Informativos / Boletins

  • 241 - O até aqui e o daqui em diante de Deus
    07/01/2018

    Ao iniciarmos 2018 firmemos numa grande convicção: é sempre a fidelidade do Senhor, que faz com que perseveremos a despeito de quaisquer dificuldades. Portanto é a bondade divina, que nos ajuda a sermos fiéis no comprometimento deste excelente e prazeroso alvo. E neste ano, mediante há tantos desafios, como brasileiros e acima de tudo como servos de Cristo, creiamos e pratiquemos a declaração do profeta Samuel “Ebenézer” – “Até aqui o Senhor nos ajudou”. A nossa confiança é de que o Senhor que sempre nos ajuda, também há de acompanhar-nos por toda a jornada proposta por Ele!

    Assim como a declaração “Ebenézer” foi um portal de ânimo verdadeiro e durável para o povo de Deus, também a nossa oração é que esta mensagem bíblica igualmente gere ânimo dobrado em nossa comunidade, a fim de que tenhamos uma atuação reflexiva, relevante e próspera na cidade de Campinas.

    Desta forma, compreendamos um pouco da historicidade da expressão Ebenézer. Samuel foi o profeta mais importante desde Moisés, e também o último juiz de Israel. No final do período dos juízes, ele se projeta como aquele que ajuda Israel a se regozijar com o Senhor. Por meio dele, entramos na posse de uma palavra que é agora a senha para o poder de Deus que nos conduz ao caminho da perseverança: Ebenézer!

    Em hebraico, Ebenézer significa a pedra de ajuda. Samuel a usou numa época de vitória sobre os filisteus. Ele colocou uma enorme pedra entre Mispá e Sem, e a chamou Ebenézer, ao declarar: “Até aqui o Senhor nos ajudou”. Através dos séculos, o vocábulo se associou tanto com a oração de Samuel: “Até aqui o Senhor nos ajudou”, que o significado passou a ser quase sinônimo. Samuel tornou-se um dos grandes do Antigo Testamento porque fez de seu caráter um exemplo, ensinando a Israel à verdade libertadora do relacionamento inseparável entre a gratidão e a grandeza. Depois de ganhar a batalha, Samuel, em gratidão a Deus, construiu um altar e o chamou Ebenézer, a pedra da recordação. Diante de todo o povo ele disse: “Até aqui o Senhor nos ajudou”. Ana, sua mãe, teria ficado satisfeita, pois a sua gratidão se tornou o poder da grandeza de seu filho. O agradecimento nos prepara para um futuro triunfante.

    Todos nós precisamos dar graças pelo que passou e pelo que virá. A nossa capacidade de recordação, dada por Deus, deve ser preenchida com a Sua graça e com a nossa gratidão para recompensar as severidades de nossos fracassos. Quanta sensibilidade da parte de Samuel ao chamar de Ebenézer o seu altar de louvor!

    A expressão “até aqui” aponta também ao futuro. Ela não sugere que o povo de Israel já o tivesse alcançado, mas que o Deus que os trouxe até ali lhes reservava um futuro empolgante.

    Charles Haddon Spurgeon captou a dinâmica da expressão “até aqui”, ao afirmar: “A expressão [...] aponta para algo além. Pois, quando alguém chega a certo limite e escreve “até aqui”, ele não está ainda no fim; há ainda um longo caminho a ser percorrido. Mais provações, mais lutas, mais vitórias [...] Oh, tenha bom ânimo, cristão, e com grata confiança edifique o seu “Ebenézer”. Nossa confiança é de que o Senhor, que até aqui nos tem ajudado, há de acompanhar-nos por toda a nossa jornada!

    A estátua que Michelangelo esculpiu de Davi foi feita de um pedaço de mármore que outro artista havia rejeitado e jogado fora. Isso é o que Deus faz com o nosso passado. O que rejeitamos, ele transforma em algo de beleza duradoura. Ele nos dá poder para regozijar-nos com a nova pessoa que ele esculpiu a partir das experiências infelizes de nossos dias passados. Nossa atenção, agora, pode concentrar-se no que será, em vez de no que tem sido.

    O até aqui de Deus implica a promessa de daqui em diante. Samuel experimentou essa verdade. Os dias turbulentos dos últimos anos da vida de Samuel tiveram muitos Ebenézeres. Mas o que ele disse em sua primeira resposta ao chamado do senhor permaneceu como doutrina de sua vida. “Fala, pois o teu servo está ouvindo.”

    Pois bem, queridos da IPPI, nesta ação comparativa da intervenção de Deus no tempo, aprendamos com o sacerdote, último juiz, primeiro profeta Samuel a dar graças a Deus, pela grande ajuda divina na perseverança e, que ao iniciarmos 2018 continuemos a declarar: “até aqui nos ajudou o Senhor” e também, com muita fé ou como uma superlativa fé: “e Ele continuará a nos ajudar em 2018”! Assim, creiamos e trabalhemos por e para Ele em 2018!!!

    Pr. Carlos Roberto (Bob) 

  • 240 - Onde está a tua confiança para 2018?
    31/12/2018

    Diante das muitas mensagens desanimadoras recebidas para 2018, fiquemos com uma mensagem extraída de Jeremias 17.5,6: “Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do SENHOR! Porque será como o arbusto solitário no deserto e não verá quando vier o bem; antes, morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável.”. Cremos que ao interpretar estes versículos corretamente, responderemos uma pergunta que não quer se calar: “Onde está a tua confiança para 2018?”

    Porquanto, é compreensível que os seres humanos tenham uma tendência natural de colocar suas esperanças em outros seres humanos, essa confiança é normal (quando confiamos na honestidade das pessoas, na discrição de um amigo, no conselho de um familiar, na esposa) é totalmente saudável. Porém Deus reprova-nos quando trocamos a nossa confiança e fé Nele, pela confiança em nós mesmos e em outros homens. É o pecado do orgulho, da altivez, da autossuficiência, da descrença em Deus. “e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR”! Deus através do profeta quer dizer que todos os recursos que precisamos vêm de Deus e não de nós mesmos. Logo, deseja que reconheçamos que não podemos fazer da carne mortal nosso braço, nem em relação a nós e nem em relação aos outros! Nunca apartemos o nosso coração de Deus, pois só Ele é digno de toda confiança.

    Jeremias 17.5, é um dos versículos mais mal compreendido da Bíblia. A maioria das pessoas gostam muito de citar o início do versículo, sem completá-lo, e utiliza-o fora do contexto para dizer que, não devemos confiar em nenhum homem. Mas essa ideia é contrária a Bíblia. (Pr. Bruno dos Santos)

    Como diz o pastor e escritor Jonas Madureira em seu livro “Inteligência Humilhada”, o versículo acima não é para quem foi traído por outro homem, ou seja, se você foi traído por alguém, não deveria usar esse versículo para dizer: “Viu só? Confiei no fulano, olha no que deu!”. O texto não fala de traição, mas de confiança. O texto se refere ao homem que confia em si mesmo, e não em Deus. Como disse muitos já sabem que deveriam depositar a confiança em Deus, entregar suas vidas a ele, e ter fé que ele está no controle de tudo. Muitos já sabem que não deveriam confiar em si mesmos, mas muitas vezes o “saber” não se reflete no agir. Desta forma, ao primeiro sinal de tempestade, vêm à ansiedade e o desespero. Isso reflete o quanto pensamos ter o controle, ou gostaríamos de tê-lo em nossas vidas. Os que confiam em si mesmos estão distantes de Deus, mas Deus está perto dos que nele confiam.

    O paralelismo do versículo é bastante elucidativo: o homem que confia no homem é aquele que confia em si mesmo, em seu próprio braço, em sua própria força, e que faz de si a fonte de sua confiança. Portanto, o homem que não é consciente de sua fraqueza confia cegamente na força que possui. Por isso, age como se fosse um ser independente e autônomo, mas, na verdade, ele está traindo a sua vocação original que não é outra senão confiar somente em Deus e em seu divino poder.

    Sobre isso Agostinho diz algo bastante interessante: “que esteja vigilante no amor da tua misericórdia e na doçura da tua graça, com a qual é poderoso todo o fraco, que por ela torna consciente da sua fraqueza”. Agostinho afirma que a graça torna o homem consciente de sua fraqueza, e, paradoxalmente, nisso está à força. A força dos que têm consciência da sua fraqueza está na confiança depositada em Deus e em sua maravilhosa graça.

    Que em 2018 continuemos certos de que a graça de Deus sempre encontra um meio de nos lembrar da nossa fraqueza. E cremos que isso é uma bênção, pois, confessamos que só Deus é digno de toda confiança. E todos os recursos que precisamos, para o próximo ano, vêm de Deus e não de nós mesmos. Mas também, aprendemos que se não existir da nossa parte “certa” confiança com as pessoas, nenhuma relação subsistiria, por exemplo: Se não houver nenhuma confiança do marido para com a esposa ou vice-versa, você acha que essa relação vai muito longe? Não! Se não houver “certa” confiança entre o patrão e o empregado você acha que essa parceria vai dar certo? Não! O que Deus nos adverte em Jeremias 17.5 é a respeito de fazer da carne mortal o nosso braço, a nossa força, a nossa fonte de recursos, por que quando isto acontece automaticamente à pessoa aparta o seu coração do Senhor.

    E hoje eu te convido a perseverarmos em 2018 na maravilhosa graça de Deus, para não deixarmos que a autoconfiança substitua a nossa confiança em Deus.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 239 - Mensagem natalina: Deus é maior que o nosso passado
    24/12/2017

    Neste natal estudemos novamente a genealogia de Cristo, escrita por Mateus (capítulo 1. 1-17). Porquanto, Mateus antes de começar a contar a história da vida de Jesus. Ele volta para o passado distante.
    Ele acha na história de um povo escolhido por Deus a destra do Senhor e um plano para sua salvação que vai se desenvolver através de séculos de história. Para percebemos que ele vem como o cumprimento de promessas e profecias.

    "As genealogias no contexto judaico eram importantes, pois comprovavam a descendência de alguém. Ao Mateus chamar Jesus de filho de Davi e de Abraão (v. 1) ele mostra que Deus é fiel à sua promessa.
    É digno de nota o fato de o evangelista dividir a sua genealogia em três grupos de 14 gerações (2-6, 6-11 e 12-16). Vale ressaltar que o terceiro grupo contêm somente treze nomes e no segundo grupo três
    gerações são omitidas (conforme 1 Crônicas 1-3). É sugerido por alguns teólogos que o número 14 tem um significado teológico, pois é atribuídos valores as consoantes hebraicas do nome de Davi (D [4] + V [6] + D [4]), caracterizando uma intencionalidade do profeta de demonstrar que Jesus é o novo Davi, o Rei de Israel" (Hugo Oliveira da Silva).

    JESUS SUPEROU AS TEORIAS DO COMPORTAMENTO HUMANO. Se dependesse das três teorias do comportamento humano, Jesus deveria ser a pessoa mais infeliz, triste, depressiva e mal-amada que já existiu. Visto que, Ele teve bons e maus exemplos em sua genealogia.

    Como também, todo ser humano possui em seu passado fatores genéticos, psicológicos e sociais que o influenciam positiva ou negativamente. Cada uma dessas teorias possui verdade, mas não determinam
    a vida do indivíduo. Jesus foi uma exceção a essas teorias, pois teve na sua família casos negativos e mesmo assim foi quem foi. Através de Cristo podemos vencer o passado negativo, pois através dele cada homem pode ser uma nova criatura independente do passado. 

    Fatores externos e internos podem ser vencidos. O seu passado pode ser sujo, fétido, feio e horripilante. Seus pais podem ter tido uma vida passada vergonhosa, onde você não teve nenhum bom exemplo
    na sua família. Parecemo-nos com os nossos pais, pois somos seus filhos. Temos lembranças do nosso passado porque vivemos em sociedade. Você tem medo que todas essas tragédias e fantasmas do
    passado floresçam na sua vida e você não consiga se desvencilhar dele. Cristo teve um passado nada animador, você pode ter um passado tão ruim quanto o dele, mas a vida dele foi um milagre e Ele também pode realizar um milagre na sua vida.

    E quando estudamos a GENEALOGIA DE CRISTO (que se encontra em Mateus 1. 1-17), podemos falar com toda assertividade, que ela ENSINA-NOS QUE A GRAÇA DELE É MAIOR. Porque ela é:
    Uma Graça que estabelece a base histórica da nossa fé. Até hoje pessoas educadas e bem instruídas, como professores de faculdade, dizem: “Jesus nunca existiu. Tudo isso é uma fantasia.” Pessoas inteligentes como cientistas e escritores dizem: “Jesus existiu, mas ele era apenas um fanático religioso.” “Jesus era um homem bom, talvez o melhor que existiu, mas essas histórias de milagres é invenção.” E assim vai. Mas, os relatos da genealogia de Jesus, fatos históricos que podem ser comprovados por fontes extra -bíblicos mostram que Deus fez sim milagres na história do nascimento do Cristo.

    Uma Graça que estabelece a base milagrosa da nossa fé. Jesus é o cumprimento de várias profecias a seu respeito. Estas profecias foram lançadas centenas de anos antes de seu nascimento. Mesmo assim, ele os cumpriu integralmente. Os registros históricos da sua descendência comprovam não somente que havia realmente um homem chamado Jesus de Nazaré, mas, que este homem foi da linhagem de descendentes que cumpriu as promessas divinas a respeito do Messias, o Cristo.

    Uma Graça que mostra que, tendo pessoas famosas ou bem religiosas na família não é documento para Deus. Havia membros de destaque e de grande fé na linhagem de Davi. Mas, havia pessoas
    também que cometeram grandes erros e pecados. Davi mesmo foi uma delas. Não devemos confiar num passado religioso de ninguém. A nossa confiança tem que ser no nosso relacionamento pessoal com Deus hoje e na graça e misericórdia dEle para conosco.

    Uma Graça que mostra que, apesar dos nossos erros ou dos nossos antepassados, Deus é capaz de usar todos e qualquer situação para realizar sua soberana vontade. Os antepassados de Jesus erraram,
    pecaram e cometeram atrocidades. Mas, nada disso impediu que Jesus fosse Rei, porque Deus é maior do que nosso passado.

    Jesus teve no seu passado familiar uma ascendência totalmente ruim, tudo conspirava contra Ele, mas venceu e saiu por cima quando tudo ia contra. O poder de Deus está ao nosso dispor para vencermos todas as influências negativas que conspiram contra cada um de nós. O Espírito Santo está ao nosso dispor para nos transformar em novas criaturas, pois através de Cristo tudo pode ser novo. Não deseja você deixar o passado para trás, e aceitar o poder de Deus para ser uma nova criatura?

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 238 - Hoje é o melhor dia do ano
    17/12/2017

    Mais uma vez declaramos como este ano passou tão rápido, já está aí à comemoração do natal e as festas de ano novo. Desta forma, tenho aprendido a olhar o ano todo com as lentes de Deus, para ver e aproveitar as oportunidades que Ele me dá, pois, assim as vejo acenando para eu agarrá-las.

    Portanto, queridos não sejamos uma pessoa que diz: “Preparar, apontar... apontar... apontar... apontar...” Não malhe o ferro a frio. Tão logo uma oportunidade se apresente, agarre-a! Não importa quão pequena seja a oportunidade, use-a! Faça o que precisa fazer, quando tiver de ser feito, quer goste disso ou não. “Aquele que hesita perde o sinal verde, acerta uma traseira e perde a vaga no estacionamento” (Herbert Prochnow).

    Os que têm uma vida improdutiva têm uma convicção enganosa: hoje não é um dia importante. Todo dia chega carregado de presentes. Desfaça o laço, rasgue o papel e abra-os. Escreva em seu
    coração todos os dias: Hoje é o melhor dia do ano. Até a pessoa indecisa aprender a jogar os jogadores já se dispersaram e as regras mudaram. Agarre a oportunidade quando e onde ela se apresentar. A vida é composta de chamadas constantes para a ação.

    John Maxwell observa: “Líderes de sucesso têm a coragem de agir enquanto outros hesitam”. Você nunca vai saber do que é capaz enquanto não começar. Lembre-se: no momento em que disser “eu desisto”, alguém está vendo a mesma situação e dizendo “nossa, que oportunidade formidável”.

    Em última análise, as oportunidades não são perdidas; alguém fica com as que alguém deixou passar. Um segredo de grandes conquistas na vida é ficar pronto para a oportunidade quanto ela surge. A habilidade de nada serve sem a oportunidade.

    O tempo voa. Se você vai pilotá-lo, a escolha é sua: “Tudo acontece àquele que é diligente enquanto espera” (Thomas Edison). Tenho observado que pessoas produtivas vão em frente durante o tempo que outros desperdiçam. Seja ligeiro para utilizar o momento.

    Já é mais tarde do que você pensa. Esteja pronto agora. O alarme do relógio da vida não tem botão de espera. Não faz bem algum “levantar e tomar ciência” se você se senta assim que a oportunidade se vai. Olhe para ela, faça uma estimativa e tome uma decisão. Você adia a vida quando não consegue direcionar a mente.

    William Ward tem esta receita pra o sucesso:Estude enquanto as pessoas estão dormindo; trabalhe enquanto elas estão ociosas; prepare-se enquanto estão se divertindo; e sonhe enquanto elas estão desejando.

    Não há nenhum tempo que se assemelhe ao presente, e não há nenhum presente semelhante ao tempo. Aqueles que se aproveitam de sua vantagem obtém as vantagens. Não se pegue no fim da vida dizendo: “Que vida maravilhosa eu tive! Só queria ter percebido isso antes”.

    Mediante esta exposição, observemos os imperativos (ordens) divinos que estão nos alertando constantemente, através das leituras bíblicas. Pois, nestes somos chamados para remir o tempo (Efésios 5.16) e despertar de nosso desânimo, apatia, (Efésios 5.14), para aproveitarmos as oportunidades que Deus coloca em nossas vidas. Lembrem-se queridos o tempo é hoje, “Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração.” (Hebreus 4.7).

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 237 - Experiência x Bíblia
    10/12/2017

    Hoje, dia 10 de dezembro, comemoramos o Dia da Bíblia e, por conseguinte, resolvemos escrever uma pastoral que retrate a sua importância. Pois muitos cristãos ainda se atritam quando falam dela. Se no começo do século 20 questionava-se a integridade dos textos canônicos, hoje esse debate já não desperta muita contenda. É pacífico, no mundo evangélico a crença nas Escrituras, sua inerrância (sem erro,
    infalível, incontestável) permanece como uma das grandes conquistas evangélicos, frente aos ataques da alta crítica e do liberalismo teológico. Entretanto, nesse século a tensão repousa na hermenêutica bíblica. Ou seja, a maneira como as pessoas leem as Escrituras, embora confessando acreditarem na sua inspiração, pode gerar tanta confusão quanto nos dias em que se desafiava a autenticidade da Bíblia. Quando alguém fala que crê em alguma doutrina, o que na verdade quer dizer com isso? Hoje é possível alguém recitar tudo o que crê, de acordo com os mais ortodoxos catecismos, mas desenvolve uma prática totalmente distante daquilo que confessa.

    Quantas igrejas pregam uma salvação pela fé, mas adotam uma prática legalista onde as obras contribuem também para a salvação. Dizem que só Jesus salva, mas tornam sua instituição corresponsável pela salvação de vidas, já que não toleram a ideia que uma pessoa possa ser salva em outra igreja. Afirmam que a Bíblia é única regra de fé e prática, mas convivem com doutrinas e práticas que dificilmente encontram respaldo bíblico.

    Portanto, a Igreja evangélica necessita, refletir biblicamente e teologicamente os conteúdos de sua fé. A Bíblia deve interpretar a própria Bíblia – Esse pressuposto admite que a Bíblia, contem em si mesma, os argumentos elucidativos de quaisquer dúvidas.

    Um dos principais reclames da Reforma Protestante no século XVI consistiu na recuperação do valor doutrinário da Bíblia. Quando a igreja católica teimava que a tradição deveria ser colocada em igualdade com a Escritura, os reformadores vociferavam (reclamar intensamente) com o dedo em riste; Sola Scriptura. Agora, no final do século XX o debate acontece entre os próprios protestantes e concerne o valor da experiência quando se quer  determinar doutrina. O axioma (verdade inquestionável) de que a Escritura julga a experiência e jamais a experiência deve julgar a Escritura ultimamente vem sendo fragilizado pela prática de algumas igrejas.

    A prática de permitir que as experiências adquiram valor teológico, mais uma vez vulnerabiliza a igreja pois os seus balizamentos doutrinários não dependem exclusivamente da Bíblia, mas dos acontecimentos cotidianos. A maneira com que se lê a Escritura, nesse caso, já vem determinado de antemão pela experiência.

    Há uma doutrina errada sobre a possibilidade do diabo possuir um verdadeiro cristão, fornece um exemplo típico. Aqueles que defendem essa posição partem da experiência para provar a doutrina. Argumentam que presenciaram um crente endemoninhado em certa reunião, daí procuram, na Bíblia, os versículos que provem o que observaram. Como há uma grande quantidade de textos que falam das ameaças de Satanás, tirados de seu contexto, esses versículos passam a servir de base para uma nova doutrina. Há muitos outros exemplos, todos aparentemente sem grandes perigos doutrinários senão o alastramento de práticas mais bizarras, menos ortodoxas.

    Há maior solidez, quando o método de comprovação doutrinária segue um caminho inverso. Alicerçados na doutrina bíblica as pessoas observarão aquela doutrina, confiantes que um cristão habitado pelo Espírito Santo não pode, ao mesmo tempo, ser possesso de um espírito imundo. A Bíblia julgará aquela experiência e determinará que aquela pessoa possessa, na verdade, não havia nascido de novo. Assim, a comunidade não vive à mercê de todo e qualquer modismo teológico, preserva-se a Palavra de Deus como única regra de fé e prática e poupam-se os crentes da apostasia (abandono da fé).

    O grande avivamento brasileiro só acontecerá de fato, se a Palavra de Deus permanecer como seu principal alicerce. Não se tem notícia de qualquer genuíno avivamento na história que não começasse por uma sede de estudar, meditar e pregar a Palavra de Deus. Todos os avivalistas foram pessoas que não só amaram como se mantiveram firmes à Palavra. Os movimentos religiosos que relativizaram a Palavra descambaram para o fanatismo e por fim, a heresia.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

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