Informativos / Boletins

  • 251 - O problema não está apenas no governo
    08/04/2018

    Nestes dias de tanta turbulência em nosso país, acredito que a parábola da figueira contada por Jesus (Lucas 13.1-9) pode nos ensinar uma preciosa lição.

    Jesus conta que um homem tinha uma figueira, foi procurar fruto nela, não achou, e mandou cortá-la. O agricultor pediu um ano para cuidar dela e, se no futuro, a figueira continuasse sem fruto, então poderia cortar. Jesus conta esta parábola no momento em que disseram a ele que Pilatos assassinara alguns galileus, enquanto eles faziam os sacrifícios exigidos pela Lei no Templo do Senhor. Jesus responde a isso, afirmando que esses galileus não eram mais pecadores do que os outros por terem sofrido desta forma, tampouco os dezoito que morreram quando caíram sobre eles a Torre de Siloé eram mais pecadores do que os outros habitantes de Jerusalém. 

    O que tem a ver o assassinato dos galileus, os dezoito que morreram na Torre de Siloé, o fato de serem mais pecadores ou não do que os outros que viveram e a parábola da figueira infrutífera? E o que isso tem a ver com o Brasil de hoje? 

    Precisamos voltar um pouquinho no texto. No capítulo 12 de Lucas, Jesus traz uma série de advertências e motivações, tais como: cuidado com o fermento dos fariseus; não tenham medo dos que matam o corpo, tenham medo daquele que pode matar o corpo e depois lançar no inferno; esta noite pedirão sua alma; não se preocupem quanto ao que comer e vestir, busquem o Reino de Deus e todas essas coisas lhes serão acrescentadas; façam tesouros no céu; estejam preparados, porque o Filho do homem virá; hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu, como não interpretar o tempo presente? 

    Neste contexto de olhar para eternidade, de pensar no juízo de Deus, de céu e inferno, de entender que esta vida é passageira e de que existe uma eternidade que pode ser vivida com ou longe de Deus, alguns chegam para Jesus e contam que Pilatos misturou o sangue de alguns galileus com os sacrifícios deles. Jesus parece que não dá a mínima para este acontecimento e diz que essas pessoas não eram as mais pecadoras por terem sofrido desta maneira, e o mais interessante, ele diz que se eles não se arrependerem, todos eles seriam destruídos! 

    Pilatos é uma autoridade romana, prefeito da Judeia, juiz que condena Jesus à morte, e que mata os galileus que estavam no templo oferecendo sacrifícios. Os dezoito que morreram ao cair a Torre de Siloé eram funcionários do governo romano que estavam construindo essa torre, possivelmente, com dinheiro desviado do templo. Josefo, o grande historiador judeu do primeiro século, relata que Pilatos teria se apropriado dos tesouros do templo para construir esta torre que servia para o abastecimento de água da cidade. Então são duas questões claramente políticas, mas Jesus, neste momento, não emite nenhuma palavra de condenação a Pilatos, ao governo romano, à corrupção. O que Jesus faz é chamar os próprios judeus ao arrependimento. Se não, todos perecereis! Essa resposta de Jesus é intrigante. Esperava-se que Jesus reagisse com uma denúncia violenta contra os dominadores romanos. Mas, o que Jesus faz é um apelo para que os judeus se arrependam!

    As pessoas chegam para Jesus e dizem que o problema está no governo, está em Pilatos, está com os romanos. Elas não ouvem todas as advertências e ensinamentos de Lucas 12. Tiram o foco de si mesmas e se justificam acusando Pilatos pelo grande mal que ele fez. Mas Jesus disse que elas precisavam olhar para dentro de si e encontrar frutos nelas mesmas! 

    A preciosa lição de Jesus para nós é que precisamos olhar para os nossos pecados ou para dentro de nós mesmos para ver em quê ou onde precisamos nos arrepender. O profeta em 2 Crônicas 7.14 diz: “se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra”. A solução para nosso país está quando o povo de Deus se humilha, ora, se arrepende! Depois de confessarmos a nossa corrupção pecaminosa, precisamos orar e jejuar para buscar o favor, a graça e a intervenção divina para o nosso país. É nosso dever orar pelas autoridades (1 Timóteo 2.2) para que tenhamos tempos de paz e prosperidade. Depois de orarmos, o outro passo inadiável é comprometer-nos com uma ação concreta, para declararmos à sociedade que a nossa IPPI está inconformada com o conformismo dos homens, para se conformar aos inconformismos de Deus.

    Jesus nos alerta que somos a figueira e precisamos frutificar. Que Deus traga um avivamento, despertamento a nós, nos limpando, alimentando nossa alma, e que em breve, Ele encontre muitos frutos em nós!

    Pr. Carlos Roberto (Bob) 

  • 250 - Páscoa, uma mensagem de reconciliação
    01/04/2018

    A grande ênfase da Páscoa está na morte e na ressurreição de Jesus e na mudança que sua presença provoca. Enfrentando mortes (simbólicas ou não) ou vitórias, a centralidade de nossas vidas pode estar na transformação de paradigmas (como no caso, a morte, até então, era invencível e a ressurreição, impossível) e na celebração de uma nova vida como proposta pela Páscoa: passagem de um estágio a outro, da desesperança para a esperança, do desânimo para o ânimo novo, da fraqueza para o vigor. 

    Sendo assim, Páscoa celebra e denota também o mistério da reconciliação! Mistério porque é Deus reconciliando a humanidade consigo numa iniciativa que partiu dEle (mesmo que não tenha sido o que optou pela autonomia e pela isolação de nós). E não foi um “plano B” para uma humanidade que escolheu ser independente do Pai (mesmo precisando de Sua orientação, de Sua direção) após a criação, mas como algo já planejado desde sempre, desde a eternidade, pois Deus já cria redimindo, salvando (o Cordeiro de Deus para a Páscoa – Jesus – foi morto “antes da fundação do mundo” – Apocalipse 13.8). Páscoa é passagem de uma vida independente dEle para uma vida com Sua presença, e é muito difícil não abrir a porta de nossa casa interior para essa reconciliação, não se constranger, não se curvar a isso, tendo em vista que Ele mesmo vem a nós e nos chama! 

    A reconciliação proposta pela Páscoa é algo fantástico, bárbaro! É uma proposta ampla demais, uma vez que se estende para uma reconciliação com a vida interior, com nossa vida – com nossos relacionamentos, com nossas tarefas profissionais, nossas esperanças, nossos sonhos, por ser uma proposta de vitória sobre a morte (nossa morte física e a dos que amamos é apenas isso: morte corporal, porque vida com o Senhor no além-físico, no metafísico; e a morte espiritual ou de emoções pode ser vencida por meio da reconciliação com o Criador). Tal proposição não é apenas hipótese, sugestão, é mais: é garantia! 

    Que você experimente essa novidade em sua vida todos os dias, que você vivencie a Páscoa – com toda a sua significação – cotidianamente! Sempre que vivenciando desespero, perdas, mágoas, brigas que parecem sem solução com pessoas estimadas e∕ou muito amadas e diversas outras intempéries, lembre-se que o terceiro dia vem! Cristo ressuscitou ao terceiro dia (entregou seu espírito a Deus às três da tarde e ressurge dos mortos na madrugada de domingo, exatamente como prometido: ao terceiro dia após sua morte – Marcos 14.58) e este tempo também chega para nós! Que o Espírito nos conceda “marcos simbólicos” que nos permitam perceber essa “passagem” de um momento a outro, de um tempo marcado por tristezas, choros, cansaço, para um tempo de refrigério, paz, alegria, marcado por reconciliação e que te dê a percepção da amplitude da vivência da Páscoa!

    Cristo celebrou a páscoa e instituiu a Santa Ceia e nós cristãos de todo o mundo devemos comemorar a sua Morte e a sua Ressurreição, pois o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo deu a sua vida em resgate de muitos. Ele foi crucificado, morto e sepultado, porém ao terceiro dia ressurgiu dentre os mortos; subiu ao Céu enviou o Espírito Santo está assentado á direita de Deus Pai Todo Poderoso, de onde há de vir julgar os vivos e os mortos.

    Portanto, a Páscoa é o anuncio que em Cristo temos a libertação dos nossos pecados, temos a vida eterna e podemos ser habitados pelo Deus Vivo! Crer assim muda inteiramente o nosso viver!  E o teu?

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 249 - Não seja mera sombra e eco
    25/03/2018

    Não somos Deus. Por conseguinte, comparados com a Realidade absoluta e final, somos pequeníssimos. Nossa existência é secundária e depende da absoluta Realidade de Deus. Ele é o único Ser auto existente no universo. Somos derivados. Ele sempre existiu e não teve princípio. Portanto, ninguém Lhe deu forma. Nós, pelo contrário, recebemos forma. Ele simplesmente é. Nós, porém, fomos criados. “EU SOU O QUE SOU” é o nome dEle (Ex 3.14).

    No entanto, visto que Ele nos fez com o mais sublime propósito para uma criatura – desfrutar e manifestar a glória do Criador – podemos ter uma vida bastante substancial, que dura para sempre. Esta é a razão por que fomos criados (“Tudo foi criado por meio dele e para ele” – Cl 1.16). Esta é a razão por que nossa sexualidade foi redimida (“Fugi da impureza... Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” – 1 Co 6.18,20). Esta é a razão por que comemos e bebemos (“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” – 1 Coríntios 10.31).

    Esta é a razão por que oramos (“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isto farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” – João 14.13). Esta é a razão por que fazemos boas obras (“Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus – Mateus 5.16 ). Esta é a razão por que existimos – manifestar a glória de Deus. A vida humana é completamente centralizada em Deus. Este é o significado de sermos humanos. Nossa natureza foi criada para engrandecer a Deus. A nossa glória consiste em dar glória a Deus. Quando cumprimos esta razão de sermos, temos substância. Existe valor e significado em nossa existência. Conhecer, desfrutar e manifestar a glória de Deus é um compartilhamento da glória de Deus. Não nos tornamos Deus. Mas um pouco da grandeza e beleza de Deus está sobre nós, quando cumprimos este propósito de nossa existência – refletir a excelência de Deus. Esta é a nossa substância.

    Não cumprir este propósito para a existência humana corresponde a ser uma mera sombra da substância que Deus tencionava possuiríamos quando nos criou. Não manifestar a glória de Deus por desfrutarmos dEle mesmo, acima de qualquer outra coisa, é ser apenas um eco da música que Deus tencionou que faríamos quando nos criou.

    Esta é uma grande tragédia. Os seres humanos não foram criados para serem apenas sombras e ecos. Fomos criados para termos as características de nosso Deus, para fazermos música divina e causarmos um impacto divino. Isto é o que significa ser criado à imagem de Deus (Gênesis 1.27). Mas, quando os homens abandonam o seu Criador e amam mais as outras coisas, eles se tornam semelhantes às coisas que amam – insignificantes, fúteis, sem valor, inconsequentes e depreciadores de Deus.

    Veja como o salmista apresentou este fato: “Os ídolos das nações são prata e outro, obra das mãos dos homens. Têm boca e não falam; têm olhos e não veem; têm ouvidos e não ouvem; pois não há alento de vida em sua boca. Como eles se tornam os que os fazem e todos os que neles confiam” (Salmo 135.15-18; veja também Salmo 115.4-8).

    Pense e tema. Você se torna semelhante às coisas feitas pelos homens e nas quais você confia: mudo, cego, surdo. Isto é uma sombra da existência. É um mero eco do que Deus tencionou você deveria ser. É uma mímica vazia no palco da história, com muito movimento e pouco significado.

    Querido irmão, não seja sombra e eco. Livre-se do espírito de centralidade no homem, uma epidemia de nossa época. Olhe com determinação, para ver, conhecer e desfrutar a vida na luz do Senhor. “Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor” (Isaías 2.5). Na luz do Senhor, você O verá, bem como a todas as coisas como realmente são. Você despertará da sonolência de uma existência na terra das sombras. Você anelará por substância e a encontrará. Fará de sua vida uma música divina. A morte será uma viagem rumo ao Paraíso. E o que você deixar para trás não serão sombras e ecos, e sim um tributo na terra, escrito no céu, à triunfante graça de Deus.

    “Ó Pai, como tememos o desperdício de nossos anos! Perdoa-nos por amarmos e envolver-nos com coisas vazias. E por nosso pequeno amor para contigo. Faze-nos perceber a fé letal em ídolos. Dá-nos ser sadiamente livres de todas as joias sem valor. Faze-nos levar o peso de glória. E torna-nos mais semelhantes a teu Filho. Em seu nome todo-sustentador, oramos. Amém.” Oração de C.S.Lewis

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

     

  • 248 - Uma igreja transformadora
    18/03/2018

    Vejo que, Deus está desafiando a nossa igreja – De sermos uma comunidade transformadora. Um lugar de salvação, cura, restauração, onde as pessoas possam ser transparentes e amadas como são.

    Dessa forma, desejamos que o Espírito Santo aplique a sua palavra em nossa comunidade, para que busquemos as verdadeiras bênçãos do Senhor. Pois, no Salmo 67.1,2 “Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o rosto; para que se conheça na terra o teu caminho e, em todas as nações, a tua salvação.” vemos o desejo do salmista, que é o mesmo de qualquer pessoa que almeja a felicidade. Ele busca a bênção de Deus e afirma que isto é fruto da graça do Senhor.

    Sendo que, ao receber esta graça abençoadora ele compartilha conosco, seus leitores, o caminho desta graça. Em suas palavras o rosto do Senhor resplandecerá sobre todos os que creem, a terra conhecerá o caminho de Deus e as nações saberão que Deus é o Salvador. As palavras do salmista compreendidas à luz de toda a Bíblia são uma inspiração para nossa caminhada como cristãos. Não existe cristianismo sem estes elementos aqui descritos; Deus, graça, fé, bênção, salvação, relacionamento e missão. A igreja não é um clube santo, onde pessoas se reúnem socialmente para cantar e confraternizar. A igreja não é um partido político, onde ideologias de governo são discutidas e colocadas em prática. A igreja não é uma empresa movida pelo lucro financeiro com responsabilidades para atingir metas de um proprietário. Como uma indústria da fé. Todavia, ela é composta de cristãos sérios que compreendem e querem ser dizimistas fiéis, pois confiam que tudo vem das providencias DELE e ao contribuírem querem que não faltem recursos financeiros para a expansão do Reino de Deus.

    A Igreja de Cristo é um corpo, onde cada pessoa é um membro e desempenha uma função, para que este corpo se relacione de maneira completa com Deus. Quando olhamos para nossa história cristã, encontramos muitas igrejas em vários países que perderam sua visão e valores. Em alguns países a igreja se tornou um clube, um grupo político, uma empresa, onde alguns poucos queriam exclusividade de adoração. Resultado: a igreja nestes lugares morreu! Hoje, na Europa, vários templos se tornaram restaurantes e lojas. Interessante é que tudo isto foi feito em nome de Deus! Longas reuniões de orações e nenhum fruto, só sentimentos ruins! Deus nos chamou como igreja para vivermos a alegria, a beleza e a unidade de um corpo bem alimentado pela Palavra.

    “A vida cristã não é um assunto particular. Quando renascemos na família de Deus, não apenas Ele se torna nosso Pai, mas qualquer cristão no mundo, seja qual for sua nação ou denominação, torna-se nosso irmão em Cristo. No entanto, e inútil pensar que ingressar na Igreja de Cristo (com “I” maiúsculo) é suficiente; devemos pertencer a uma de suas ramificações locais (…). O lugar do cristão é em uma igreja (com “i” minúsculo), compartilhando sua adoração, sua comunhão e seu testemunho” John Stott. (Cristianismo Básico).

    Muitos cristãos se intitulam “sem igreja” ou “desigrejados”. Não querem ter compromisso com a igreja local. A igreja com “i” minúsculo é um lugar ao qual devemos pertencer e nos unir. Nunca encontraremos uma comunidade perfeita, mas mesmo nesta comunidade imperfeita, ali está o Senhor Jesus com sua plena perfeição para nos amar, nos curar, restaurar e usar os fracos e imperfeitos irmãos como instrumentos em nossas vidas.

    Entendemos que: “Há duas coisas que não podemos fazer sozinhos: a primeira é casar; a segunda é ser cristão” (Paul Tournier). Então, somos uma família. Não somos perfeitos. Temos desafios enormes a vencer e sabemos disso, mas, descansamos na graça de Deus. Somos obra d’Ele sim. Mas, estamos “em reforma”. Não caminhamos sozinhos! Venha fazer novos amigos e dividir as lutas. Ansiamos ser uma igreja inclusiva e aberta, unida na diversidade, uma comunidade de compaixão. A única igreja que realmente brilha aos olhos de Deus é aquela que fielmente cumpre sua missão onde ele a coloca. A que não cumpre também brilha: em seu nome colocado no letreiro. Nós, cristãos, estamos unidos não só por nosso compromisso com Jesus Cristo, como também por nosso compromisso com a igreja de Jesus Cristo. Entendemos biblicamente que o propósito de Deus não é salvar indivíduos e perpetuar seu isolamento. Deus se propôs a edificar a igreja, uma comunidade nova e redimida. Planejou-a na eternidade passada, e está levando a cabo no processo histórico do presente e vai aperfeiçoá-la na eternidade que virá. Deus nos deu a alegria de espalhar o evangelho, curar e salvar pessoas! Sua fidelidade a Deus comprova sua salvação e comunhão com Jesus Cristo através de Seu corpo que é a igreja. Vamos em frente pela graça de Deus e para a Glória de Deus!

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 247 - Reconhecer as dificuldades para enfrentá-las e superá-las
    11/03/2018

    No ano quarenta do seu reinado, Davi convoca todos os líderes do reino para uma importante reunião. O rei estava com a saúde comprometida e alguns temiam que ele não pudesse comparecer pessoalmente, mas fortalecido pelo Espírito ele presidiu a reunião e proferiu palavras que se tornaram inesquecíveis.

    As principais personalidades da nação compareceram ao evento. Os príncipes das tribos, os chefes militares, os administradores das propriedades reais, os filhos do rei, os chefes dos grupos de famílias e também os funcionários do palácio aguardavam expectantes os acontecimentos do dia. E Davi apresenta um modo estranho de começar um discurso de despedida. Davi não mencionou o que fez, mas o que queria fazer, mas não pode. “Eu tinha no coração o propósito de construir um templo para nele colocar a arca da aliança do SENHOR, o estrado dos pés de nosso Deus” (I Crônicas 28.2). 

    Davi em sua despedida apresenta uma esperança frustrada por Deus, na fala de uma parte de seu currículo quando salienta a soberania divina e seus defeitos, conforme I Crônicas 28.3 “Porém Deus me disse: Não edificarás casa ao meu nome, porque és homem de guerra e derramaste muito sangue.” Ele apresenta  o lado negativo de seu currículo. 

    De modo que, ao ler sobre esta despedida de Davi, lembrei-me de Leandro Konder em seu artigo primoroso intitulado “O curriculum mortis e a reabilitação da autocrítica”, no qual ele afirma que “forjamos para nós imagens que nos ajudam a viver”. E diz: O autoritário se apresenta como enérgico e corajoso; o oportunista como prudente ou realista; o covarde como sensato; o irresponsável como livre”. Gosto da expressão que ele usa no título do texto:  curriculum mortis. Ele diz que o que nós chamamos de curriculum  vitae não é currículo de  vida inteira, porque só apresenta o lado positivo. É apenas a história dos sucessos.

    Ninguém inclui no curriculum vitae: reprovado no concurso em 1985 ou traído pela namorada na primavera  de 2002. Só se  faz referência aos acertos. E Konder  lembra que nós, humanos, não somos, em nossa imensa maioria, campeões invictos, heróis, etc. Não é necessário mudar o nome desse histórico  que apresentamos, só devemos sempre lembrar que há um curriculum mortis  - o lado do malogro, o lado do enfrentamento das dificuldades. E que há necessidade de reconhecer tais dificuldades, para enfrentá-las e superá-las, criticamente. Todos nós temos um curriculum mortis, embora ninguém goste de falar de seu, de revelá-lo.

    É duro admitir que falhamos, que somos incompletos e contraditórios. Portanto, pedir além do curriculum vitae e também o curriculum mortis, isto é, o que havia feito que dera errado. Porque é impossível conhecer alguém só pelo que ele fez e deu certo – ninguém é só assim. E alguém que se apresenta desse modo está forjando um curso de vida.  No mundo de trabalho, nas entrevistas de emprego, existe um procedimento muito usado pelos entrevistadores. Eles costumam fazer duas perguntas simples para os candidatos. A primeira é: “Quais são as suas principais virtudes?”. E a pessoas enumera várias delas. A segunda pergunta é: “E quais são os seus principais defeitos”?”. Quase sempre o patife diz: “Eu sou perfeccionista”.

    O perfeccionista é aquele que acha que não tem defeito. Por isso, acredita que seu único defeito é não tê-los. Porque ele não tem visão de si mesmo, não tem autocrítica. Nessa imagem está contida a clássica ideia da possibilidade, inclusive, da autocrítica, elemento indispensável para uma analise acurada da própria vida.

    Diante do exposto, aprendemos com a revelação bíblica que a relação do cristão e a autocrítica deve ser de equilíbrio. O cristão precisa entender que nossa vida não é uma vida sem norte! E para tanto vale lembrar que a Bíblia diz em I Coríntios 11.28 que o homem deve examinar-se, ou seja, faze um autoexame; afim de que esteja sempre refletido em suas atitudes. Sócrates diz: “uma vida não examinada não é digna de ser vivida”.         

    Aprendemos alguns objetivos da autocrítica: Levar o cristão a uma vida disciplinada; Levar o cristão a compreender a fragilidade humana; Levar o cristão a total dependência de seu criador.     

    Entendemos então que a autocrítica é fundamental para um ponto de equilíbrio entre nossas fragilidades, mas que não isenta nossas responsabilidades em procurar melhorar nosso modo de viver.

    Assim, compreendo que o começo do grande processo da nossa recuperação diante de Deus é admitirmos para Deus, para nós e para os outros a natureza exata dos nossos erros. O profeta Jeremias também nos desafia: “Examinemos seriamente o que temos feito e voltemos para o Senhor.” (Lamentações 3.40 NTLH).
     

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

     

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