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  • 226 - DEUS NÃO SOFRE DE AMNÉSIA
    24/09/2017

    “Em tua bondade, lembra-te de mim, oh meu Deus” Neemias 13.31b

    A memória Divina é capaz de registrar tudo na história da humanidade. Não há limites para o conhecimento de Deus sobre cada detalhe do universo, desde uma folha de uma árvore até o nascimento de uma criança (Salmo 139.13,14).

    Neemias foi um servo dedicado a Deus que trabalhou na reconstrução dos muros de Jerusalém. Como copeiro do rei Artaxerxes, presenciou muitas pessoas pedindo favores ao rei que se lembrasse de decretos ou promessas feitas a seus súditos. Por isso, durante sua luta pela reconstrução da cidade, frequentemente erguia a voz para pedir a Deus que se lembrasse dele. Este pedido de Neemias nos ajuda e compreender algumas coisas, dentre elas destacamos que Deus nunca se esquece.

    A expressão “lembra-te” de Neemias sete vezes pedindo a Deus que se lembrasse dele, nos ensina que Deus realmente tem uma memória infalível. Certamente este homem de Deus, diante das dificuldades, primeiro erguia a voz a Deus e pedia ao Senhor que se lembrasse com sua justiça

    E esse verbo lembrar significa também o agir de Deus em nossa vida, mudando cenários de desolação, destruição, inatividade. Em I Samuel 1. 19, lemos: “... Elcana coabitou com Ana, sua mulher, e, lembrando-se dela o SENHOR, ela concebeu... teve um filho, a que chamou Samuel...”, pois é sabido dos irmãos que Ana era estéril, mas, Deus se lembrou , agiu, interviu na vida dela. 

    Por conseguinte, Neemias suplica para que o Senhor continue a agir nele e com ele poderosamente. Assim, vemos o poder de Deus operando grandes mudanças na história do seu grande servo e líder.

    Dessa forma, como aconteceu com Neemias, aprendemos que as mudanças vindas do Senhor, antes de começar além de nós, têm que começar em nós. Até o capítulo 4 temos um Neemias irrepreensível. Então, o povo pobre começou a reclamar da elite, da qual fazia parte o governador Neemias.

    Neemias se incluiu no grupo dos opressores e se propôs a mudar de prática. Neemias percebeu que nele também havia erro. Ele também cobrava juros.

    A vida de Neemias mudou a partir daí. A sua visão de uma grande obra a ser realizada não o impediu de ver seus próprios erros. Os líderes também têm pés de barro.

    A partir desta conversão, Neemias passou a fazer uma oração, que pode nos soar estranha, mas ela se assemelha, ao seu jeito, à oração do salmo 139, aquela em que o poeta pede que o Senhor o sonde. Neemias ora assim:

    1. “Lembra-te de mim, oh meu Deus, levando em conta tudo o que fiz por este povo” (Neemias 5.19).

    2. “Lembra-te de mim por isso, meu Deus, e não te esqueças do que fiz com tanta fidelidade pelo templo de meu Deus e pelo seu culto” (Neemias 13.14).

    3. “Lembra-te de mim também por isso, oh meu Deus, e tem misericórdia de mim conforme o teu grande amor” (Neemias 13.22b).

    4. “Em tua bondade, lembra-te de mim, oh meu Deus” (Neemias 13.31b).

    Gosto da sinceridade de Neemias nas duas primeiras orações. Mas gosto também de ver Neemias crescendo na fé, porque nas duas orações seguintes ele não se baseia mais na sua fidelidade e bondade, mas na bondade e fidelidade de Deus. Aos poucos ele vai percebendo, ao olhar para dentro de si mesmo, Quem é Deus. Após as reformas e o ritual de consagração, Neemias concluiu seu livro de maneira maravilhosa com a seguinte frase: “Lembra-te de mim, Deus meu, para o meu bem”, Neemias 13.31. Esta frase aparece também nos vs. 14 e 22. Dizendo assim, Neemias não está manifestando sua preocupação com o fato de Deus se esquecer dele, como se isso fosse possível. Mas “lembrar” aqui nos sugere a ideia de concessão de bênçãos, da manifestação do favor de Deus. Temos em Isaías uma brilhante promessa de Deus em relação ao seu povo acerca desta verdade: “...pode uma mulher esquecer-se de seu filho de peito, de maneira que não se compadeça do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, eu, todavia, não me esquecerei de ti”, Isaías 49.15.

    Assim, também compreendo que as palavras de Neemias 13.31 b nos ensinam que o mesmo Deus que nunca se esquece da gente também quer ser “lembrado” por nós de suas promessas e de seus atributos em nosso favor.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 225 - QUANDO RECEBEMOS O TROCO ERRADO.
    17/09/2017

    No domingo passado, pregamos no texto de I Pedro 3.13-22, com o tema “Esperança além da amargura” (quando a vida é injusta). E alguns irmãos pediram a cópia da mensagem. De modo que, resolvi transformá-la em pastorais. 

    Aprendemos que nossas vidas são perseguidas pelas injustiças quando desejamos a justiça. Ao invés de justiça, somos cercados pela injustiça. Queremos a decepção exposta, a desonestidade revelada e a verdade recompensada. Mas as coisas não acontecem desta forma. Pelo menos não segundo a nossa vontade.

    Algumas famílias têm sido atormentadas pela injustiça. O cônjuge abandona o parceiro amoroso. A doença rouba um ente querido prematuramente. Uma situação injusta no trabalho ou escola persiste em prosseguir.

    Como cristãos, sabemos que, definitivamente, o bem triunfará sobre o mal e que o nosso Deus é justo, fiel e bondoso. Mas o que podemos fazer com as injustiças e infidelidades neste ínterim? Como podemos suportar a pressão a despeito destes maus tratos? Felizmente, temos a perspectiva divina para enfrentarmos a injustiça, e a encontramos escrita de forma clara em 1 Pedro 3.12: “Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e teus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam males.”

    Pedro nos fornece o seguinte princípio: nada passa despercebido aos olhos de Deus. Ele está cuidando de nós. Ele está atendo às nossas orações. E Ele está ciente de todo mal que nos acontece.

    Nunca pense que Ele se esquece do mal. Ele vê, e se lembra. Ele pode ser paciente, mas não compromete a Sua justiça. Definitivamente, o bem vencerá o mal. No final, Deus sempre vence!

    “Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom?” (1 Pedro 3.13)

    Parafraseando este versículo, poderíamos dizer que os que vivem vidas honestas não costumam sofrer danos. É claro que existem exceções, para quase todas as regras, como veremos a seguir. Mas como regra geral, se a pessoa vive uma vida de pureza e integridade, ela não sofrerá tanto quanto os que costumam fazer o mal. 

    Entretanto, voltando à realidade, pois a vida é difícil, há momentos em que a vida “é injusta”. Agora olhe o que o apóstolo diz: “Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da injustiça, bem aventurado sois.” (1 Pedro 3.14a)

    Preste atenção nas palavras: “Mas, ainda que venhais”. Que significa: “improvável, porém possível,” parafraseando: “É improvável que você deveria sofrer pelo bem da justiça, mas caso acontecesse...” Isto, isoladamente, precisa ser suficiente para renovar nossas esperanças!

    Porque enquanto o conselho humano diz: “Acerte a boca deles. Vingue-se”. Este não é um bom conselho, mas é o que costumamos ouvir. Assim, precisamos saber o que Deus tem a dizer sobre como devemos agir quando tivermos agido corretamente, mas recebemos o troco errado.

    Nestes momentos, precisamos estar prontos a dar um testemunho verbal... Uma gentil, porém firme declaração da verdade. Quando somos injustiçados, maltratados, as pessoas que nos observam ficam surpresas da nossa calma em meio a tal situação. Como suportamos sem reagir de forma agressiva. E elas desejarão saber: “Como você consegue?”. Raramente haverá um momento mais oportuno para compartilharmos a nossa fé do que quando glorificamos a Deus através do sofrimento ou de quaisquer injustiças. As pessoas que sabem o que estamos enfrentando nos ouvirão. Assim, ganhamos o direito de ser ouvido. Para confirmar esta explicação, concluo com as palavras de 1 Pedro 3. 14,15: “Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós,”

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

  • 223 - A MÃO HÁBIL DE DEUS
    03/09/2017

    Onde Deus prepara um servo para o trabalho? No deserto. Sim, como a Bíblia revela, Deus matricula seus servos na árdua escola do deserto. Um de seus alunos mais conhecidos foi Moisés. Ele teve uma educação formal impressionante pelas mãos de grandes mestres no Egito, mas mesmo aos quarenta anos de idade ainda não estava pronto para ser usado por Deus.

    Ele levou aquele herói cheio de autoconfiança para o deserto de Midiã, para receber um treinamento básico. Depois de quarenta anos de treinamento, Deus pode finalmente chamá-lo de “homem de Deus” (Deuteronômio 33.1). Antes disso, ele era conhecido apenas como “filho da filha de faraó”.

    O deserto é um lugar solitário e perigoso, uma terra seca, fervilhante de cobras e escorpiões (Deuteronômio 8.15). Todavia, Deus conduz seu povo no deserto, porque Ele quer treiná-lo, formando servos que possam estar bem equipados e preparados para qualquer emergência. O deserto tem um currículo voltado ao sofrimento, mas é lá que os cordeiros se transformam em leões. E lá que pessoas comuns se transformam em extraordinários homens e mulheres de Deus.

    Portanto, Deus não livra o seu povo do deserto, mas no deserto, para forjar nele o caráter de Cristo, assim cunha, gera uma formação espiritual ideal que ele quer. Dessa forma, aprendemos que embora Deus quebrante seus servos no deserto, ele não os despedaça completamente. A mão de Deus é hábil, precisa, terna e delicada. Nas palavras do profeta Isaías: “... nós somos o barro, e tu és o nosso oleiro; e todos nós somos obra das tuas mãos” (Isaías 64.8).

    Deus não pensa em usar alguém que só confia em si mesmo. O excesso de autoconfiança sempre será uma pedra de tropeço para quem deseja servir a Deus. Moisés é um bom exemplo disso.

    Aos quarenta anos, ele tinha fé, mas confiava em si mesmo para realizar a obra de Deus. Ele liderou os israelitas com sua própria força. Sim, mas com sua força física só o que ele conseguiu foi estrangular até a morte um único egípcio.

    Deus sabia que Moisés confiava demais em sua própria força. Por isso, para realizar a grande tarefa que Deus tinha em mente, era necessário enviá-lo para o deserto e esperar até que ele gritasse: ”Já chega!” Em Êxodo 3, Moisés confessa que não podia realizar o que Deus queria fazer através dele. Desse momento em diante, ele aprendeu a viver e a trabalhar com Deus.

    Concluímos, portanto, que nossa própria força não é suficiente para realizar a obra que Deus deseja. As grandes tarefas só podem ser executadas através do poder de Deus. Moisés descobriu isso quando foi até a presença de Deus na sarça ardente. Depois disso, ele se tornou o grande líder de dois milhões de pessoas. Ele ficou em pé, diante do mar Vermelho, e proclamou: “Não temais. Acalmai-vos e vede o livramento que o Senhor vos trará hoje; porque nunca mais vereis os egípcios que hoje vedes” (Êxodo 14.13).

    Depois de cruzar o mar Vermelho, Moisés e os filhos de Israel puderam cantar: “O Senhor é a minha força e o meu cântico, ele se tornou a minha alvação; ele é meu Deus, portanto, eu o louvarei; é o Deus de meu pai, por isso exaltarei” (Êxodo 15.2). Sim, Deus pode usar qualquer um no ministério, contanto que essa pessoa não tenha um espírito teimoso e obstinado. Os duros de coração ele leva ao deserto rigoroso. Lembre-se de João 12.24, a semente do trigo precisa morrer antes de se tornar parte de colheita. A água viva sai da rocha partida; o sangue redentor de Jesus flui de seu corpo moído.

    Sim, o quebrantamento, embora doloroso, traz bênçãos e glória.

    Rev. Carlos Roberto (Bob)

  • 224 - UMA ORAÇÃO PARA OS NOSSOS DIAS
    10/09/2017

    Diante de tanta perversidade, maldade, injustiça, corrupção... Habacuque levanta a pergunta “até quando?”, uma expressão comum de angústia encontrada nos salmos (Salmo 6.3; 13. 1-2; 35.17; 74.10; 79.5; 80.4; 89.46; 90.13; 94.3). Ele estava reclamando a aparente inatividade de Deus Enquanto a injustiça crescia em Judá (Salmo 83.1). Era o silêncio de Deus diante do mal que lhe incomodava (Salmo 35. 22-23). Há estudiosos que enxergam o profeta começando errado ao censurar Deus primeiro, não o povo. Entretanto, creio que há algo positivo a ser aprendido da primeira atitude e Habacuque. É verdade que o profeta tem dificuldade em entender porque o Senhor permite que o mal continue, mas não reclama de Deus, mas sim para Deus.

    Embora tenhamos sido ensinados que não devemos questionar Deus, devemos observar a pergunta “até quando?” não é pecaminosa em si mesma. Na verdade, ela pode expressar uma alta estima pela santidade de Deus e um desejo de que a sua justiça seja servida em pecadores rebeldes. Pois, esta indignação é lícita, pois resulta de opressões injustas. Mais do que isso, ela provém não só de um interesse próprio, mas de um zelo pela honra de Deus. Sendo que, o pedido não é o de fazerem justiça com as próprias mãos, até mesmo a vingança pessoal era condenada desde o Pentateuco (Levítico 19.18), mas deixar a vingança com o Senhor (Deuteronômio 32.35; Provérbios 25. 21,22; Romanos 12.9, 20,21).

    Uma das melhores evidências de que esta pergunta “até quando?” Não é uma expressão de um coração amargurado e pecaminoso é que até os santos no céu, onde não pode deixar de haver santidade (Hebreus 12.15), clamam “até quando?”. Em Apocalipse 6. 9-11. Observe que quem ora “Até quando?” são as almas que já estão santificadas e se encontram na presença do Senhor. Portanto, não há nada pecaminoso em sua oração.

    Assim sendo, pecaminosidade não resolvida na igreja e no mundo deve estimular o mesmo clamor em nós. Devemos lamentar a violência, corrupção as injustiças recorrentes em nosso país. E tal lamento deve ser acompanhado de um anseio por correção, por castigo. Na verdade, a ausência do anseio próprio de interpretações é sinal de indiferença para com o pecado e para com a justiça divina. “Até quando?” Não deve ser entendida como desespero, mas como uma oração esperançosa que provém daqueles que confiam que Deus resolverá a situação, como Habacuque esperava. Portanto, a reclamação de Habacuque é justa. Se o zelo pela justiça divina cresce à medida que nos santificamos, então devemos manifestar o anseio de que o Senhor Jesus volte não só para nos levar consigo, mas também para manifestar a sua justiça. 

    Entendemos que a Bíblia apresenta Deus como sendo o único realizador da justiça e transformação social. Não devemos desprezar a nossa missão social, mas devemos entender a limitação de tal missão. Somos o sal que retarda o apodrecimento moral, não a medicina que cura a sociedade enferma. Nem a humanidade, nem a mesmo a igreja conseguirá promover uma sociedade ideal nesta vida. A parábola do joio (Mateus 13.24-30; 36-43) é uma demonstração de que a construção de uma sociedade com a consequente retirada do mal no mundo será uma realização de Deus por intermédio de seus anjos (isto é, sem a participação do ser humano) e não ocorrerá nesta vida (como é o anseio de muitos seres humanos). Quando o Senhor Jesus vier e trouxer juízo sobre a terra, manifestando o seu domínio pelo sobre ela, restaurando-a, então veremos uma sociedade justa. Esta é resposta dada por Deus às almas dos mártires no texto de Apocalipse mencionado acima.

    Habacuque, portanto, está correto na sua primeira reação. Habacuque, portanto, está correto na sua primeira reação. Ele ora ao Senhor, coloca a sua expectativa em Deus para a resolução do problema. Não se acomoda diante dos males presentes. Ele quer que a resolução dos mesmos, embora saiba que ele mesmo não possa resolvê-los. Ele clama ao Senhor porque tem a justiça de Deus em alta conta, quer vê-la manifesta. Por isso, sua oração honra o Senhor ao invés de desafiá-lo.       

    Dessa forma, queridos quando olhamos para os males do nosso país e do mundo, perguntemos também como Habacuque “Até quando?”, pois vimos nesta pastoral que não é pecado fazê-la. Pois, o profeta de maneira singular escreveu mais do que um recado de Deus para os homens, mas relatou sua própria experiência cheia de perplexidades, dúvidas e questionamentos. Mas no fim, Deus ampliou a visão que Habacuque tinha das coisas. Ele percebeu que Deus está no controle de tudo, mesmo quando as coisas parecem fora de controle.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

     

     

     

  • 222 - O SOFRIMENTO NA VIDA CRISTÃ
    27/08/2017

    Falar sobre sofrimento hoje em dia é algo bastante impopular, sobretudo, no meio evangélico; o que é um grande paradoxo, uma vez que a Bíblia deixa claro que o sofrimento é algo totalmente inerente à vida cristã. Como ressaltou C. S. Lewis, não deveríamos nos perguntar por que alguns cristãos sofrem, mas sim por que alguns não sofrem.

    Eu sei que o sofrimento é um tema bastante complexo e que ao falar sobre ele, corro sempre o risco dos amigos de Jó, de ser presunçoso e falar de algo que não sei ou que não corresponde à realidade. Entretanto, nos últimos dias tenho pensado bastante acerca do propósito do sofrimento na vida dos homens cristãos durante a sua juventude. Há um versículo do livro de Lamentações de Jeremias que sempre me faz refletir sobre isso: “Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade. Assente-se solitário e fique em silêncio; porquanto Deus o pôs sobre ele. Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança.” (Lamentações 3:27- 29) Pois, Jeremias aprendeu e pregou que Deus nos aperfeiçoa através do sofrimento. Benjamin Frankilin asseverou com muita propriedade: “Aquilo que fere, instrui”. Uma das maneiras de fazer sucesso na vida é a habilidade de tirar lucros das derrotas. De Deus procede tanto o mal como o bem e, consequentemente, todas as coisas contribuirão para o bem daqueles que amam a Deus. Porque não aflige nem entristece de bom grado aos filhos dos homens... Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem? (Lamentações 3:33-37,38).

    Acho interessante esses versículos pelo fato dele ter sido escrito pelo profeta Jeremias em um momento de grande dor e sofrimento que era o período do exílio babilônico e logo depois de o profeta afirmar nos versículos anteriores que o Senhor é bom e Sua misericórdia dura para sempre e que vale a pena esperar nEle (Lamentações 3. 21-27). Daí, logo em seguida ele louva a Deus por ter feito-o sofrer em sua juventude.

    A diferença entre grandeza e mediocridade geralmente é determinada pela forma como nós encaramos os nossos erros. O ser humano se torna grandioso quando entende que o fracasso é uma taxa que pagamos para o sucesso. É por isto que devemos sempre escolher ter esperança, em meio ao desespero. O profeta Jeremias inicia dizendo: Disto me recordarei na minha mente; por isso esperarei. (Lamentações 3.21) Sabemos que Jeremias vivenciava uma situação de aflição e fracasso. O seu povo estava sendo destruído pelo exército babilônico. Nos anos de 588 a 586 A. C. os babilônicos destruíram a nação de Israel, com a destruição de todas as cidades e morte de quase toda a população. Jerusalém foi invadida, os muros foram derribados, o templo foi saqueado, os príncipes foram assassinados, e o rei Zedequias foi cegado e posto em prisão perpétua (Jeremias 52). E alguns dos poucos sobreviventes foram levados para a Babilônia. O profeta então lamenta: Como jaz solitária a cidade outrora populosa! Tornou-se como viúva a que foi grande entre as nações; princesa entre as províncias ficou sujeita a trabalhos forçados! (Lamentações 1:1). É neste contexto de ruína e desesperança que Jeremias, mesmo em péssimas condições pessoais, diz: Quero trazer a memória o que me pode dar esperança (Lamenta- ções 3. 21). 

    Oro para que um dia, ao chegar lá na frente, eu possa olhar para a minha juventude, entender os meus sofrimentos e me alegrar neles, por perceber que eles me tornaram um homem parecido com Cristo.

    perceber que eles me tornaram um homem parecido com Cristo. O nosso Deus é todo poderoso e somente Ele tem o poder de converter e renovar pessoas e mentes destruídas. Lembre-se que fracassar não quer dizer que você é um fracasso.

    Traga à memória hoje o que lhe pode dar esperança. Deus é a nossa esperança. Pense em Deus e creia nele. Você não deve ficar refém dos erros do passado. James Long diz: “Uma das razões pela qual Deus criou o tempo foi a de prover um lugar onde pudéssemos enterrar as falhas do passado”. Creia que Deus está no controle e Ele é poderoso para reverter qualquer situação.

    Pr. Carlos Roberto (Bob)

    Adaptado dos textos de Igor Sabino (Cristãos Contra o Mundo) e Pr. Wellington R Costa (Vozes & Doses) 

     

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