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  • 246 - Ter e ser amigos verdadeiros
    04/03/2018

    Apresento nesta pastoral uma reflexão sobre a relevância da amizade. Pois, compreendemos que ninguém pode dizer que se relaciona com Deus se não tem amigos, anda errante e solitário sem que ninguém o compreenda, sem compreender seus semelhantes. Amizade é o grande tema das Escrituras. Portanto, biblicamente devemos ter e ser amigos verdadeiros. Há uma voz e não um eco alardeando em nossa sociedade – Quero Amigos!   

    EARL C. WILLER conta à história de Jim e Philip, dois meninos que cresceram juntos e se tornaram os melhores amigos. Atravessaram a adolescência e a juventude juntos, e depois de formados na universidade decidiram se tornar marines, os fuzileiros navais norte-americanos.

    Por uma casualidade rara, foram enviados para a Alemanha e lutaram lado a lado em uma das mais cruéis batalhas da Segunda Guerra Mundial. No meio da batalha, sob o fogo cruzado, explosões e muitas perdas, receberam ordem do comandante para que recuassem. Enquanto corriam em fuga, Jim percebeu que Phillip não estava com os que voltavam. Entrou em pânico, pois sabia que se Phillip não retornasse em um ou dois minutos, provavelmente nunca mais o faria. Pediu ao comandante que o deixasse voltar para buscar o amigo, mas não obteve permissão, sob a justificativa de que seria suicídio.

    Arriscando a própria vida, Jim desobedeceu à ordem e voltou ao encontro de Phillip. Com o coração quase explodindo e sem fôlego, sumiu entre a fumaça gritando pelo nome do amigo. Poucos instantes depois, tinha o amigo ferido nos braços, e tudo quanto conseguiu foi presenciar o último suspiro de vida de Phillip.

    Ao regressar para juntar-se aos outros soldados, o comandante estava aos berros. Dizia que aquele fora um ato impensado, tolo, inconsequente e inútil. “Seu amigo estava morto, e não havia nada que você pudesse fazer.” “O senhor está errado”, replicou Jim. “Cheguei a tempo. Antes de morrer, suas últimas palavras foram: ‘Eu sabia que você viria’”.

    Esta história pequena e verídica, registrada por John Maxwell em seu livro Vencendo com os outros, conduziu-me a muitas reflexões a respeito da amizade genuína e despertou em mim alguns sentimentos extraordinários. Vivemos a era da tecnologia, em que o valor de todas as coisas deriva de sua funcionalidade e eficiência. Tudo ao nosso redor vai aos poucos se tornando máquina de manipulação a serviço de nosso conforto e conveniência. Experimentamos um tipo de tecnostress, tentando equilibrar uma parafernália eletrônica que nos oprime com seus botões e suas falsas promessas de facilitação e simplificação da vida.

    A maneira como nos relacionamos com os objetos é transferida para as pessoas. Organizamos a agenda como quem ajeita um painel de controle, colocando cada pessoa num lugar de fácil acesso, do outro lado de um botão do celular ou ao alcance da mão, na exata distância entre o mouse e a remessa do e-mail. Pessoas que acionamos quando bem desejamos ou delas necessitamos. Pessoas que se tornam biotecnoparafernálias com a missão literal de funcionar para nos suprir e servir.

    Talvez de tão acostumados a interagir com celular, WhatsApp já não saibamos o que fazer, com que tom falar, com que dosagem de afetividade temperar a fala quando alguém de carne e osso visivelmente fala conosco. E assim vamos tocando os dias: maridos usando esposas, filhos usando pais, patrões usando seus funcionários, empreendedores usando seus clientes, numa fila interminável de relacionamentos utilitaristas, que acontecem na dinâmica de um vice-versa sem fim.

    Com isso, perdemos a capacidade de estar ao lado desinteressadamente mesmo quando a única coisa que se pode fazer é estar ao lado.  Manipuladores de máquinas, celulares fomos mordidos pelo vírus da onipotência que a tudo pretende fazer funcionar, e já não admitimos que há momentos na vida dos amigos quando tudo o que podemos fazer é estar ao lado e ouvir: “Eu sabia que você viria”.

    Larry Crabb fala sobre a comunidade como “o lugar mais seguro da Terra”, e diz que nos tornamos consertadores – não podemos suportar um problema a respeito do qual nada possamos fazer. Nossa preocupação é melhorar as coisas. Ouvimos desabafos e confissões entre lágrimas e os rotulamos como se fossem problemas a resolver. Ocupamo-nos em diagnosticar, abrimos nossas maletas de frases feitas e chavões. Assim, não ajudamos e só perpetuamos as crises nas pessoas.  Com esta superficialidade, não nos identificamos e estudamos com profundidade e exatidão o problema do outro.   

    Chega de campanhas políticas, apelos institucionais, convocações para “obra do Senhor”, atividades religiosas e frenesi expansionista. Já é hora de pagar o preço, qualquer que seja ele, diz Crabb, de fazer parte de uma comunidade espiritual, e não de uma organização eclesiástica. Já é hora de nos lembrarmos que “não sois máquinas, homens é que sois”, como profetizou a pedra (Lucas 19.40) chamada Chaplin. Quero amigos. Amigos que voltem ao campo de batalha e arrisquem a vida por mim. Amigos que me tomem nos braços, ainda que seja quase tarde. E quero viver à altura de cada um deles. 

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 245 - Uma igreja cada vez mais bíblica
    25/02/2018

    Neste mês em que comemoramos mais um aniversário da nossa igreja, apresento aqui nesta pastoral, um apelo a cada membro da IPPI, que o mundo veja em nós o caráter de Cristo. Assim, conclamo e desafio os queridos a refletirem comigo a identidade bíblica da Igreja de Cristo e, com isso, questionar nosso modo de viver.

    Aprendemos que igreja tem de ser o meio através do qual Jesus atinge cada pessoa, um lugar de refrigério e humanidade. Portanto, nesse aniversário, Deus está presenteando a nossa igreja, com um grande desafio – De sermos uma comunidade transformadora. Um lugar de salvação, cura, restauração, onde as pessoas possam ser transparentes e amadas como são.

    A Igreja é o Corpo de Cristo, a presença de Cristo na terra. No Advento, ele chega para viver entre nós; e no Pentecostes, para viver em nós. Uma presença santa e divina se misturam à humanidade pecadora. Como se estivesse em seu templo, o Senhor da glória habita em nós. Somos convidados a caminhar com ele, estendendo nossas mãos aos famintos, sedentos, encarcerados, doentes e enlutados. Será que quando o mundo olha para nós vê um sinal da presença de Deus neste planeta?

    A Igreja do Senhor é portadora da mensagem de Deus, que amou o mundo de tal maneira que veio pessoalmente nos acolher, abraçar. É a comunidade de amor que tem um só coração e uma só alma, que espelha no mundo o mistério da diversidade e da unidade da Trindade. Assim, não somente pela qualidade de nossos relacionamentos entre nós, mas também pela capacidade de amar os inimigos, seremos conhecidos como discípulos de Cristo. Será que quando o mundo olha para nós vê um sinal do amor de Deus por todos os seres humanos?

    A Igreja é a comunhão daqueles que se arrependem e confiam no perdão e no amor do Deus Salvador. Daqueles que recebem a Palavra que afirma que Deus Pai conferiu ao Filho, Jesus Cristo, a honra, a força, o poder, o domínio e a glória.

    A Igreja é portadora dessa mensagem que estabelece Jesus Cristo como Senhor diante de quem todo joelho se dobrará. Para revelar esse senhorio aos homens, ela precisa viver segundo o coração de Deus, submetendo-se a ele, e seus membros, uns aos outros. Será que quando o mundo olha para nós vê um sinal do senhorio de Cristo entre os homens?

    A Igreja de Cristo é uma família na qual irmãos e irmãs vivem em sujeição e obediência ao Pai celestial. Uma família que tem apenas um Senhor e chefe, Jesus Cristo, por isso ninguém procura dominar ou controlar o outro: pelo contrário, cada um humildemente considera o outro superior.

    A Igreja é uma família de famílias. Cada um abriu mão do amor ao poder para se entregar ao poder do amor; para servir, em vez de controlar. Será que quando o mundo olha para nós vê um sinal de humildade e solidariedade?

    Nesta igreja não há mais escravo ou homem livre, judeu ou gentio, homem ou mulher porque todos são um em Cristo. Será que quando o mundo olha para nós vê uma comunidade inclusiva, livre de preconceitos e discriminações?

    Igreja que é santa, mas composta de membros pecadores. Santa à medida que se reconhece pecadora. Porém é noiva - ou virgem pura, como disse Paulo – pela ternura de Cristo por intermédio da presença santificadora do Espírito Santo. Somente uma Igreja que se reconhece pecadora e se quebranta diante de Deus pode ser resgatada e restaurada por ele. Será que quando o mundo olha para nós vê sinais de quebrantamento e santificação?

    As Escrituras são o espelho diante do qual a Igreja deve ver seu rosto verdadeiro. A cada encontro em que abrimos a Palavra, a cada estudo bíblico, a cada pregação, Deus estende esse espelho e nos pergunta se somos sinal do divino neste mundo caótico. Um sinal do senhorio de Cristo, um sinal de humildade e solidariedade, de santidade, um sinal de quebrantamento.

    A Igreja, ao longo da história, guardou viva sua relação com a Palavra. Ela sempre foi bíblica – esta é sua graça. No entanto, nem sempre foi suficientemente bíblica – esta é a sua falta. Porém, deve ser a cada dia mais bíblica – portanto, este é seu desafio. Cada vez que abrimos as Escrituras, e nosso coração a elas na presença do Espírito, a Igreja tem a chance de se tornar mais bíblica, mais conformada à imagem Daquele que nos criou e salvou. Parabéns amados membros da IPPI! Sua fidelidade a Deus comprova sua salvação e comunhão com Jesus Cristo através de Seu corpo que é a igreja. Vamos em frente pela graça de Deus e para a Glória de Deus! Que o mundo possa ver nossas obras e glorificar a Deus, que está no céu.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 244 - Uma combinação saudável: Temor e alegria
    18/02/2018

    O que acontece quando verdadeiros cristãos permanecem sob a influência do ensino bíblico, em uma comunhão espiritual, do viver com simplicidade, dedicados à oração? Atos 2.43 diz: “Em cada alma havia temor”. “Temor” fala-nos sobre um senso de reverência. É reservado para tempos especiais quando as pessoas são tomadas de admiração por causa de algo divino ou poderoso que desafia a explicação humana.

    A nossa igreja deve ser capaz de instilar um senso de temor em nossa comunidade. A igreja primitiva fez isso. O versículo 43 diz que em todos havia temor, por causa dos “muitos prodígios e sinais... feitos por intermédio dos apóstolos”. Deus cura as pessoas de suas feridas, une lares destroçados, liberta pessoas da escravidão do pecado.  Entendamos as palavras:  PRODÍGIO = “DUNAMIS” - Significa poder real. O milagre tipo prodígio demonstra o poder de Deus, e apela à nossa admiração, pasmo, reverência. É o exercício do poder divino na esfera deste mundo humano e natural. SINAL = “SEMEION” - Significa marca, prova. O milagre com este nome é um meio autenticador divino e apela à nossa razão. Como sinal fala do reino espiritual superior de Deus, cujas verdades são simbolizadas por estes sinais reveladores. Portanto, este termo destaca o aspecto teológico e doutrinário do milagre divino. Em resumo, Ele transforma vidas. Quando a igreja segue o plano de Deus, Ele fará coisas admiráveis e poderosas em vidas individuais diante de um mundo observador.

    Aprendemos (conforme o texto de Atos 2. 42-47) que o culto da igreja primitiva  era  alegre e reverente. Não se pode duvidar da alegria deles; está escrito que tinha alegria e singeleza de coração (46). Mas cada culto de adoração deveria ser uma alegre celebração dos atos poderosos de Deus através de Jesus Cristo. O culto público pode ser majestoso, mas é imperdoável que seja enfadonho. Ao mesmo tempo, a alegria deles nunca era irreverente. Se a alegria do Senhor for uma obra do Espírito, o temor do Senhor também será autêntico. Em cada alma havia temor (v.43), isso parece incluir tantos cristãos como não-cristãos. Deus havia visitado a cidade; estava no meio deles, e eles sabiam disso: curvavam-se diante dele com humildade, maravilhados. Entretanto, é errado imaginar que, no culto público, reverência e alegria sejam mutuamente excludentes. A combinação entre alegria e temor, dá um equilíbrio saudável à adoração.

    Mediante esta performance apresentada pela igreja primitiva, compreendemos que o temor a Deus nos empurra para viver da graça e pela graça de Deus. Temê-LO é estar cheio de Deus. Quando estamos cheios de Deus, nós experimentamos a Sua graça, e as pessoas veem em nós esta mesma graça.

    O temor a Deus é um dos frutos gerados pela comunhão cristã. Pois, a verdadeira comunhão frutifica, na vida da igreja como um todo e na vida de cada cristão em particular, um santo temor a Deus. Lucas destaca: “Em cada alma havia temor” (Atos 2.43). E o temor a Deus, como todos sabem, é o princípio do saber (Provérbios 1.7). 

    O temor, então, é uma trilha para o enriquecimento de nossa vida espiritual. Se, através do temor, aprendemos a reverenciar a Deus, certamente nossos pés serão postos no caminho que leva à sabedoria.

    O texto bíblico de Atos 2. 43, 46-47: ensina-nos   que devemos nos aproximar de Deus com gratidão, com louvor e com ação de graças. Mas o regozijo sem reverência se transforma em encenação espiritual, e estamos vivendo num período assim.  Precisamos mais do que nunca aprender a colocar a reverência em nosso regozijo. A reverência começa com o temor.  O temor é o caminho para a reverência. Na concepção bíblica temor e medo são sentimentos diferentes. Pois, o medo nos afasta de Deus. O temor nos coloca trêmulos aos Seus pés.

    O temor dá lugar à reverência, e com a reverência, a alegria se desperta novamente. A encenação espiritual dá lugar à verdadeira adoração. Por isso, que o seu regozijo seja cheio de reverência e temor piedoso.

    Eu anseio ver a nossa igreja viva para Deus e para a comunidade. Uma igreja que ensine doutrina com zelo e adore a Deus com fervor. Tema a Deus com regozijo, ame e acolha aos que se aproximam. Uma igreja que prega a verdade, mas vive em amor. Uma igreja onde a proclamação não está na contramão da comunhão.

    Que o meu e o seu anseio se torne motivo das nossas orações até que vejamos cair sobre nós essa bendita chuva da restauração espiritual. Aleluia!

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

     

  • 243 - O lugar mais seguro da terra
    11/02/2018

    Com a ideia de fazermos uma pastoral pensando no aniversário de nossa igreja, resolvi fazer um resumo e uma adaptação do livro de Larry Crabb, “O lugar mais seguro da Terra”, que faz uma alusão à igreja.

    O presente livro, como o próprio nome já diz, trata sobre a comunidade cristã, o Lugar mais seguro da Terra, lugar aonde as pessoas podem se conectar e se transformarem para sempre. Lugar onde essa comunidade tem a capacidade de exercer uma função terapêutica, capaz de transformar a vida de muitos cristãos que estão longe de vivenciar as bênçãos da unidade do Corpo de Cristo. 

    O autor nos convida a virarmos nossas cadeiras enfileiradas, arrumadas, onde nenhuma se toca, a deixarmos de olhar para as “lindas nucas” de nossos irmãos, sairmos da nossa zona de conforto, do estado de dormência e torpor que permanecemos durante anos, para derramarmos a nossa vida na vida de outras pessoas que necessitam ser aceitas, e necessitam conhecer a transformação que ocorre quando os Filhos de Deus resolvem deixar de lados suas vidas egoístas, individualistas, e se voltam ao Espírito de Deus e andam no caminho estreito, trilhado por aqueles que entendem e celebram sua total dependência de Deus e dos outros, permanecendo firmes em Espírito e em Verdade.

    Larry Crabb tenta mostrar e nos dar imagens claras e brilhantes do único caminho que leva a vida, que desencadeia à verdadeira comunidade espiritual, do local mais seguro da Terra, onde as almas aflitas podem se conectar e serem transformadas pelo poder do Espírito para sempre.

    Muitas experiências vividas por Crabb, com sua esposa, como crises pessoais, momentos com amigos e irmãos em Cristo, depois de refletir sobre a aflição humana e sua importância, o autor, mesmo sendo psicoterapeuta, relata em toda a sua obra o grande significado da comunidade espiritual, enfatizando em muitos momentos que não haveria psicólogos, não haveria tratamentos para muitos problemas e distúrbios da alma se houvesse mais e verdadeiros amigos de alma dentro das comunidades cristãs. 

    O autor nos auxilia a uma compreensão da importância dos amigos nos momentos de dificuldades e lutas.  Assim, também, define uma maneira mais prática de nos expormos a outras pessoas no mundo em que vivemos.

    Compartilhar de uma comunidade espiritual não será fácil. Não é cômodo e agradável reconhecer nossa condição de aflitos, nossa confusão quanto às muitas questões que vivenciamos, mas será de grande valia acolhê-la com sabedoria em nossa caminhada, rumo à verdadeira estatura de co-herdeiros de Cristo. Muitas vezes a decepção baterá a nossa porta. O cristianismo não nos promete somente felicidade, mas a dor e o sofrimento certamente virão para nos provar e nos moldar para sermos verdadeiros amigos de alma, conselheiros e amigos espirituais.

    A comunidade clama por pessoas que abram seus corações, que não coloquem para debaixo do tapete suas deformidades morais, mas a revelam em seus piores momentos, com desejo de serem aceitos e mudarem de rumo, de alvo.

    Relacionamentos verdadeiros, ricos em profundidade com um oceano, coesos e dinâmicos como uma barreira de coral, só podem ser formados, para Larry, por pequenos grupos, sendo levados a voltarem suas cadeiras uns para os outros, conseguem se conhecer verdadeiramente, se facilita a conhecer as mazelas uns dos outros, aprender a viver em conjunto, em união, rumo à dinâmica que Jesus nos ensinou.

    Larry Crabb nesse maravilhoso e intrigante livro, com uma linguagem simples e didática nos convida a fazermos parte dessa comunidade, a invertermos a ordem do mundo, a expormos as dificuldades, os medos, mergulharmos no mundo problemático e difícil dos relacionamentos, admitir nosso fracasso, identificar as tensões, explorar nossas falhas, a não sermos simples gerentes de nossa vida, mas sim verdadeiros discípulos.

    Nosso Senhor Jesus orou para que nos tornássemos um, como Ele e o Pai são um, não há como esperar, já é tempo de edificar a igreja, uma comunidade de pessoas que se refugiam em Deus e encorajam umas às outras a não fugirem em busca de outro socorro, uma comunidade de amigos que sabem que a única maneira de viver neste mundo é se dedicando à vida espiritual.

    Queridos da IPPI que a nossa comunidade possa também ter este retrato de vida cristã, para que deixemos os não-cristãos curiosos e querendo experimentar desse presente, dessa dádiva. “...onde as pessoas se conectam e se transformam para sempre”

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

     

  • 242 - Da comemoração à responsabilidade
    04/02/2018

    Estamos caminhando para o quinto (5) ano de aniversário da nossa amada igreja e, por isso, hoje iniciamos aqui na Igreja Presbiteriana do Parque Industrial, os nossos 25 Dias de Oração por uma igreja que cresça em sua responsabilidade de contribuir para o crescimento do evangelho. Um tempo de uma vida sensível na presença do Senhor. Pois bem, nesta pastoral comemorativa desenvolvemos um tema, que expressa um movimento saudável para todos os cristãos, que é: da COMEMORAÇÃO à RESPONSABILIDADE. Apesar da grande felicidade por mais um ano de cuidado, ajuda, proteção, sustento... do Senhor, estamos conscientes de que fizemos pouco neste período.

    Dessa forma, acreditamos que as experiências advindas destes anos, não devem ficar nas páginas amareladas da história ou simplesmente na nossa lembrança. Deus quer também, colocar para cada membro da IPPI uma indagação relevante – O que a nossa igreja pode fazer mais pelo nosso bairro e região? 

    Recorramos à Bíblia. O capítulo 11 de Mateus (versículos 28 a 30) nos diz: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração: e achareis descanso para vossas almas porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” O que Jesus propõe é uma antítese à deturpada vida da cidade. Acreditamos que a nossa igreja, na qualidade de Corpo de Cristo, tem de incorporar este texto como estratégia de ação. Jesus está se propondo como solução para a sobrecarga e o cansaço do indivíduo. Ora, não há melhor maneira de definir o que a cidade produz na sociedade, senão pelo cansaço e sobrecarga. Até os vitoriosos estão assim, pois, a vitória, custou-lhes um alto preço que, certamente, a exemplo dos vencidos, também os fez ficarem exauridos.  

    A Igreja, portanto, percebendo isto, tem – o exemplo do Senhor – apresentar-se à cidade como antítese da vida urbana. Um lugar de refrigério e de descanso para estes esgotados. Isto quer dizer que, se na cidade há competição, na igreja deve haver cooperação; se lá, há perda de identidade, aqui, deve haver pleno autoconhecimento; se naquela, há solidão, nesta, deve haver comunidade.  

    Na Igreja a pessoa deve ser valorizada pelo que é e deve ter acesso aos valores que a cidade escamoteia (furta com habilidade, esconde, faz desaparecer sem que se perceba). A proposta de Jesus é que aprendamos dele. Você sabe qual a ideia de jugo neste texto? A figura que está sendo evocada é a do carro de boi. Jesus se apresenta como um dos bois que puxam o carro e está convidando a cada um de nós para que sejamos o outro, para dividirmos com Ele a carga. 

    À medida que caminhamos com Jesus na estrada da vida, aprendemos a viver com Ele, a enxergar a vida sob o Seu prisma, relacionando-nos com as pessoas como Jesus se relaciona. A ideia é mesmo a de um aprendizado. Jesus disse que haverá descanso àqueles que andarem lado a lado com Ele, pois é humilde de coração. De fato, só os humildes encontram descanso, pois não precisam provar nada a ninguém...

    Realizam-se naquilo que são, não naquilo que têm. Apenas os que descobrem que o sentido da vida é ser e não, ter, são capazes de abrir mão da fome e sede de poder; do egoísmo; do orgulho e da vaidade; encontrando, então, descanso para as suas almas. Toda essa disciplina não é fácil para o ser humano, pois é um confronto direto com a sua natureza. Precisamos aprender com Jesus. Ele disse que não precisamos nos assustar porque a carga é leve. Aqueles que estavam sobrecarregados deixaram seu fardo quando se uniram a Jesus e, agora, carregam um fardo novo, o fardo Dele, cujo peso não exige esforço porque, como a Bíblia nos ensina, é Ele quem carrega as nossas ansiedades (1 Pedro 5.7). A palavra de Cristo é que Ele não veio “esmagar a cana quebrada nem apagar a torcida que fumega” (Mateus 12.20). Jesus não tem nenhuma intenção de acabar com aqueles que já estão sendo destruídos, pelo contrário, a ideia é a de restauração. 

    Portanto, se a nossa igreja quer ganhar os bairros circunvizinhos, tem de oferecer aquilo que Jesus ofereceu, isto é, descanso e paz às almas. A Igreja tem de ser o meio através do qual Jesus atingirá cada pessoa, um lugar de refrigério e humanidade. Neste aniversário, Deus está presenteando a nossa igreja, com um grande desafio – De sermos uma comunidade transformadora. Um lugar de salvação, cura, restauração, onde as pessoas possam ser transparentes e amadas como são.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

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