Informativos / Boletins

  • 238 - Hoje é o melhor dia do ano
    17/12/2017

    Mais uma vez declaramos como este ano passou tão rápido, já está aí à comemoração do natal e as festas de ano novo. Desta forma, tenho aprendido a olhar o ano todo com as lentes de Deus, para ver e aproveitar as oportunidades que Ele me dá, pois, assim as vejo acenando para eu agarrá-las.

    Portanto, queridos não sejamos uma pessoa que diz: “Preparar, apontar... apontar... apontar... apontar...” Não malhe o ferro a frio. Tão logo uma oportunidade se apresente, agarre-a! Não importa quão pequena seja a oportunidade, use-a! Faça o que precisa fazer, quando tiver de ser feito, quer goste disso ou não. “Aquele que hesita perde o sinal verde, acerta uma traseira e perde a vaga no estacionamento” (Herbert Prochnow).

    Os que têm uma vida improdutiva têm uma convicção enganosa: hoje não é um dia importante. Todo dia chega carregado de presentes. Desfaça o laço, rasgue o papel e abra-os. Escreva em seu
    coração todos os dias: Hoje é o melhor dia do ano. Até a pessoa indecisa aprender a jogar os jogadores já se dispersaram e as regras mudaram. Agarre a oportunidade quando e onde ela se apresentar. A vida é composta de chamadas constantes para a ação.

    John Maxwell observa: “Líderes de sucesso têm a coragem de agir enquanto outros hesitam”. Você nunca vai saber do que é capaz enquanto não começar. Lembre-se: no momento em que disser “eu desisto”, alguém está vendo a mesma situação e dizendo “nossa, que oportunidade formidável”.

    Em última análise, as oportunidades não são perdidas; alguém fica com as que alguém deixou passar. Um segredo de grandes conquistas na vida é ficar pronto para a oportunidade quanto ela surge. A habilidade de nada serve sem a oportunidade.

    O tempo voa. Se você vai pilotá-lo, a escolha é sua: “Tudo acontece àquele que é diligente enquanto espera” (Thomas Edison). Tenho observado que pessoas produtivas vão em frente durante o tempo que outros desperdiçam. Seja ligeiro para utilizar o momento.

    Já é mais tarde do que você pensa. Esteja pronto agora. O alarme do relógio da vida não tem botão de espera. Não faz bem algum “levantar e tomar ciência” se você se senta assim que a oportunidade se vai. Olhe para ela, faça uma estimativa e tome uma decisão. Você adia a vida quando não consegue direcionar a mente.

    William Ward tem esta receita pra o sucesso:Estude enquanto as pessoas estão dormindo; trabalhe enquanto elas estão ociosas; prepare-se enquanto estão se divertindo; e sonhe enquanto elas estão desejando.

    Não há nenhum tempo que se assemelhe ao presente, e não há nenhum presente semelhante ao tempo. Aqueles que se aproveitam de sua vantagem obtém as vantagens. Não se pegue no fim da vida dizendo: “Que vida maravilhosa eu tive! Só queria ter percebido isso antes”.

    Mediante esta exposição, observemos os imperativos (ordens) divinos que estão nos alertando constantemente, através das leituras bíblicas. Pois, nestes somos chamados para remir o tempo (Efésios 5.16) e despertar de nosso desânimo, apatia, (Efésios 5.14), para aproveitarmos as oportunidades que Deus coloca em nossas vidas. Lembrem-se queridos o tempo é hoje, “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração.” (Hebreus 4.7).

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 237 - Experiência x Bíblia
    10/12/2017

    Hoje, dia 10 de dezembro, comemoramos o Dia da Bíblia e, por conseguinte, resolvemos escrever uma pastoral que retrate a sua importância. Pois muitos cristãos ainda se atritam quando falam dela. Se no começo do século 20 questionava-se a integridade dos textos canônicos, hoje esse debate já não desperta muita contenda. É pacífico, no mundo evangélico a crença nas Escrituras, sua inerrância (sem erro,
    infalível, incontestável) permanece como uma das grandes conquistas evangélicos, frente aos ataques da alta crítica e do liberalismo teológico. Entretanto, nesse século a tensão repousa na hermenêutica bíblica. Ou seja, a maneira como as pessoas leem as Escrituras, embora confessando acreditarem na sua inspiração, pode gerar tanta confusão quanto nos dias em que se desafiava a autenticidade da Bíblia. Quando alguém fala que crê em alguma doutrina, o que na verdade quer dizer com isso? Hoje é possível alguém recitar tudo o que crê, de acordo com os mais ortodoxos catecismos, mas desenvolve uma prática totalmente distante daquilo que confessa.

    Quantas igrejas pregam uma salvação pela fé, mas adotam uma prática legalista onde as obras contribuem também para a salvação. Dizem que só Jesus salva, mas tornam sua instituição corresponsável pela salvação de vidas, já que não toleram a ideia que uma pessoa possa ser salva em outra igreja. Afirmam que a Bíblia é única regra de fé e prática, mas convivem com doutrinas e práticas que dificilmente encontram respaldo bíblico.

    Portanto, a Igreja evangélica necessita, refletir biblicamente e teologicamente os conteúdos de sua fé. A Bíblia deve interpretar a própria Bíblia – Esse pressuposto admite que a Bíblia, contem em si mesma, os argumentos elucidativos de quaisquer dúvidas.

    Um dos principais reclames da Reforma Protestante no século XVI consistiu na recuperação do valor doutrinário da Bíblia. Quando a igreja católica teimava que a tradição deveria ser colocada em igualdade com a Escritura, os reformadores vociferavam (reclamar intensamente) com o dedo em riste; Sola Scriptura. Agora, no final do século XX o debate acontece entre os próprios protestantes e concerne o valor da experiência quando se quer  determinar doutrina. O axioma (verdade inquestionável) de que a Escritura julga a experiência e jamais a experiência deve julgar a Escritura ultimamente vem sendo fragilizado pela prática de algumas igrejas.

    A prática de permitir que as experiências adquiram valor teológico, mais uma vez vulnerabiliza a igreja pois os seus balizamentos doutrinários não dependem exclusivamente da Bíblia, mas dos acontecimentos cotidianos. A maneira com que se lê a Escritura, nesse caso, já vem determinado de antemão pela experiência.

    Há uma doutrina errada sobre a possibilidade do diabo possuir um verdadeiro cristão, fornece um exemplo típico. Aqueles que defendem essa posição partem da experiência para provar a doutrina. Argumentam que presenciaram um crente endemoninhado em certa reunião, daí procuram, na Bíblia, os versículos que provem o que observaram. Como há uma grande quantidade de textos que falam das ameaças de Satanás, tirados de seu contexto, esses versículos passam a servir de base para uma nova doutrina. Há muitos outros exemplos, todos aparentemente sem grandes perigos doutrinários senão o alastramento de práticas mais bizarras, menos ortodoxas.

    Há maior solidez, quando o método de comprovação doutrinária segue um caminho inverso. Alicerçados na doutrina bíblica as pessoas observarão aquela doutrina, confiantes que um cristão habitado pelo Espírito Santo não pode, ao mesmo tempo, ser possesso de um espírito imundo. A Bíblia julgará aquela experiência e determinará que aquela pessoa possessa, na verdade, não havia nascido de novo. Assim, a comunidade não vive à mercê de todo e qualquer modismo teológico, preserva-se a Palavra de Deus como única regra de fé e prática e poupam-se os crentes da apostasia (abandono da fé).

    O grande avivamento brasileiro só acontecerá de fato, se a Palavra de Deus permanecer como seu principal alicerce. Não se tem notícia de qualquer genuíno avivamento na história que não começasse por uma sede de estudar, meditar e pregar a Palavra de Deus. Todos os avivalistas foram pessoas que não só amaram como se mantiveram firmes à Palavra. Os movimentos religiosos que relativizaram a Palavra descambaram para o fanatismo e por fim, a heresia.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 236 - Vencendo as memórias amargas
    03/12/2017

    Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade..” Salmo 129.1

    Nesta pastoral estudaremos o Salmo 129. Esse “cântico de romagem”, entoado pelos que iam ao Templo adorar a Deus, foi, provavelmente, composto em dias nos quais Israel sofria com ataques de inimigos e em que o perigo estava literalmente ao redor. Na ocasião, ele serviu como oração por libertação e fonte de coragem e esperança para o povo. Para os peregrinos que entoavam o salmo, ele servia para lembrar
    que havia promessas a Israel a serem cumpridas, para as quais a história do seu povo fornecia razões de sobra para que confiassem nelas. Desse modo, apesar de narrar um pouco da sofrida história dos
    judeus e de pronunciar imprecações desconfortáveis para o leitor, trata- se de um salmo tremendamente prático com lições muito importantes sobre como vencer as memórias amargas. Então, vejamos em detalhes estas lições:

    DORES HISTÓRICAS

    O interessante é que a Bíblia descreve neste salmo algumas das angústias que marcam, definem e lancetam a vida de cada um de nós. Inicialmente ela diz que são angústia objetivas (são dores históricas);
    tão objetivas, que o salmista evoca um testemunho concreto de um observador presente. Talvez você próprio esteja vivendo nesta agonia concreta, real, insofismável. V.1 – Angústia passível de observação; tão grande que poderia ser historiável; tão grande que poderia ser narrável, observável, detectável, perceptível.

    RELAÇÕES AMARGAS

    Em segundo lugar, afirma a Bíblia que podem ser angústias resultantes de ódios contra nós dirigidos. Diz a Palavra: “Muitas vezes me angustiaram”. Eles me angustiaram. Este “eles” Davi desencapuza,
    dizendo no v. 4 que são “os ímpios”.

    ANGÚSTIAS FORTUITAS

    Em terceiro lugar, ele diz que podem ser angústias, e que elas a ninguém isentam em tempo algum. Elas não elegem pessoas; são por assim dizer socializadas com a espécie humana: é a socialização da dor.
    É interessante observar que ele diz: “desde a mocidade me angustiaram”. Pode ser uma realidade presente na vida até dos moços.

    DORES MARCANTES

    Em quarto lugar, diz a Palavra de Deus que essas angústias marcam para o resto da vida. Veja como o v. 3 é fortíssimo, de uma linguagem inimaginável, inimitável. Ele diz: “Sobre o meu dorso lavraram os aradores; nele abriram longos sulcos”.

    O que eu quero realmente dizer é que a palavra de Deus nos ensina a enfrentar as situações angustiosas da vida e a prevalecer sobre elas. Ela nos mostra como impactar, encarar, ficar face a face; estimula-nos a enfrentá-las, sobrepujá-las, vencê-las no nome de Jesus. E para que isso aconteça é preciso que tenhamos quatro visões, quatro perspectivas básicas da vida.

    1) Em primeiro lugar, é preciso ver a Deus como Salvador justo; e não só como Salvador, mas como Salvador-justo que advoga a minha causa, que vem ao meu encontro, que não concorda com o episódio definitivo feito sobre a minha vida – um Salvador das minhas brigas. O v. 4

    2) Em segundo lugar, para enfrentar essas situações angustiosas e prevalecer sobre elas eu preciso ver os meus inimigos como inimigos de Deus. O vs. 5

    3) Em terceiro lugar, para você enfrentar as situações angustiosas da vida e prevalecer sobre elas é preciso ver o futuro dos que se deixam mover pelo ódio.Entre os vs. 6 - 8 descreve como as coisas acontecem no futuro dessa gente:3.1) Primeiramente Davi diz que eles têm uma vida sem futuro algum. (v.6);3.2) Diz ainda que o que ele enxerga sobre o futuro desses homens é que eles têm uma vida absolutamente inútil. (v.7);3.3) E assim, ele olha para a frente e vê que a vida dessas pessoas é uma vida que não inspira ninguém. (v.8).

    4) Em quarto lugar, se você quiser aprender a enfrentar essas situações e prevalecer sobre elas é preciso ver a vida como cenário de bênção, e não de amargura. (8b)

    "Assim, a partir das gratas lembranças do passado, o salmista olha para o presente como ocasião de depender de Deus em oração e de crer que ele, que está no controle de tudo, tratará a maldade do inimigo como ela merece ser tratada" (Pr. Thomas Tronco). Vê-se que os israelitas tomaram a história da ação de Deus como um padrão para sua atuação no presente e no futuro. A gratidão pela proteção divina no passado se tornou, para eles, oração confiante no presente e esperança corajosa a respeito do futuro. Desta forma queridos, aprendamos com estas lições para vencermos sempre com o auxílio do Senhor, as nossas memórias amargas.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 235 - Uma missão ideal também para hoje
    26/11/2017

    Aprendemos com o apóstolo Paulo, que ele não se limitava em ensinar a Palavra de Deus apenas aos locais religiosos. O apóstolo ia ao encontro das pessoas, onde elas estavam, tanto em Corinto como em Éfeso (Atos 18 e 19) vemos este ideal missionário por parte dele. Era um evangelista que sentia cheiro de gente. Estava nas ruas, nas praças, nas escolas. Era um pregador fora dos portões.

    Lemos em Atos 19.8-20 que Paulo expôs o evangelho de modo sério, bem estruturado e persuasivo. Ele acreditava na veracidade do evangelho e por isso não tinha medo de enfrentar as mentes de seus ouvintes. Ele procurava convencer a fim de converter, e de fato, como Lucas deixa bem claro, muitos foram “persuadidos”. É claro que os argumentos não substituem o Espírito Santo. Mas a confiança no Espírito Santo também não substitui os argumentos. Nunca se deve jogar um contra o outro, como se fosse excludentes. Não, o Espírito Santo é o Espírito da verdade, e ele não leva as pessoas à fé em Cristo apesar da evidência, mas por causa da evidência, quando ele lhes abre a mente para ouvi-la.

    É interessante destacarmos que em Éfeso até às 11 horas da manhã, o apóstolo Paulo trabalhava fazendo tendas e Tirano dava aulas em sua escola. Das 11h às 16h (esse era o tempo de sesta entre os habitantes). Conjectura-se que Paulo pode usar esse espaço por um preço razoável, pois ele não era usado nessa parte do dia. Assim, Tirano repousava, a escola ficava desocupada, e Paulo deixava o couro para trabalhar com as palavras, durante cinco horas, parando apenas às quatro da tarde, quando toda cidade reassumia o trabalho. Não nos surpreende que Lucas afirme que “todos os habitantes da Ásia” ouviram a palavra do Senhor (Atos 19.10). Pois todas as estradas da Ásia convergiam paraÉfeso, e todos os habitantes da Ásia visitavam Éfeso de tempos em tempos, para comprar ou vender, visitar um parente, frequentar os banhos, ver os jogos no estádio, assistir a um drama no teatro, ou cultuar a deusa. E enquanto estavam em Éfeso, eles ouviam falar neste mestre cristão chamado Paulo, que falava e respondia perguntas durante cinco horas, todos os dias. Evidentemente, muitos passaram por ali, ouviram e se converteram.

    Em Éfeso, Cristo encorajou seu apóstolo e retificou seu ensino através de sinais e milagres que demonstravam o poder de Cristo sobre doenças, possessões demoníacas e magia. (Atos 19.11,12). Alguns religiosos ficam desconcertados com essa passagem e tendem a rejeitá-la como lenda. Pois, a atitude mais sábia perante os milagres não é a dos céticos, que os declaram espúrios; nem a dos imitadores, que tentam copiá-los, como aqueles televangelistas que oferecem aos doentes lenços abençoados por eles, mas sim a dos estudiosos da Bíblia que lembram que Paulo via seus milagres como credenciais apostólicas e que Jesus mesmo foi condescendente com a fé tímida de uma mulher, curando-a quando ela tocou a orla de sua roupa.

    Éfeso era famosa por suas “cartas efésias”, que eram “encantamentos, amuletos e talismãs escritos”. O fato de os recém-convertidos estarem dispostos a jogar seus livros no fogo, em vez de converter o seu valor em dinheiro, vendendo-os, era uma evidência notável da sinceridade de suas conversões. O exemplo deles levou a outras conversões, pois assim a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente (Atos 19.20).

    Pois bem, em Atos 19.20 aprendemos que quando os cristãos em Éfeso se tornaram realmente sérios sobre sua fé e viveram-na de fato, não somente a Palavra do Senhor se espalhou amplamente, mas também “cresceu em poder.” Foi neste momento que o povo da Ásia não só ouviu o evangelho, mas também acreditou e começou a seguir a Cristo. Esse é o desafio para nós. Será que estamos realmente levando a sério a nossa fé para que ela influencie, mais do que isso, determine a forma como vivemos? É só assim, que o evangelho que nós compartilhamos vai crescer no poder.

    Amados irmãos será que as lições contidas no texto de Atos 19. 8-20 são pertinentes à nossa igreja? Desejamos ardentemente ser uma comunidade ensinadora? Pois, com o aprendizado desta passagem bíblica somos desafiados a não perdermos a oportunidade de ensinar a Palavra nos templos, onde pessoas religiosas se reúnem. De igual Otáviomodo, compreendemos a estratégia dos espaços neutros, como fábricas, lares, salas de shopping, escolas, e hotéis. Com vistas a atingir pessoas que, ainda hoje, encontram resistência para entrar num lugar religioso, mas não oferecem qualquer resistência para ir a um lugar neutro. O certo é que os dois anos de ensino diários de Paulo resultaram na evangelização de toda a província.

    Encerro com a citação de George Fox: “Que todas as nações possam ouvir a palavra falada e escrita. Não poupe lugar, tampouco poupe a língua ou a pena; antes, seja obediente ao Senhor Deus e desempenhe a tarefa, e seja valente em nome da Verdade sobre a Terra”. É Cristo quem nos chama; também nos dará o poder!

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 234 - “Será que o que o Senhor está fazendo é justo?”
    19/11/2017

    “Será que o que o Senhor está fazendo é justo?”

    (Habacuque 1: 12-2.1)

    Nesta passagem o profeta Habacuque lida com a dificuldade de entender a soberania divina e o seu juízo. Tal controle de Deus sobre a história e aparente descuido para com o seu povo, pode levar até crentes fiéis à beira da apostasia. 

    Ele não está se rebelando contra Deus nesta segunda reclamação. Existem elementos de fé misturados com sua confusão teológica. Habacuque apelou para os atributos de Deus e para o relacionamento pactual com o seu povo (Habacuque 1.12). Sobre os atributos de Deus, ele menciona “eternidade” que aponta para Deus controlando a história (Isaías 46.10). Para quem sofre com as agruras (aflições, sofrimentos) temporais, não se pode apelar para um deus temporal. É preciso recorrer a quem está fora a além do tempo. O socorro do tempo presente só vem de quem criou o tempo e controla o passado, presente e futuro. Se Deus é desde a eternidade, ele o será para toda a eternidade, e isto faz com que o Deus inabalável seja a única esperança de um povo à beira da destruição. Em segundo lugar, Habacuque relembra que Deus é “Santo”, isto é, ele não pode ser complacente com o mal (Habacuque 1.13). Deus não pode fazer vistas grossas para com a maldade dos caldeus. Afinal, ele odeia a prática da iniquidade (Salmo 5.4,5). Em terceiro lugar, Deus também é a “Rocha”, um título que descreve um lugar de segurança (Salmo 18.2). A figura da rocha comunica o poder, a estabilidade, a imutabilidade de Deus.

    Sobre o relacionamento pactual, ele chama o Senhor de “meu Deus, meu Santo” expressando assim o caráter pessoal desse relacionamento. A importância desse pronome pessoal ganha vida quando comparamos a atitude de Habacuque com a atitude do rei Saul. Depois de dura confrontação do profeta Samuel pela sua desobediência a ponto de retirar o reino de Saul (veja 1 Samuel 15.1-29), o rei implora para que Samuel não o abandone e interceda por ele ao Senhor “teu Deus” (1 Samuel 15.30). Saul, o rei de Israel, não tem a intimidade de chamar Iavé de seu Deus. E isto não se dá por conta do pecado somente, pois Davi tem receio de que Deus lhe retire o reino – como o fez com Saul – devido ao seu adultério, mas ele continua rogando a Deus como seu Deus (Salmo 51). Habacuque continua confiando na aliança de Deus para consigo, mesmo fazendo parte de um povo vil e transgressor. Por isso, ele expressa a confiança de que o povo de Deus não será aniquilado: “Não morreremos” (veja Salmo 118.18; Malaquias 3.6). Deus não poderia ter trazido Abraão de Ur dos caldeus para viver numa terra estranha e lhe dado filhos de forma miraculosa, não poderia ter sustentado a família de Jacó com o pão do Egito, não poderia ter livrado o seu povo a conquistar Canaã sem treinamento militar, Deus não poderia ter feito tudo isto para deixar o seu povo perecer. Habacuque sabia das promessas de Deus de remir um povo, de trazer o Messias dentre este povo, das promessas divinas para com o povo. Ele sabia que a promessa central da aliança era a de ser Deus e o Deus da sua descendência. É nisto que ele se baseia para crer que Deus não poderia romper a sua aliança. Até o castigo era parte de sua promessa, mas a destruição total do povo não poderia acontecer. Jeremias escreve que Deus castigaria em justa medida, mas não daria cabo do seu povo (Jeremias 30.11). Em toda a história, Deus preservara um remanescente. Mesmo confuso Habacuque ainda crê. Ele estava perplexo, mas não desesperado.

    Sendo assim, querido não permita que a sua perplexidade se resuma no seguinte questionamento: “Será que o que o Senhor está fazendo é justo?” Mesmo que a cura pareça ser pior do que a doença. Peçamos ao Senhor que nos faça mais maduros na fé, mais santificados, e recebamos a receita divina que às vezes contém ainda mais sofrimento (Tiago 1. 2-4). É estranho pensar que Deus possa usar instrumentos maus para nos corrigir. Diante de tal justiça aparentemente invertida, não considere a sua fidelidade a Deus como sendo inútil, persevere, pois ele quer fazer de você uma versão melhor!

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

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