Deus é “Deus” - Uma redundância necessária!

“Com quem comparareis a Deus?” (Isaías 40.18).

            Nosso título é propositadamente redundante: “Deus é ‘Deus’”. A razão desta proposital redundância é que para muitas pessoas Deus deixou de ser considerado como “Deus” há muito tempo e sua relação com ele beira a “blasfêmia”.
            “Ponha Deus contra a parede!” - foi assim que um pastor, em um programa de televisão, orientava os seus ouvintes e telespectadores no modo como deveriam orar e determinar suas bênçãos. “Se Deus é Deus, Ele vai provar” - completava o mesmo pastor, ao ir mais longe para convencer os que o ouviam de que a oração é uma grande arma que o crente tem em sua mão.

            Você, que tem um pouco mais de bom senso, compreende que as coisas não são bem assim e que há muito exagero em tais palavras. Mas, não pense que isso é muito diferente do modo como outros agem, simplesmente desconsiderando as ordenanças de Deus e suas exortações a uma vida de santidade. Ou ainda, aqueles que relegam Deus a um segundo plano, dando primazia à sua própria vontade, falhando em buscá-lo e servi-lo de coração.

            Quando Jó mais se exaltava em não aceitar a realidade da sua vida e procurava censurar Deus com acusações, tais como: “Parece-te bem que me oprimas que rejeites a obra das tuas mãos e favoreças o conselho dos perversos? Tens acaso olhos de carne? Acaso vês tu como vê o homem? (Jó 10.3-4). Muito embora compreendesse a grandeza e o poder de Deus, Jó precisava de uma resposta sobre sua vida e se perguntava por que o Todo-poderoso estava contra ele: ”Que o Todo-poderoso me responda, que o meu adversário escreva a sua acusação”!  (Jó 31.35b).

            Muitas vezes, por não compreendermos bem as circunstâncias que cercam a nossa vida, nos tornamos assim questionadores de Deus. O profeta Isaías apresentava o mesmo quadro diante de Israel e propunha a seguinte questão: “Com quem comparareis a Deus?” (Isaías 40.18). Mais à frente, ele expõe que as ações duras de Deus tinham um objetivo: mostrar que “Deus é ’Deus’”: “Para que se saiba, até ao nascente do sol e até ao poente, que além de mim não há outro; eu sou o Senhor e não há outro” (Isaías 45.6).

            Da mesma forma, Jó obtém a resposta às suas queixas, quando Deus lhe propõe uma reflexão profunda sobre a pequenez humana e a grandeza divina (leia os capítulos 39 a 41). A temática desta resposta é que quando desejamos vencer as tribulações desta vida, precisamos dispor o nosso coração a confiar que Deus continua sendo “Deus”, mesmo quando nós sofremos ou não O entendemos. Essa redundância é necessária e real.

 

Rev. Carlos Roberto (Bob)