos na sua graça e descansarmos na sua soberania.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • Boletim 256 - Joquebede, mãe que lutou até o fim
    13/05/2018

     Neste domingo, comemoramos o Dia das Mães. Certamente esta é uma data comercial. Mas que importa, uma vez que paramos para manifestar a gratidão a esta pessoa maravilhosa que nos gerou? O estadista americano, Abraão Lincoln, décimo sexto presidente dos Estados Unidos,  afirmou que as mãos que embalam o berço governam o mundo. Mesmo tendo perdido sua mãe muito cedo, Lincoln disse que tudo o que era e tudo o que viria a ser devia à sua mãe. John Maxwell, o maior expoente sobre liderança cristã, na atualidade, afirmou que liderança é, sobretudo, influência. Ser mãe é ser líder, pois ninguém influencia os filhos mais do que as mães. A mãe carrega os filhos no coração, no ventre, nos braços, no bolso, nos sonhos.   

    Uma das missões mais nobres da face da terra, sem dúvida é a de ser mãe. Por isso, que a personagem de nossa mensagem é Joquebede, a mãe de Moisés. Seu nome significa “Jeová é glória” ou “Jeová é grande”. Joquebede casou-se com seu sobrinho Anrão (Êxodo 6.20) num tempo em que Deus não havia ainda se manifestado acerca desse tipo de união. Quando veio a Lei, esse tipo de união foi proibida por Deus (Levítico  18.1-18). Ela viveu em um tempo muito difícil para todas as mães de Israel. Temendo o crescimento contínuo do povo de Deus, faraó ordenou que todos os meninos nascidos em Israel morressem sendo lançados no rio Nilo (Êxodo 1.22).   

    A Bíblia só menciona duas vezes o nome de Joquebede, mas ele ficou para sempre gravado na história como sendo o nome duma das mães mais importantes que até agora existiram. Provavelmente foi a única ocasião na história em que três filhos da mesma mãe, Joquebede, tiveram tanta influência ao mesmo tempo. Por causa da fé de Joquebede, os problemas não conseguiram paralisá-la ou isolá-la. Pelo contrário, as provas por que passou empedraram o caminho para maiores oportunidades. As suas dificuldades transformaram-se em amigos em vez de inimigos.   

    Joquebede fez da salvação do seu filho mais novo um assunto de família. Por meio desta sua atitude, os problemas e preocupações tornaram-se uma bênção para todos os familiares. O marido estava unido com ela na sua fé. Todavia, foi ela, a mãe, que pôs particularmente o seu selo sobre os outros membros da casa durante esse período difícil, e os uniu como instrumentos de Deus.   Ela revelou-se engenhosa na maneira de esconder a criança e concebeu o plano de lhe poupar a vida. Aprendeu a educar o pequeno Arão, de modo a que ele não traísse o irmãozinho. Conseguiu entender-se bem com Miriã, a sua única filha, a despeito de tudo o que tinha que fazer para cuidar do bebê. O plano que Joquebede arquitetou era simples e acessível. Baseado em fatos que ela tinha cuidadosamente examinado, esse plano era acima de tudo inspirado pela fé. O próprio Deus lhe tinha dado as ideias, o que tornou o plano verdadeiramente genial e até engraçado na sua execução.   

    A despeito dos ambientes hostis que muitas vezes enfrentava, ela pensava verticalmente em vez de horizontalmente, e num sentido espiritual em lugar de obedecer à sua própria natureza humana. Convicta de que o seu Deus era superior às maiores dificuldades, enfrentou corajosamente inúmeros problemas. Viu por experiência as surpresas que Deus lhe reservava, e como para Ele era tão simples transformar inimigos ameaçadores em amigos.   Num tempo em que a tristeza e a morte habitavam no meio do povo de Deus, essa mulher foi instrumento de Deus para mudar a sorte de toda uma nação.

    Talvez o desejo de Deus não seja que mudemos a sorte da nossa nação como fez Moisés, mas certamente o Seu desejo é que andando em Sua presença como fez Joquebede, e se assim fizermos, certamente Ele nos abençoará e poderá nos usar para mudar a sorte de muitas pessoas que ainda não O conhecem, muitas famílias que precisam de Sua bênção, a começar em nossa própria casa, em nossa própria família.    Através da vida exemplar da mãe Joquebede, queremos homenagear todas as mães da IPPI como mestras do bem, falando do seu papel e valor como educadoras, rainhas do lar, guarda dos filhos. Nosso foco, entretanto, é ressaltar o papel da mãe cristã, que é exemplo para os filhos, que ora por eles e os educa com firmeza e doçura, transmitindo-lhes as sagradas letras.   

    Por conseguinte, podemos asseverar que foi o ensino aprendido com sua mãe que levou Moisés a rejeitar as glórias do Egito por causa do opróbrio de Cristo. Precisamos de mães que invistam tempo na vida espiritual de seus filhos; mães que busquem a salvação de seus filhos mais do que seu sucesso...

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • Boletim 255 - A Igreja e sua genuína vocação de servir
    06/05/2018

    Entre os evangélicos tem se levantado um legítimo clamor por causa dos recentes desmandos e da corrupção na máquina pública. Principalmente via interne, circula uma série de textos expressando a indignação do povo de Deus e exigindo moralização e punição dos culpados.   Contudo, é preciso dizer que a corrupção é um mal endêmico que remonta à história da colonização, passando pela conquista predatória, as capitanias hereditárias, a escravidão, culminando com o clientelismo, o coronelismo, o fisiologismo, a falta de caráter no trato da coisa pública.   

    Tudo isto é agravado pela falta de transparência no financiamento das campanhas políticas, garantidas pelo caixa 2 de poderosos e inescrupulosos grupos empresariais que depois cobram a conta em forma de concorrências fraudulentas e superfaturamento de obras e serviços para o governo.   O que fazer? Como combater essa prática iníqua? Levar vantagem,  sonegar, o caixa 2, o acerto por fora, foro privilegiado aos políticos,  a propina, as comissões, a maquiagem de produtos, a pirataria de CDs e softwares, a informalidade, a exploração de mão-de-obra, os achaques de fiscais e policiais, os rolos, as falcatruas, as maracutaias, as picaretagens, as negociatas, as falências fraudulentas, os enriquecimentos ilícitos, tudo isso é a matéria-prima que deforma  e distorce o caráter do brasileiro.   

    No passado a Igreja brasileira era minoria, uma espécie de reserva moral e ética. Cresceu muito, no entanto, nos últimos anos, e se tornou cada vez mais parecida com a sociedade. É triste reconhecer que nossa comunidade evangélica carece de autoridade espiritual para exortar a nação. Precisamos olhar primeiro para dentro e nos arrependermos.   Sim, o juízo de Deus começa em casa. Crentes evangélicos estão espalhados em todos os segmentos da sociedade. Temos governadores, prefeitos, deputados federais e estaduais, vereadores, juízes, promotores, defensores, servidores do executivo, ministros de estado, assessores e diretores nos governos federal, estadual e municipal. Na iniciativa privada há crentes que ocupam postos-chave em multinacionais, bancos, pequenas, médias e grandes empresas nas áreas de indústria, agricultura, avicultura, comércio, finanças e serviços.   

    Por isso é realmente preocupante que tantos cristãos presentes no dia-a-dia da vida pública e privada não tenham assumido postura mais contundente contra o que está acontecendo no país. Ou são honestos e estão acuados, ou então se calam porque estão comprometidos com os esquemas. Quer dizer, pecam por omissão ou por prevaricação.   Em nossa bancada política evangélica? Em vez de exercer um papel profético, acaba amalgamada (fundida, mesclada, misturada, reunida) no senso comum das vantagens do cargo, do nepotismo, do fisiologismo. O juízo começa na casa de Deus. No momento em que todos se eximem de suas faltas e acusam os outros, nós cristãos, devemos fazer o contrário: admitir e confessar nossos pecados.   

    Cristãos deixem a futilidade deste século, simplifiquem seu estilo de vida.  Preguem a verdade, que é Cristo, o evangelho que exige desprendimento, entrega e vida íntegra.   Como Zaqueu (Lucas 19), que todos nós, homens públicos, empresários, empregados, servidores, executivos... Venhamos a público para confessar, pedir perdão e restituir o que foi tomado indevidamente. Recusemos toda e qualquer forma desonesta de lidar com a coisa pública. Sejamos honestos e despertemo-nos para uma genuína vocação de serviço à nação.   

    Assim, arrependidos e transformados, teremos  autoridade para propor mudanças à sociedade brasileira, pois todos os cristãos, sem exceção, são chamados a serem cidadãos e profetas na luta contra a injustiça e as culturas da morte.   A todos nós, cristãos, em  todo lugar, a mensagem é esta: que nos unamos em torno de um  genuíno arrependimento que transforme nossa vida comprometida com o status quo em vida santa e profética.  “Pois chegou a hora de começar o julgamento pela casa de Deus”  (I Pedro 4.17). Citamos este versículo, ousadamente para que entendamos o seu significado, pertinente também para o nosso momento.  Pois, essa palavra traduzida por julgamento (krima) não tem necessariamente o sentido de condenação, mas  é um termo mais amplo que pode se referir a um julgamento que resulta em avaliações boa e más., um julgamento que pode redundar em aprovação ou em disciplina, bem como em “condenação” (que seria katakrima).

    A cena é que Deus começou a julgar dentro da igreja e mais tarde sairá para julgar os que estão fora da igreja. O fogo refinador ( I Pedro 4.12 – é na realidade um fogo do julgamento de Deus) não está deixando ninguém intacto, mas os  cristãos estão sendo purificados e fortalecidos por ele – pecados estão sendo eliminados e crescem a confiança em Deus e a santidade de vida.   Que a misericórdia do Senhor nos alcance.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

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