Arrependimento traz Restauração

Abordaremos nesta pastoral o tema: Arrependimento Para Restauração. Reflexão extraída do texto bíblico de Lamentações 3. 40-51.

Cabe aqui uma pequena introdução do livro de Lamentações.  Foi escrito logo após o rei Nabucodonosor ter ordenado a invasão de Jerusalém em resposta à rebelião de Judá contra a Babilônia. O ataque destruiu a maior parte de Jerusalém, reduziu o Templo a cinzas e levou a todos, exceto a população mais pobre, para o exílio (II Reis 24.20-25.21).

O livro de Lamentações é uma coletânea de cinco poemas escritos com ritmo e estilo dos antigos cânticos de funerais judaicos. Ele expressa toda a indignação e o sofrimento da humilhação de Jerusalém e contrapõe as bênçãos anteriores e o poder de Judá ao caos e ao sofrimento que o pecado produziu. Lamentações inclui também o ministério de Jeremias, enviando novamente como profeta para ajudar o povo em sua aflição e levar consolo a ele no exílio. Ele mostra a tristeza de Deus com rebeldia de seu povo e ajuda os israelitas a ver que somente o humilde arrependimento diante do Senhor e a submissão ao seu julgamento podem trazer restauração e libertação.

Porquanto, já no início o profeta demonstra uma perplexidade em face da calamidade que o pecado pode produzir onde não há arrependimento. Quando ele usa uma expressão característica hebraica de lamentação, “Como!”, em Lamentações 1.1; 2.1 e 4.1 – Que é um advérbio exclamativo de intensidade, a fim de intensificar a ação verbal.

Pois, o povo não atendeu ao aviso e deliberadamente prosseguiu no caminho do pecado.  Jerusalém foi destruída. O que se vê agora é fumaça, cinza e desolação.

De modo que, Lamentações 3. 40-51,  abre os nossos olhos para o pecado.  Mostra-o como ele é.  Deveríamos lê-lo de joelhos, porque muitas e tantas vezes nos fazemos cegos para o pecado, depois nos queixamos do castigo de Deus

Vemos que Lamentações 3.39 declara: “Queixe-se cada um dos seus próprios pecados!”. Quantas vezes nos queixamos do nosso pecado? Falta a experiência do arrependimento verdadeiro em nosso coração.

Assim como, muitas vezes vivemos de uma aparência de arrependimento; uma impressão de arrependimento. A falsa espiritualidade vive do “mostrar-se”, de uma aparência de piedade, mas que não é piedade, mas apenas exibição, aparência.

Deus quer promover em nos um grande quebrantamento, que é uma característica do arrependimento e da consagração que tem estado longe da experiência de muitos crentes. Vemos que pecado não lhes comove mais. A tristeza pelo pecado abandonou seus olhos e suas orações ao ponto de não terem mais coragem de se aproximar de Deus num relacionamento genuíno. Por isso oram como oram; vivem a vida miserável diante de Deus que vivem e se arrastam para a igreja como se arrastam.

Quando Deus pesa sua mão (com força) sobre o nosso pecado, revelando-nos toda a sua podridão e engano é difícil não chorar.

Não podemos mais ser relapsos na observação dos nossos caminhos. Precisamos levar a sério a questão do pecado e do desejo de prevaricar contra o Senhor. Não podemos mais nos calar na presença de Deus sucumbindo aos nossos pecados. Não podemos mais ser insensíveis diante daquilo que nossos olhos veem em nossas experiências com Deus.

A frieza da experiência religiosa pode ser sinal de coração endurecido. Levantar as mãos é mero formalismo se o coração não for oferecido a Deus; contudo acusar os que o fazem não é sinal de maior espiritualidade como se eles fossem os errados e não nós.Quando Deus mexe com nossas emoções tomamos as decisões mais depressa e agimos com maior paixão. O equilíbrio só é atingido quando voltamos nossas vidas para uma vida fiel a Deus.

Por isso arrependimento que leva à restauração é quando Deus nos abala integralmente. 

Rev. Carlos Roberto (Bob)