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  • 224 - UMA ORAÇÃO PARA OS NOSSOS DIAS
    10/09/2017

    Diante de tanta perversidade, maldade, injustiça, corrupção... Habacuque levanta a pergunta “até quando?”, uma expressão comum de angústia encontrada nos salmos (Salmo 6.3; 13. 1-2; 35.17; 74.10; 79.5; 80.4; 89.46; 90.13; 94.3). Ele estava reclamando a aparente inatividade de Deus Enquanto a injustiça crescia em Judá (Salmo 83.1). Era o silêncio de Deus diante do mal que lhe incomodava (Salmo 35. 22-23). Há estudiosos que enxergam o profeta começando errado ao censurar Deus primeiro, não o povo. Entretanto, creio que há algo positivo a ser aprendido da primeira atitude e Habacuque. É verdade que o profeta tem dificuldade em entender porque o Senhor permite que o mal continue, mas não reclama de Deus, mas sim para Deus.

    Embora tenhamos sido ensinados que não devemos questionar Deus, devemos observar a pergunta “até quando?” não é pecaminosa em si mesma. Na verdade, ela pode expressar uma alta estima pela santidade de Deus e um desejo de que a sua justiça seja servida em pecadores rebeldes. Pois, esta indignação é lícita, pois resulta de opressões injustas. Mais do que isso, ela provém não só de um interesse próprio, mas de um zelo pela honra de Deus. Sendo que, o pedido não é o de fazerem justiça com as próprias mãos, até mesmo a vingança pessoal era condenada desde o Pentateuco (Levítico 19.18), mas deixar a vingança com o Senhor (Deuteronômio 32.35; Provérbios 25. 21,22; Romanos 12.9, 20,21).

    Uma das melhores evidências de que esta pergunta “até quando?” Não é uma expressão de um coração amargurado e pecaminoso é que até os santos no céu, onde não pode deixar de haver santidade (Hebreus 12.15), clamam “até quando?”. Em Apocalipse 6. 9-11. Observe que quem ora “Até quando?” são as almas que já estão santificadas e se encontram na presença do Senhor. Portanto, não há nada pecaminoso em sua oração.

    Assim sendo, pecaminosidade não resolvida na igreja e no mundo deve estimular o mesmo clamor em nós. Devemos lamentar a violência, corrupção as injustiças recorrentes em nosso país. E tal lamento deve ser acompanhado de um anseio por correção, por castigo. Na verdade, a ausência do anseio próprio de interpretações é sinal de indiferença para com o pecado e para com a justiça divina. “Até quando?” Não deve ser entendida como desespero, mas como uma oração esperançosa que provém daqueles que confiam que Deus resolverá a situação, como Habacuque esperava. Portanto, a reclamação de Habacuque é justa. Se o zelo pela justiça divina cresce à medida que nos santificamos, então devemos manifestar o anseio de que o Senhor Jesus volte não só para nos levar consigo, mas também para manifestar a sua justiça. 

    Entendemos que a Bíblia apresenta Deus como sendo o único realizador da justiça e transformação social. Não devemos desprezar a nossa missão social, mas devemos entender a limitação de tal missão. Somos o sal que retarda o apodrecimento moral, não a medicina que cura a sociedade enferma. Nem a humanidade, nem a mesmo a igreja conseguirá promover uma sociedade ideal nesta vida. A parábola do joio (Mateus 13.24-30; 36-43) é uma demonstração de que a construção de uma sociedade com a consequente retirada do mal no mundo será uma realização de Deus por intermédio de seus anjos (isto é, sem a participação do ser humano) e não ocorrerá nesta vida (como é o anseio de muitos seres humanos). Quando o Senhor Jesus vier e trouxer juízo sobre a terra, manifestando o seu domínio pelo sobre ela, restaurando-a, então veremos uma sociedade justa. Esta é resposta dada por Deus às almas dos mártires no texto de Apocalipse mencionado acima.

    Habacuque, portanto, está correto na sua primeira reação. Habacuque, portanto, está correto na sua primeira reação. Ele ora ao Senhor, coloca a sua expectativa em Deus para a resolução do problema. Não se acomoda diante dos males presentes. Ele quer que a resolução dos mesmos, embora saiba que ele mesmo não possa resolvê-los. Ele clama ao Senhor porque tem a justiça de Deus em alta conta, quer vê-la manifesta. Por isso, sua oração honra o Senhor ao invés de desafiá-lo.       

    Dessa forma, queridos quando olhamos para os males do nosso país e do mundo, perguntemos também como Habacuque “Até quando?”, pois vimos nesta pastoral que não é pecado fazê-la. Pois, o profeta de maneira singular escreveu mais do que um recado de Deus para os homens, mas relatou sua própria experiência cheia de perplexidades, dúvidas e questionamentos. Mas no fim, Deus ampliou a visão que Habacuque tinha das coisas. Ele percebeu que Deus está no controle de tudo, mesmo quando as coisas parecem fora de controle.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

     

     

     

  • 222 - O SOFRIMENTO NA VIDA CRISTÃ
    27/08/2017

    Falar sobre sofrimento hoje em dia é algo bastante impopular, sobretudo, no meio evangélico; o que é um grande paradoxo, uma vez que a Bíblia deixa claro que o sofrimento é algo totalmente inerente à vida cristã. Como ressaltou C. S. Lewis, não deveríamos nos perguntar por que alguns cristãos sofrem, mas sim por que alguns não sofrem.

    Eu sei que o sofrimento é um tema bastante complexo e que ao falar sobre ele, corro sempre o risco dos amigos de Jó, de ser presunçoso e falar de algo que não sei ou que não corresponde à realidade. Entretanto, nos últimos dias tenho pensado bastante acerca do propósito do sofrimento na vida dos homens cristãos durante a sua juventude. Há um versículo do livro de Lamentações de Jeremias que sempre me faz refletir sobre isso: “Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele. Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança.” (Lamentações 3:27- 29) Pois, Jeremias aprendeu e pregou que Deus nos aperfeiçoa através do sofrimento. Benjamin Frankilin asseverou com muita propriedade: “Aquilo que fere, instrui”. Uma das maneiras de fazer sucesso na vida é a habilidade de tirar lucros das derrotas. De Deus procede tanto o mal como o bem e, consequentemente, todas as coisas contribuirão para o bem daqueles que amam a Deus. Porque não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens... Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem? (Lamentações 3:33-37,38).

    Acho interessante esses versículos pelo fato dele ter sido escrito pelo profeta Jeremias em um momento de grande dor e sofrimento que era o período do exílio babilônico e logo depois de o profeta afirmar nos versículos anteriores que o Senhor é bom e Sua misericórdia dura para sempre e que vale a pena esperar nEle (Lamentações 3. 21-27). Daí, logo em seguida ele louva a Deus por ter feito-o sofrer em sua juventude.

    A diferença entre grandeza e mediocridade geralmente é determinada pela forma como nós encaramos os nossos erros. O ser humano se torna grandioso quando entende que o fracasso é uma taxa que pagamos para o sucesso. É por isto que devemos sempre escolher ter esperança, em meio ao desespero. O profeta Jeremias inicia dizendo: Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei. (Lamentações 3.21) Sabemos que Jeremias vivenciava uma situação de aflição e fracasso. O seu povo estava sendo destruído pelo exército babilônico. Nos anos de 588 a 586 A. C. os babilônicos destruíram a nação de Israel, com a destruição de todas as cidades e morte de quase toda a população. Jerusalém foi invadida, os muros foram derribados, o templo foi saqueado, os príncipes foram assassinados, e o rei Zedequias foi cegado e posto em prisão perpétua (Jeremias 52). E alguns dos poucos sobreviventes foram levados para a Babilônia. O profeta então lamenta: Como jaz solitária a cidade outrora populosa! Tornou-se como viúva a que foi grande entre as nações; princesa entre as províncias ficou sujeita a trabalhos forçados! (Lamentações 1:1). É neste contexto de ruína e desesperança que Jeremias, mesmo em péssimas condições pessoais, diz: Quero trazer a memória o que me pode dar esperança (Lamenta- ções 3. 21). 

    Oro para que um dia, ao chegar lá na frente, eu possa olhar para a minha juventude, entender os meus sofrimentos e me alegrar neles, por perceber que eles me tornaram um homem parecido com Cristo.

    perceber que eles me tornaram um homem parecido com Cristo. O nosso Deus é todo poderoso e somente Ele tem o poder de converter e renovar pessoas e mentes destruídas. Lembre-se que fracassar não quer dizer que você é um fracasso.

    Traga à memória hoje o que lhe pode dar esperança. Deus é a nossa esperança. Pense em Deus e creia nele. Você não deve ficar refém dos erros do passado. James Long diz: “Uma das razões pela qual Deus criou o tempo foi a de prover um lugar onde pudéssemos enterrar as falhas do passado”. Creia que Deus está no controle e Ele é poderoso para reverter qualquer situação.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

    Adaptado dos textos de Igor Sabino (Cristãos Contra o Mundo) e Pr. Wellington R Costa (Vozes & Doses) 

     

  • 221 - MÁS LEMBRANÇAS
    20/08/2017

    Temos acompanhado várias pessoas que sofrem por causa das más lembranças. E a maioria quer que estas lembranças desapareçam. E muitas pessoas me dizem: “Eu só quero esquecer o passado. Queria que ele fosse embora”. Assim, o que elas querem, pura e simplesmente, é um apagador de lembranças.

    Um pastor que me acompanhou na adolescência dizia: “Quando vierem os maus pensamentos, ore e persevere na leitura da Bíblia, vá à igreja e sirva a Jesus. Não viva no passado; viva no presente”.

    Agora gostaria que você refletisse: Será que existe ajuda e esperança para você, e para outros que sofrem por causa do seu passado? As lembranças do passado perseguem você? Talvez tenha sido um grande pecado, ou talvez um padrão de comportamento errado. As lembranças podem atormentar ou incapacitar você. Lembre-se, se você luta com o seu passado, não está sozinho. Por mais vergonhoso que nosso pecado possa ser nunca devemos fixar nosso olhos nele. 

    Pois, o mundo oferece uma lista de escapes. Você pode anestesiar a memória pelo uso do álcool ou da droga. Então, alguns bebem, outros usam drogas, tranquilizantes para esquecerem. O que todos eles têm em comum é quererem se livrar das más lembranças.

    Você pode não ser capaz de impedir o surgimento de lembranças pecaminosas. Pensamentos penosos podem se intrometer sem serem convidados. No entanto, você não precisa tentar apaga-los ou fugir deles. Eles não têm que destruir você. Os pássaros da culpa podem pousar na sua cabeça, mas não precisam fazer ninho ali. O seu Redentor é maior do que seu passado.

    Em Cristo, seu passado pode ser redimido. Você pode aprender a reinterpretá-lo biblicamente. Como I Timóteo ensina, uma compreensão do seu pecado passado centrada no evangelho aprofunda seu arrependimento, intensifica sua gratidão pela graça salvadora de Deus, e amplia sua eficiência em ajudar a outros com sabedoria e compaixão.

    A questão é: Como deveríamos interpretar pecados passados de maneira que os propósitos remidores de Deus possam realizar em nossas vidas? O exemplo de vida do apóstolo Paulo pode nos direcionar. Perto do fim do seu ministério, Paulo escreve a Timóteo para fortalecer seu temeroso e jovem amigo com força divina. Em 1 Timóteo 1. 12-17, Paulo relembra seu próprio chamado para o ministério, que ocorreu enquanto perseguia ativamente a igreja de Jesus.

    perseguia ativamente a igreja de Jesus. Paulo não esconde seu passado pecaminoso; em vez disso, apresenta uma interpretação cristã dele. Ele não foge, evita, ou esquece o seu passado; ele o encara com as lentes de Deus. É por isso que essa passagem termina em tom positivo. Jesus salva e transforma até grandes pecadores como Paulo. Quando Paulo vê seu passado através das lentes do Evangelho, centradas em Cristo, sua vida se caracteriza por um arrependimento profundo, elevada gratidão, e ampla eficácia em ajudar os outros.

    As nossas lembranças pecaminosas são redimidas quando elas intensificam nossa gratidão a Deus pela misericórdia a nós demonstrada por meio de Cristo.

    Ao exemplo de Paulo em I Timóteo 1. 12-17, vemos que ele não apenas menciona seus pecados passados, mas também louva a Deus por Sua graça. E ele faz ambas as coisas ao mesmo tempo, na mesma passagem. “Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor” (vs. 12) “a mim, que anteriormente fui blasfemo, perseguidor e insolente; mas alcancei misericórdia...” (vs.13). No mesmo fôlego, Paulo relembra seus pecados terríveis e agradece a Jesus! Não há contradição aqui. Visto corretamente (ou seja, de forma redentora), nosso mal magnifica a misericórdia de Deus. “...a graça de nosso Senhor transbordou sobre mim, com a fé e o amor que estão em Cristo Jesus” (vs. 14). Atende para a sua “afirmação fiel” nos versículos 15,16: “Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior. Mas por isso mesmo alcancei misericórdia”. 

    O equilíbrio de Paulo é brilhante. Por um lado, ele não esquece ou evita seu passado. Ele admite francamente ter si blasfemo, perseguidor, violento. Por outro lado, ele não se atém a esses fatos. Ele se concentra na obra salvadora de Jesus e na misericórdia de Deus enviando-O como Salvador. Paulo deixa que seu passado evidencie a graça de Deus. O pecador a quem Jesus veio salvar é um pecador real com um passado vergonhoso.

    Quando deixamos que nossas lembranças passadas nos movam a uma visão mais elevada da graça de Deus, elas estimulam nossa gratidão e solidificam nossa confiança cristã.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

     

     

  • 220 - ESPERAR COM MAIS PACIÊNCIA...
    13/08/2017

    “Em verdade, em verdade eu vos digo que chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará; vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria.” João 16. 20

    No texto de João 16. 16-22 Jesus ofereceu-se a dar uma resposta, ainda que não à resposta precisa que os seus discípulos esperavam. Mas ele mostrou o que aquele um pouco significaria para eles em cada exemplo. No primeiro, eles chorariam enquanto o mundo se regozijaria, pois a morte do Salvador produziria reações completamente diferentes, nos cristãos e nas pessoas do mundo (Apocalipse 11.10). Mas essa mesma coisa que traria tristeza transformar-se-ia em uma ocasião de alegria quando os discípulos fossem capazes de ver a cruz à luz da Ressurreição, quando o segundo “um pouco” os surpreendesse.

    Diante das verdades já expostas, ainda gostaria de refletir com os queridos sobre uma virtude importante. Que é a paciência. Pois, aprendemos com a vida cristã, que no amadurecimento dela em nós, saberemos esperar com mais paciência. Pois, a paciência é mãe da expectativa, e a expectativa traz nova alegria em nossas vidas. Jesus nos fez ver não só os nossos sofrimentos, mas também além deles. “Estais agora na tristeza; mas eu vos verei de novo, vosso coração então se alegrará.” (João 16.22) O homem ou mulher sem esperança no futuro não vive de maneira criativa no presente. O paradoxo da expectativa é que os que creem no amanhã vivem melhor hoje; os que esperam que da tristeza surja a alegria descobrem o começo de uma nova vida no centro da velha; os que aguardam ansiosamente a volta do Senhor descobrem que ele está em nosso meio (através do Espírito Santo) e voltará em glória para nos buscar. 

    A autora francesa Simone Weil escreveu: “A expectativa paciente é à base da vida espiritual”. Sem paciência, nossa expectativa degenera em racionalização de desejo. Paciência origina-se de patior, que significa “sofrer”. A primeira coisa que Jesus promete é o sofrimento – “Em verdade, em verdade, eu vos digo, vós gemereis e vos lamentareis (...) sereis contristados” (João 16.20) - mas chama essas dores de dores de nascimento (João 16.21). E, assim, o que parece impedimento transforma-se em caminho, o que parece obstáculo transforma-se em porta, o que parece desajuste transforma-se em fundamento. Jesus muda nossa história de uma série aleatória de incidentes e acidentes tristes em oportunidades constante para o arrependimento. Como consequência, esperar com paciência significa deixar que nossos gemidos e lamentos se transformem na preparação purificadora pela qual ficamos prontos para receber a alegria que nos foi prometida.

    Reconhecer e crer que muitos acontecimentos inesperados não são apenas interrupções perturbadoras de nossos projetos, mas o caminho no qual Deus molda nossos corações e nos prepara para sua volta. Nossas grandes tentações são o tédio e a amargura. Quando nossos bons planos são interrompidos pelo mau tempo, nossas bem-organizadas carreiras interrompidas pela doença ou má sorte, nossa paz de espírito interrompida pela confusão interior, nossa esperança de paz interrompida por uma nova guerra, nosso desejo de um governo estável interrompido e nosso desejo de imortalidade interrompido pela morte real, somos tentados a nos entrega a um tédio paralisante ou a revidar com amargura destrutiva. Mas, quando cremos que a paciência aumenta nossas expectativas, então o destino converte-se em vocação, as feridas transformam-se em chamado para um entendimento mais profundo e a tristeza converte-se em fonte de alegria.

    Quero contar-lhes a história de um homem de meia-idade que teve a carreira interrompida de repente pela descoberta de uma leucemia, câncer fatal do sangue. Todos os planos de sua vida desmoronaram, e todos os seus caminhos tiveram de mudar. Mas aos poucos ele conseguiu parar de se perguntar: “Por que isto aconteceu comigo? O que fiz de errado para merecer esta sina?” Ele passou a perguntar: “Que promessa se esconde nesta experiência?” Quando sua rebeldia transformou-se em nova busca, ele sentiu que poderia dar força e esperança a outros cancerosos e, ao enfrentar sua condição de maneira direta, transformou seu sofrimento em fonte de cura para os outros. 

    Hoje, esse homem faz mais pelos doentes do que muitos pastores conseguem fazer e reencontrou sua vida em um plano que jamais conhecera.

    Pr. Carlos Roberto (Bob) 

  • 219 - QUANDO EU PARO DE CULPAR O OUTRO
    06/08/2017

    Ouvindo Werner Haeuser numa meditação sobre Elias e a grande crise pessoal que viveu depois de ter experimentado uma extraordinária vitória. Boa parte de sua palestra foi dedicada ao problema da vitimação, esta tendência comum do ser humano de fazer-se vítima, de sentir-se acuado pelo mundo, de achar que é o único que sofre que todos estão conspirando contra ele, que foi um sentimento muito presente na vida de Elias no período de sua crise pessoal.

    No meio de sua fala, o Werner fez uma afirmação que me levou a perder um pouco a concentração do seu discurso e me ater mais a esta declaração. Disse ele: "O crescimento pessoal começa quando o culpar o outro termina". Comecei a lembrar das inúmeras justificativas que tenho criado para me justificar dos meus erros e me absolver das minhas responsabilidades. Lembrei-me das incontáveis vezes em que culpei o governo para me justificar da minha apatia social; das minhas vezes que culpei minha esposa e filhos para me absolver do meu egoísmo e insensibilidade e das vezes que culpei irmãos e irmãs para me poupar do incômodo de reconhecer minha incapacidade de amar e perdoar.

    Todas as vezes que fiz isto, perdi a oportunidade de crescer, amadurecer e dar um passo a mais na formação do meu caráter. Era apenas mais uma vítima dos erros e pecados dos outros. É uma fórmula comum, bastante usada e que tem lá a sua eficiência. Mas esconde um grande perigo: Aparalisia moral e espiritual.

    A afirmação do Werner não pretende esconder a realidade nem fechar os olhos para os problemas políticos, sociais, familiares ou eclesiásticos. O que ele propõe é a necessidade de olhar com mais coragem e honestidade para nós mesmos, ser capaz de assumir os próprios erros e enfrentar o pecado com humildade e transparência. É aqui que começamos a dar os primeiros passos em direção a uma maturidade saudável. 

    O apóstolo Paulo foi uma destas pessoas que resistiu à tentação da vitimação ao afirmar: "Miserável homem que sou..." Romanos 7.24. Ele não culpa os outros pela sua incapacidade de não fazer o bem que sabe que deveria fazer. No entanto, mesmo vivendo este dilema, ele não coloca a culpa dos seus erros e pecados no governo, na igreja, na família ou nos outros. Ele corajosa e responsavelmente, olha para si e reconhece que o problema está nele, no seu pecado, na sua desobediência.

    Ao afirmar "miserável homem que sou..." Paulo não se torna vítima, mas protagonista. Aresponsabilidade é dele, não dos outros. Esta postura abre as portas para um processo de crescimento e transformação. 

     O problema que nos difere de Paulo é que não sabemos reconhecer a presença real e grave do pecado em nós. Achamos mais fácil justificar nos erros dos outros do que assumir nosso próprio pecado.

    "Miserável homem que sou..." É duro reconhecer isto, mas este é o ponto de partida para a maturidade. É o princípio onde aprendemos que a vida começa em Deus e é construída numa dependência constante e sincera dele. Fazendo isto irmãos, olharemos para nós antes de olharmos para os outros.

    Rev. Carlos Roberto (Bob) 

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