Informativos / Boletins

  • 236 - Vencendo as memórias amargas
    03/12/2017

    Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade..” Salmo 129.1

    Nesta pastoral estudaremos o Salmo 129. Esse “cântico de romagem”, entoado pelos que iam ao Templo adorar a Deus, foi, provavelmente, composto em dias nos quais Israel sofria com ataques de inimigos e em que o perigo estava literalmente ao redor. Na ocasião, ele serviu como oração por libertação e fonte de coragem e esperança para o povo. Para os peregrinos que entoavam o salmo, ele servia para lembrar
    que havia promessas a Israel a serem cumpridas, para as quais a história do seu povo fornecia razões de sobra para que confiassem nelas. Desse modo, apesar de narrar um pouco da sofrida história dos
    judeus e de pronunciar imprecações desconfortáveis para o leitor, trata- se de um salmo tremendamente prático com lições muito importantes sobre como vencer as memórias amargas. Então, vejamos em detalhes estas lições:

    DORES HISTÓRICAS

    O interessante é que a Bíblia descreve neste salmo algumas das angústias que marcam, definem e lancetam a vida de cada um de nós. Inicialmente ela diz que são angústia objetivas (são dores históricas);
    tão objetivas, que o salmista evoca um testemunho concreto de um observador presente. Talvez você próprio esteja vivendo nesta agonia concreta, real, insofismável. V.1 – Angústia passível de observação; tão grande que poderia ser historiável; tão grande que poderia ser narrável, observável, detectável, perceptível.

    RELAÇÕES AMARGAS

    Em segundo lugar, afirma a Bíblia que podem ser angústias resultantes de ódios contra nós dirigidos. Diz a Palavra: “Muitas vezes me angustiaram”. Eles me angustiaram. Este “eles” Davi desencapuza,
    dizendo no v. 4 que são “os ímpios”.

    ANGÚSTIAS FORTUITAS

    Em terceiro lugar, ele diz que podem ser angústias, e que elas a ninguém isentam em tempo algum. Elas não elegem pessoas; são por assim dizer socializadas com a espécie humana: é a socialização da dor.
    É interessante observar que ele diz: “desde a mocidade me angustiaram”. Pode ser uma realidade presente na vida até dos moços.

    DORES MARCANTES

    Em quarto lugar, diz a Palavra de Deus que essas angústias marcam para o resto da vida. Veja como o v. 3 é fortíssimo, de uma linguagem inimaginável, inimitável. Ele diz: “Sobre o meu dorso lavraram os aradores; nele abriram longos sulcos”.

    O que eu quero realmente dizer é que a palavra de Deus nos ensina a enfrentar as situações angustiosas da vida e a prevalecer sobre elas. Ela nos mostra como impactar, encarar, ficar face a face; estimula-nos a enfrentá-las, sobrepujá-las, vencê-las no nome de Jesus. E para que isso aconteça é preciso que tenhamos quatro visões, quatro perspectivas básicas da vida.

    1) Em primeiro lugar, é preciso ver a Deus como Salvador justo; e não só como Salvador, mas como Salvador-justo que advoga a minha causa, que vem ao meu encontro, que não concorda com o episódio definitivo feito sobre a minha vida – um Salvador das minhas brigas. O v. 4

    2) Em segundo lugar, para enfrentar essas situações angustiosas e prevalecer sobre elas eu preciso ver os meus inimigos como inimigos de Deus. O vs. 5

    3) Em terceiro lugar, para você enfrentar as situações angustiosas da vida e prevalecer sobre elas é preciso ver o futuro dos que se deixam mover pelo ódio.Entre os vs. 6 - 8 descreve como as coisas acontecem no futuro dessa gente:3.1) Primeiramente Davi diz que eles têm uma vida sem futuro algum. (v.6);3.2) Diz ainda que o que ele enxerga sobre o futuro desses homens é que eles têm uma vida absolutamente inútil. (v.7);3.3) E assim, ele olha para a frente e vê que a vida dessas pessoas é uma vida que não inspira ninguém. (v.8).

    4) Em quarto lugar, se você quiser aprender a enfrentar essas situações e prevalecer sobre elas é preciso ver a vida como cenário de bênção, e não de amargura. (8b)

    "Assim, a partir das gratas lembranças do passado, o salmista olha para o presente como ocasião de depender de Deus em oração e de crer que ele, que está no controle de tudo, tratará a maldade do inimigo como ela merece ser tratada" (Pr. Thomas Tronco). Vê-se que os israelitas tomaram a história da ação de Deus como um padrão para sua atuação no presente e no futuro. A gratidão pela proteção divina no passado se tornou, para eles, oração confiante no presente e esperança corajosa a respeito do futuro. Desta forma queridos, aprendamos com estas lições para vencermos sempre com o auxílio do Senhor, as nossas memórias amargas.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 235 - Uma missão ideal também para hoje
    26/11/2017

    Aprendemos com o apóstolo Paulo, que ele não se limitava em ensinar a Palavra de Deus apenas aos locais religiosos. O apóstolo ia ao encontro das pessoas, onde elas estavam, tanto em Corinto como em Éfeso (Atos 18 e 19) vemos este ideal missionário por parte dele. Era um evangelista que sentia cheiro de gente. Estava nas ruas, nas praças, nas escolas. Era um pregador fora dos portões.

    Lemos em Atos 19.8-20 que Paulo expôs o evangelho de modo sério, bem estruturado e persuasivo. Ele acreditava na veracidade do evangelho e por isso não tinha medo de enfrentar as mentes de seus ouvintes. Ele procurava convencer a fim de converter, e de fato, como Lucas deixa bem claro, muitos foram “persuadidos”. É claro que os argumentos não substituem o Espírito Santo. Mas a confiança no Espírito Santo também não substitui os argumentos. Nunca se deve jogar um contra o outro, como se fosse excludentes. Não, o Espírito Santo é o Espírito da verdade, e ele não leva as pessoas à fé em Cristo apesar da evidência, mas por causa da evidência, quando ele lhes abre a mente para ouvi-la.

    É interessante destacarmos que em Éfeso até às 11 horas da manhã, o apóstolo Paulo trabalhava fazendo tendas e Tirano dava aulas em sua escola. Das 11h às 16h (esse era o tempo de sesta entre os habitantes). Conjectura-se que Paulo pode usar esse espaço por um preço razoável, pois ele não era usado nessa parte do dia. Assim, Tirano repousava, a escola ficava desocupada, e Paulo deixava o couro para trabalhar com as palavras, durante cinco horas, parando apenas às quatro da tarde, quando toda cidade reassumia o trabalho. Não nos surpreende que Lucas afirme que “todos os habitantes da Ásia” ouviram a palavra do Senhor (Atos 19.10). Pois todas as estradas da Ásia convergiam paraÉfeso, e todos os habitantes da Ásia visitavam Éfeso de tempos em tempos, para comprar ou vender, visitar um parente, frequentar os banhos, ver os jogos no estádio, assistir a um drama no teatro, ou cultuar a deusa. E enquanto estavam em Éfeso, eles ouviam falar neste mestre cristão chamado Paulo, que falava e respondia perguntas durante cinco horas, todos os dias. Evidentemente, muitos passaram por ali, ouviram e se converteram.

    Em Éfeso, Cristo encorajou seu apóstolo e retificou seu ensino através de sinais e milagres que demonstravam o poder de Cristo sobre doenças, possessões demoníacas e magia. (Atos 19.11,12). Alguns religiosos ficam desconcertados com essa passagem e tendem a rejeitá-la como lenda. Pois, a atitude mais sábia perante os milagres não é a dos céticos, que os declaram espúrios; nem a dos imitadores, que tentam copiá-los, como aqueles televangelistas que oferecem aos doentes lenços abençoados por eles, mas sim a dos estudiosos da Bíblia que lembram que Paulo via seus milagres como credenciais apostólicas e que Jesus mesmo foi condescendente com a fé tímida de uma mulher, curando-a quando ela tocou a orla de sua roupa.

    Éfeso era famosa por suas “cartas efésias”, que eram “encantamentos, amuletos e talismãs escritos”. O fato de os recém-convertidos estarem dispostos a jogar seus livros no fogo, em vez de converter o seu valor em dinheiro, vendendo-os, era uma evidência notável da sinceridade de suas conversões. O exemplo deles levou a outras conversões, pois assim a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente (Atos 19.20).

    Pois bem, em Atos 19.20 aprendemos que quando os cristãos em Éfeso se tornaram realmente sérios sobre sua fé e viveram-na de fato, não somente a Palavra do Senhor se espalhou amplamente, mas também “cresceu em poder.” Foi neste momento que o povo da Ásia não só ouviu o evangelho, mas também acreditou e começou a seguir a Cristo. Esse é o desafio para nós. Será que estamos realmente levando a sério a nossa fé para que ela influencie, mais do que isso, determine a forma como vivemos? É só assim, que o evangelho que nós compartilhamos vai crescer no poder.

    Amados irmãos será que as lições contidas no texto de Atos 19. 8-20 são pertinentes à nossa igreja? Desejamos ardentemente ser uma comunidade ensinadora? Pois, com o aprendizado desta passagem bíblica somos desafiados a não perdermos a oportunidade de ensinar a Palavra nos templos, onde pessoas religiosas se reúnem. De igual Otáviomodo, compreendemos a estratégia dos espaços neutros, como fábricas, lares, salas de shopping, escolas, e hotéis. Com vistas a atingir pessoas que, ainda hoje, encontram resistência para entrar num lugar religioso, mas não oferecem qualquer resistência para ir a um lugar neutro. O certo é que os dois anos de ensino diários de Paulo resultaram na evangelização de toda a província.

    Encerro com a citação de George Fox: “Que todas as nações possam ouvir a palavra falada e escrita. Não poupe lugar, tampouco poupe a língua ou a pena; antes, seja obediente ao Senhor Deus e desempenhe a tarefa, e seja valente em nome da Verdade sobre a Terra”. É Cristo quem nos chama; também nos dará o poder!

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 234 - “Será que o que o Senhor está fazendo é justo?”
    19/11/2017

    “Será que o que o Senhor está fazendo é justo?”

    (Habacuque 1: 12-2.1)

    Nesta passagem o profeta Habacuque lida com a dificuldade de entender a soberania divina e o seu juízo. Tal controle de Deus sobre a história e aparente descuido para com o seu povo, pode levar até crentes fiéis à beira da apostasia. 

    Ele não está se rebelando contra Deus nesta segunda reclamação. Existem elementos de fé misturados com sua confusão teológica. Habacuque apelou para os atributos de Deus e para o relacionamento pactual com o seu povo (Habacuque 1.12). Sobre os atributos de Deus, ele menciona “eternidade” que aponta para Deus controlando a história (Isaías 46.10). Para quem sofre com as agruras (aflições, sofrimentos) temporais, não se pode apelar para um deus temporal. É preciso recorrer a quem está fora a além do tempo. O socorro do tempo presente só vem de quem criou o tempo e controla o passado, presente e futuro. Se Deus é desde a eternidade, ele o será para toda a eternidade, e isto faz com que o Deus inabalável seja a única esperança de um povo à beira da destruição. Em segundo lugar, Habacuque relembra que Deus é “Santo”, isto é, ele não pode ser complacente com o mal (Habacuque 1.13). Deus não pode fazer vistas grossas para com a maldade dos caldeus. Afinal, ele odeia a prática da iniquidade (Salmo 5.4,5). Em terceiro lugar, Deus também é a “Rocha”, um título que descreve um lugar de segurança (Salmo 18.2). A figura da rocha comunica o poder, a estabilidade, a imutabilidade de Deus.

    Sobre o relacionamento pactual, ele chama o Senhor de “meu Deus, meu Santo” expressando assim o caráter pessoal desse relacionamento. A importância desse pronome pessoal ganha vida quando comparamos a atitude de Habacuque com a atitude do rei Saul. Depois de dura confrontação do profeta Samuel pela sua desobediência a ponto de retirar o reino de Saul (veja 1 Samuel 15.1-29), o rei implora para que Samuel não o abandone e interceda por ele ao Senhor “teu Deus” (1 Samuel 15.30). Saul, o rei de Israel, não tem a intimidade de chamar Iavé de seu Deus. E isto não se dá por conta do pecado somente, pois Davi tem receio de que Deus lhe retire o reino – como o fez com Saul – devido ao seu adultério, mas ele continua rogando a Deus como seu Deus (Salmo 51). Habacuque continua confiando na aliança de Deus para consigo, mesmo fazendo parte de um povo vil e transgressor. Por isso, ele expressa a confiança de que o povo de Deus não será aniquilado: “Não morreremos” (veja Salmo 118.18; Malaquias 3.6). Deus não poderia ter trazido Abraão de Ur dos caldeus para viver numa terra estranha e lhe dado filhos de forma miraculosa, não poderia ter sustentado a família de Jacó com o pão do Egito, não poderia ter livrado o seu povo a conquistar Canaã sem treinamento militar, Deus não poderia ter feito tudo isto para deixar o seu povo perecer. Habacuque sabia das promessas de Deus de remir um povo, de trazer o Messias dentre este povo, das promessas divinas para com o povo. Ele sabia que a promessa central da aliança era a de ser Deus e o Deus da sua descendência. É nisto que ele se baseia para crer que Deus não poderia romper a sua aliança. Até o castigo era parte de sua promessa, mas a destruição total do povo não poderia acontecer. Jeremias escreve que Deus castigaria em justa medida, mas não daria cabo do seu povo (Jeremias 30.11). Em toda a história, Deus preservara um remanescente. Mesmo confuso Habacuque ainda crê. Ele estava perplexo, mas não desesperado.

    Sendo assim, querido não permita que a sua perplexidade se resuma no seguinte questionamento: “Será que o que o Senhor está fazendo é justo?” Mesmo que a cura pareça ser pior do que a doença. Peçamos ao Senhor que nos faça mais maduros na fé, mais santificados, e recebamos a receita divina que às vezes contém ainda mais sofrimento (Tiago 1. 2-4). É estranho pensar que Deus possa usar instrumentos maus para nos corrigir. Diante de tal justiça aparentemente invertida, não considere a sua fidelidade a Deus como sendo inútil, persevere, pois ele quer fazer de você uma versão melhor!

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 233 - FAÇA DIFERENÇA ONDE VOCÊ ESTÁ
    12/11/2017

    Certa vez, um homem aproximou-se de Martinho Lutero anunciando com entusiasmo que recentemente havia se tornado cristão. Desejando esesperadamente servir ao Senhor, ele perguntou a Lutero: “o que devo fazer agora?”, como se dissesse: deveria tornar-me um pastor ou, talvez, um evangelista itinerante?

    Lutero lhe perguntou: Qual é o seu trabalho agora?
    “Sou um sapateiro.”
    Para a grande surpresa do sapateiro, Lutero respondeu: “Então faça bons sapatos e venda-os por um preço justo.”

    Ao nos tornarmos cristãos, não precisamos nos retirar do chamado vocacional que já temos. Nem temos necessidade de justificar este nosso chamado, qualquer que seja ele, em termos de seu valor espiritual ou de sua utilidade evangelista. Simplismente exercitamos qualquer que seja o nosso chamado como novos motivos, objetivos e padrões de glorificação a Deus – e com um compromisso renovando de exercitar nossa vocação com ainda maior excelência e mais altos objetivos.

    Uma forma de refletir nosso Criador é sermos criativos extamente no lugar onde estamos e com os dons que nos foram dados. Como diz Paulo, “Cada um permaneça na vocação em que foi chamado [...] Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo que você foi chamado” (1 Coríntios 7.20-24). Ao fazermos isto, cumprimos nossa vocação divina de reformar e embelezar nossas várias atividades para a glória de Deus.

    Certa vez, ouvi Os Guinness falar sobre o que tal reforma exigiria. Ele afirmou que a principal razão por que os cristãos não estão fazendo mais diferença em nosso mundo não é porque não estão onde deveriam estar. Em outras palavras, existe uma grande quantidade de artistas, advogados, médicos e homens de negócio que são cristãos. Ao contrário, a razão principal é que os cristãos não são quem deveriam serexatamente no lugar onde estão.

    Externamente, pode não haver nehuma diferença claramente discernível entre a atividade de um não cristão e aquela de um cristão. Muitos têm observado que uma abornagem de transformação da cultura não significa que toda atividade praticada por um cristão (projetando computadores, consertando carros, vendendo seguro de vida, ou qualquer outra) deva ser externamente diferente da mesma atividade praticada por um não cristão. Pelo contrário, a diferença é encontrada “no motivo, objetivo e padrão”. John Frame escreve: “O crsitão procura trocar seus pneus para a glória de Deus, ao passo que o não cristão não o faz. Porém, esta é uma diferença que não pode ser captada numa fotografia. Ao trocarem pneus, um cristão e um não cristão podem se parecer muito um com o outro”.

    Cristo não é apenas Senhor da igreja; ele é supremo também sobre a família, as artes, as ciências e a sociedade humana de modo geral. Nas famosas palavras de Abraham Kuyper: “Não há um único centímetro quadrado no domínio intregral de nossa existência humana sobre o qual Cristo, que é soberano sobre tudo, não afirme: ‘É meu!’"

    É por isso que não devemos nos retirar do mundo, mas, ao contrário, devemos trazer os padrões da Palavra de Deus para se relacionarem com todas as dimensões da cultura humana. Fazer diferença para Cristo significa colocar todas as áreas de nossas vidas sob seu senhorio. Devemos viver em apaixonada devoção a ele o tempo todo e em toas as circustâncias. Ao fazermos isto, o poder renovador de Deus é desencadeado por meio de nós.

    Portanto, ao passo que os cristãos devem se afastar de motivos que enaltecem sua própria pessoa e ignoram os objetivos de Deus, além de abaixar os padrões de trabalho do mundo (nossa separação espiritual), não devemos nos separar das pessoas, lugares e coisas do mundo (uma separação espiritual). Devemos ser moral e espiritualmente distintos sem estarmos culturalmente segregados.

    Em Lucas 16.9, Jesus encoraja seus discípulos a igualar a engenhosidade das pessoas do mundo na busca por alcançar seus objetivos, mas deixa claro que os objetivos que os critãos buscam são diferentes. Devemos focalizar a glória da era por vir, e não as buscas mundanas por prazer, lucro e posição. O velho ditado de que os critãos não devem ser tão focalizados no céu a ponto de não ter mais nenhuma atividade terrena é verdadeiro até certo ponto, mas no mundo de hoje, o bem terrestre do cristão depende de nossa mentalidade celestial. Isto me faz lembrar a observação de C. S. Lewis de que os cristãos que fazem mais pelo mundo atual são aqueles que pensam mais a respeito do próximo.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 232 - O PLANO DE DEUS PARA O GÊNERO SEXUAL, SEXO E CASAMENTO
    05/11/2017

    ...Continuação da Mensagem do Boletim 231 - "Confusão de gênero sexual e a mensagem do Evangelho".

    Acerca de todas estas confusões, a igreja deve ousadamente apresentar uma cultura alternativa aos valores da cultura dominante. A igreja deve ser a contracultura que reflita um conjunto alternativo de prioridades. Em outras palavras, a igreja deve ser um lugar onde o casamento é tido em alto estima tanto na prática quanto no ensino e na disciplina, e a igreja deve ser dessa maneira, por causa do seu compromisso com o evangelho. Uma contracultura moldada pelo evangelho deve proclamar e incorporar o evangelho de Jesus Cristo de tal maneira que o plano de Deus para gênero, sexo e casamento seja claro e irrefutável. Isso irá requerer tanto a mensagem contra cultural da igreja quanto a prática contra cultural entre as pessoas e famílias da igreja. Assim, permita-me destacar brevemente três contrapontos à visão de mundo anteriormente mencionada que devem estar no centro do testemunho evangélico a respeito dessas questões. 

    Verdade 1: o gênero sexual é algo que você é antes que aprenda qualquer coisa - As distinções entre homens e mulheres encontram a sua origem na boa criação de Deus, não no que aprendemos da cultura. Isso não é negar que as pessoas absorvem da cultura suas ideias sobre gênero sexual, sendo que algumas delas são totalmente inúteis. No entanto, esse fato não deve ser usado para suprimir a verdade que no início Deus diferenciou o ser humano como homem e mulher no seu plano original da criação. E nem deve obscurecer o fato de que Deus indubitavelmente chamou essa diferenciação “boa” (Gênesis 1.27,31). A reunião do primeiro homem e da primeira mulher foi à união mais saudável, completa e satisfatória que jamais existiu e envolveu um homem liderando a sua esposa e uma esposa seguindo a liderança do seu marido (Gênesis 2; 1Coríntios 11.3; Efésios 5.21-33). E, embora nenhum outro casamento possa alcançar essa perfeição antes da glória, os evangélicos precisam esforçar-se com integridade para chegar perto desse ideal. E precisam fazer isso mesmo quando isso vá contra costumes enraizados na cultura geral.

    Verdade 2: o sexo é para Deus antes que haja qualquer prazer duradouro - Deus não é um desmancha-prazeres cósmico quando o assunto é sexo. A intenção de Deus para as suas criaturas é que elas desfrutem desse grande presente para o bem dele. No entanto, quando as pessoas tratam o prazer como o objetivo do sexo, elas não apenas terminam na imoralidade, como também acabam com menos prazer. A única maneira de maximizar o prazer, que foi a intenção de Deus para a nossa sexualidade, é viver na luz da verdade que o nosso corpo não é para a imoralidade, mas para Deus. 

    Foi por isso que o apóstolo Paulo uma vez confrontou um grupo de viciados em sexo na igreja de Corinto que estavam visitandoprostitutas (1  Coríntios 6.15). Paulo explicou a eles que o Espírito Santo habita no corpo do crente e, assim, faz o corpo físico ser de suma importância na atual era. Pelo fato de o Espírito residir dento do templo do corpo do crente, o crente não tem o direito de afirmar que é dono do seu próprio corpo: “...fostes comprados por preço” (1Coríntios 6.20). Desse modo, Paulo lembra-nos que não somos os donos de nós mesmos. Pertencemos a Deus porque ele nos comprou pelo preço de seu Filho e porque o Espírito de Deus habita em nós como garantia da redenção final. Como Paulo argumenta em outro ponto, a presença do Espírito é a base da nossa esperança de que Deus ressuscitará nosso corpo físico da sepultura (Romanos 8.11).

    Dessa forma, o que fazemos com nosso corpo em relação ao sexo importa para Deus. É por isso que em 1 Coríntios 6 Paulo conclui com um imperativo enfático: “...glorificai a Deus no vosso corpo” (1Coríntios 6.20). Quando Paulo fala de glorificar a Deus com o nosso corpo, ele tem em mente especificamente como o corpo é sexualmente usado. Podemos até mesmo parafrasear Paulo, dizendo: “Glorifique a Deus com o seu sexo”. Isso significa que o compromisso de união do casamento é o contexto prazeroso e que glorifica a Deus, no qual desfrutamos da nossa sexualidade. A ética sexual cristã não afasta as pessoas do prazer, mas as leva a ele.

    Verdade 3: o casamento é universal, não cultural - A Bíblia ensina que o casamento foi planejado e criado por Deus, não pela cultura humana. Na verdade, é interessante observar como o Novo Testamento prova esse fato à luz do Antigo Testamento. Quando Jesus e Paulo estabeleceram novas normas de compromisso matrimonial, eles não apelaram aos reis polígamos como Davi ou Salomão ou aos patriarcas polígamos como Abraão, Isaque e Jacó. Apesar de toda a importância que essas figuras têm na história da redenção, Jesus e Paulo não olham para nenhum deles como paradigma para entender o casamento. Em vez disso, Jesus e Paulo olham. Sem exceção, para a união monogâmica pré-queda da Adão e Eva em Gênesis 2 como a norma humana de sexualidade e casamento. “Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gênesis 2.24; cf. Mateus 19.5; Marcos 10.7-8; 1 Coríntios 6.16; Efésios 5.31).

    O apóstolo Paulo diz que o grande “mistério” do modelo de casamento em Gênesis 2 (um homem e uma mulher em união de aliança) é que Deus o entendeu sempre como sendo uma sombra de uma realidade maior. A partir do jardim do Éden, a intenção de Deus para o casamento era que fossa uma parábola vivida na prática de outro casamento: o casamento de Cristo com a sua igreja (Efésios 5.31- 32). Assim, o casamento não é definido pela cultura, mas pelo próprio evangelho. Jesus ama a sua noiva com exclusividade e com sacrifício próprio; e a noiva de Jesus deve respeitar seu noivo e submeter-se a ele. Dessa maneira, o casamento pretende retratar um arquétipo do evangelho que tem raiz nos eternos propósitos de Deus. O evangelho que molda esse arquétipo é também a esperança para a humanidade e o contexto no qual a felicidade humana alcança o seu pleno potencial. Aqui está o significado profundo do casamento e as igrejas fiéis deverão se envolver com a cultura com a proclamação dessa verdade e a prática que a confirma.

    Portanto, o que a nossa sociedade precisa mais do que qualquer coisa é que nós como cristãos apresentemos um fiel contratestemunho a respeito dessas questões (Gênero Sexual, Sexo e o Casamento). As mensagens vindas da cultura são claras. A mensagem da igreja deve ser mais ainda.

    Pr. Carlos Roberto (Bob) 

Páginas